A classificação do Campeonato Brasileiro, depois de 10 rodadas, mostra acentuado equilíbrio, não só entre os seis primeiros, mas também entre os do meio da tabela e das últimas colocações. A igualdade se estende também em gols marcados e sofridos, sem que deixe de chamar atenção, que entre os seis primeiros, o Flamengo seja o único sem saldo, entre os que cumpriram todos os dez jogos, e o Vasco esteja em posição muito acima do que alguns preferiam não acreditar.

INTERNACIONAL – A campanha do líder, com 20 pontos em 10 jogos, tem um realce todo especial: não sofreu gol em nenhuma de suas seis vitórias, o que em muito contribui para que sua defesa seja a menos vazada, com seis gols, e o único jogo em que não fez gol foi o da derrota (1 x 0) para o Goiás. Não deixa de ser surpreendente que o artilheiro Tiago Galhardo, com 8, tenha feito mais da metade dos 15 gols do ataque mais positivo. 

ATLÉTICO MINEIRO – O vice-líder, com 18 pontos em 9 jogos, ganhou fôlego ao iniciar com três vitórias consecutivas, com o 1 x 0 da estreia, no Maracanã, sobre o Flamengo, tornando-se sua melhor referência. As derrotas nos dois primeiros jogos fora de casa não chegaram a abalar o time, bem trabalhado, não só em técnica e tática, mas também no psicológico pelo experiente Jorge Sampaoli. Único que não empatou, tem o segundo ataque mais positivo.

SÃO PAULO – Terceiro com 18 pontos em 10 jogos, alternou vitórias e derrotas nos quatro primeiros jogos, faltando-lhe a confiança que ainda teve de duas vitórias consecutivas. A pressão muito acentuada dos torcedores, que em nada contribui para a estabilidade do time, também tira a tranquilidade de uma equipe com vários jogadores jovens que demonstram insegurança. É muito bom o trabalho do técnico Fernando Diniz, embora o ano eleitoral no clube exerça influência.

VASCO – O quarto lugar do time, com 17 pontos em 9 jogos, muito se deve às três vitórias consecutivas, embora sem ganhar os três jogos seguintes. A imprevista e única derrota em casa, na virada que levou do Atlético Goianiense, poderia ter contribuído para a instabilidade, mas logo o time subiu de novo ao vencer o Botafogo, no segundo jogo em que fez três gols. O Vasco tem o ataque mais positivo, igual ao do Internacional, e os argentinos Cano e Benitez estão entre os melhores do campeonato.

FLAMENGO – Com base na campanha de 2019, esperava-se bem mais do atual campeão , até porque manteve o grupo. Não soa normal que tenha sofrido três derrotas, todas sem fazer gol, e que esteja sem saldo. Quinto com 17 pontos em 10 jogos, não chegou a convencer na primeira vitória, em pálido 1 x 0 sobre o lanterna, e depois de dois empates seguidos, foi o primeiro a ganhar quatro consecutivas, mas a derrota em Fortaleza deixa a sequência em aberto após a pausa da Libertadores.

PALMEIRAS – Sexto com 17 pontos em 9 jogos, embora único invicto, empatou mais do que ganhou, o que reflete a instabilidade de um time bem dirigido e com valores mesclados, mas sem ter conseguido campanha mais firme. A terceira defesa menos vazada é um suporte para que a equipe melhore e cresça, em um campeonato em que aparece como uma das credenciadas ao título.

DOS SEIS TIMES do bloco intermediário, o Santos, sétimo com 15 pontos em 10 jogos, poderia tirar mais vantagem dos jogos na Vila, onde só conseguiu duas vitórias.

ENTRE OS oito primeiros, o Fluminense – 14 pontos em 10 jogos  é o único com saldo devedor, reflexo de uma defesa pouco segura, que geralmente costuma falhar no final dos jogos.

COM UM PONTO por jogo, o Grêmio aparece como a maior decepção, só com duas vitórias e dividindo com o Botafogo o recorde de empates.

BOTAFOGO, 9 pontos em 9 jogos, empata muito, perde pouco, e não tem quem finalize: média de um gol por jogo é abaixo do que se pode esperar, mas é a realidade do quarto pior ataque. O que menos o torcedor sente no time é estabilidade. Poucos oscilam, quase sempre com atuações ruins, e é fácil observar que a reação parece bem distante. 

Foto: O Povo