Hoje, 16 de julho de 2020, faz 70 anos que o Brasil, jogando pelo empate e fazendo 1 x 0 aos quatro do segundo tempo, levou a virada (2 x 1) do Uruguai, diante de mais de 200 mil torcedores no Maracanã, construído especialmente para a Copa de 1950, tornando-se a primeira seleção, em 21 Mundiais, a perder a final em casa. No dia dessa tragédia, considerada a mais triste da história do futebol – ou seria o 7 x 1 no Mineirão? -, Elizeth Cardoso, a Divina, que faria 100 anos hoje (16), já comemorava 30.

A MÚSICA – Da casa 5 da Rua Ceará, onde nasceu, em São Francisco Xavier, perto da Mangueira, Elizeth mudou-se com os pais e os cinco irmãos para a Rua do Resende, no Centro da cidade. Terminou o primário, mas não podia seguir estudando porque precisava trabalhar para ajudar na despesa. Foi balconista, cabeleireira e encaixotadora em fábrica de saponáceo. No domingo dos 16 anos, Pixinguinha, Dilermando Reis e Jacob do Bandolim foram à sua festa. Ela cantou, agradou e foi fazer teste na Rádio Guanabara, acompanhada do pai, exímio violonista e seresteiro.

O CRAQUE – Elizeth conheceu Leônidas da Silva em 1936, pouco depois de completar 16 anos. Ele despontou com os títulos cariocas de 34 no Vasco e 35 no Botafogo, expulso pelo presidente Carlito Rocha ao dizer que “meu coração é rubro-negro”. Ela era tão apaixonada que saiu de casa para morar com ele, mas o romance durou pouco porque ele era muito ciumento e não quis adotar uma menina que Elizeth, louca para ser mãe, encontrou em uma cesta que deixaram na porta de sua casa.

LEÔNIDAS, sete anos mais velho, deu uma decisão em Elizeth: a menina ou ele. Ela saiu da casa dele na hora e voltou à casa dos pais, que outra vez se chocaram quando ela registrou a criança com o sobrenome da família: Tereza Carmela Moreira Cardoso. Quando saía para cantar em shows, deixava a menina com a mãe. Conheceu no show Ari Valdez, que a acompanhava no cavaquinho. Casaram-se, só no civil, e no ano seguinte (1940) nasceu Paulo Cezar, seu único filho.

A CARREIRA tomou impulso e Elizeth Cardoso era sucesso nacional com os primeiros LPs. de choro e samba-canção, ritmo que antecedeu à bossa-nova no final dos anos 50. João Gilberto, ainda tímido ao violão, tocou algumas vezes com ela. Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maysa, Dolores Duran e Elizeth Cardoso, a mulata maior, a meiga Elizeth, o fino da música brasileira. No auge do sucesso, um disco só com músicas do poeta Vinícius de Moraes, que a recebia em Ipanema, com Tom e Chico. 

100 ANOS de Elizeth Cardoso, a Divina, nesta quinta, 16 de julho de 2020, um dia especial, temperado com muita saudade dos meus 40 anos, quando ela, alegre, sorridente, feliz, cantou no almoço em uma tratoria da Tijuca. Tudo que Elizeth cantou foi bom demais, mas ela abusou em Barracão, acompanhada pelo Jacob do Bandolim, pai do meu saudoso amigo vascaíno Sergio Bitencourt. Elizeth cantou também Tudo é Magnífico, lembrando a escola de bola de um homem chamadoPelé. Como é bom ser saudosista e lembrar de tanta coisa boa, que o tempo bem podia trazer de volta. 

Fotos: Vagalume, FiscoGS, Campo Grande News, O Tempo, Acontecimentos do Dia, Hypeness, Rádio Campinarte.