ADEMIR MARQUES DE MENEZES, PRIMEIRO ARTILHEIRO E CAMPEÃO CARIOCA NO MARACANÃ, completaria 100 anos nesta segunda-feira, 8 de novembro de 2021. Revelado no Sport Club Recife, tricampeão pernambucano 1939-40-41, o famoso Queixada, da época de ouro do Expresso da Vitória do Vasco, foi campeão carioca em 45, 49, 50, 52. Até hoje, depois de 17 Copas, nenhum brasileiro igualou, em uma só Copa, os 9 gols de Ademir na Copa do Mundo de 1950.

A TRAGÉDIA – Enquanto repórter da primeira Copa que cobri em 70, conversei com Ademir, então comentarista da Rádio Mauá, sobre a Copa de 50, sempre mantendo o cuidado de não o magoar, mesmo depois de 20 anos. Ele resumiu: “Foi a tragédia da minha vida e de toda a minha geração. Os gols que fiz e os títulos que ganhei, jogaram no lixo. A pena máxima no Brasil era de 30 anos. O Barbosa foi condenado a mais de 50, até morrer, por um erro que não cometeu”.

RÁPIDO E CERTEIRO nas finalizações, Ademir superou Leônidas da Silva, o Diamante Negro, criador do gol de bicicleta, ídolo do Flamengo, tão popular quanto o presidente Getúlio Vargas, primeiro artilheiro brasileiro em Copa do Mundo, com 8 gols em 1938, três no 6 x 5 na Polônia, na então melhor colocação do Brasil (3º lugar). Dos 9 gols de Ademir, vice-campeão em 50, 4 foram no 7 x 1 na Suécia, após o que o técnico George Raynor resumiu: “Impossível contê-lo”. 

35 GOLS EM 41 JOGOS marcaram a passagem de Ademir, de 21/1/45 a 15/3/53, pela seleção. Foi campeão, melhor jogador e artilheiro do Sul-Americano de 1949 com 31 gols em 8 jogos, dirigido por Flávio Costa, seu técnico no bi carioca de 49-50 no Vasco, e campeão Pan-Americano de 1952, dirigido por Zezé Moreira. Ademir me disse certa vez: “Alguns jogadores parecem não ter noção do que é jogar com a camisa da seleção”.

301 EM 429 JOGOS nas duas passagens de Ademir por São Januário, melhor jogador do Vasco em 49, 50, 51 e 52. No primeiro título carioca, em 1949, Ademir participou de todos os 20 jogos e marcou 31 dos 84 gols do Vasco, invicto, com 18 vitórias e 2 empates. No bi, em 1950, primeiro campeão no Maracanã, Ademir atuou em 19 dos 20 jogos – 17 vitórias, 3 derrotas – e marcou 25 dos 74 gols do Vasco, incluídos os dois do 2 x 1 da final com o América.

NO ÚLTIMO TÍTULO carioca, em 1952, dirigido por Gentil Cardoso, Ademir foi o artilheiro do time, com 13 dos 49 gols, em 19 em 20 jogos, tendo ainda como remanescentes do Expresso da Vitória e da seleção vice-campeã do mundo, Barbosa, Augusto (cap), a famosa linha média Eli, Danilo e Jorge, Maneca, Ipojucan e Chico. O Vasco venceu 17 jogos, empatou 2 e só perdeu no quarto jogo, para o Fluminense, por 1 x 0, gol de Marinho, com passe de Didi.

FRASE HISTÓRICA – Bicampeão 40-41, o Fluminense ficou quatro anos sem título, e no final de 1945, contratou Gentil Cardoso para preparar o time. Frasista por excelência, o técnico disse: “Deem-me Ademir que lhes darei o título”. Em março, o Fluminense pagou 35 mil cruzeiros pelo passe ao Vasco, deu 80 mil de luvas e mais 85 mil, no total de 200 mil cruzeiros, valor de um apartamento de três quartos em Copacabana, o bairro nobre da época.

CAMPEÃO EM 45 no Vasco, Ademir foi supercampeão em 46 no Fluminense, em 23 dos 24 jogos, com 25 dos 97 gols do ataque Pedro Amorim, Simões, Ademir, Orlando e Rodrigues, comprado do Palmeiras, artilheiro do time com 28 gols. O supercampeonato foi um quadrangular, disputado em General Severiano e em São Januário: o Fluminense fez 8 x 4 e 6 x 2 no América; 1 x 1 e 4 x 1 no Flamengo; 3 x 1 e 1 x 0 no Botafogo, e Ademir marcou gol em todos os jogos. Na comemoração, Gentil Cardoso chorou ao abraçar Ademir: “Obrigado, meu artilheiro”.

TIME DE BOTÃO – Quando a família Menezes se reuniu para comemorar o supercampeonato, Ademilson, irmão mais velho, fez a revelação: “Minha mãe (Otília), meu pai (Antonio) e todos da família sempre foram tricolores. O time de botão do Ademir era com as cores do Fluminense”. Ademir cumpriu os dois anos de contrato, e em 1948, voltou ao Vasco, campeão dos campeões sul-americanos (invicto) no Chile. O torneio deu origem à criação da Libertadores.

POR MAIS QUE O TEMPO PASSE, Ademir Marques de Menezes será sempre lembrado como um dos notáveis. Ele deixou o nome bem gravado na história do futebol. Impossível não o citar, quando se escreve ou se fala de gols e de títulos porque tudo tem a ver com o que ele deixou. Ademir é um passado sempre presente na lembrança dos que viram a essência do futebol, que maravilhou multidões dos inesquecíveis anos de ouro do verdadeiro Maracanã.

Foto: Museu da Pelada /