Nesta segunda, 17 de junho de 2019, faz 25 anos que as seleções passaram a usar camisa com nome às costas, número no peito e no calção, em Copas do Mundo. O fato inédito foi registrado no jogo único do dia 17 de junho de 1994, em que, seguindo a tradição da Fifa, a abertura era feita pelo campeão da Copa anterior. Campeã em 1990, vencendo a Argentina na decisão, a Alemanha fez sua primeira Copa, após a unificação da Ocidental e Oriental, com a queda posterior do muro de Berlim, e jogou na abertura com a Bolívia. O gol único foi marcado aos 16 do segundo tempo pelo atacante Jurgen Klinsmann, no estádio Soldier Field, em Chicago, no Norte do estado de Illinois.

11 COPAS DEPOIS – O nome do jogador na camisapassou a ser obrigatório, assim como o número, que a Fifa determinou que fosse usado a partir da Copa do Mundo de 1950, a primeira que o Brasil promoveu, a quarta da história das Copas, após 1930, 1934 e 1938, de vez que em 1942 e 1946 não foi realizada, em virtude da Segunda Guerra Mundial. O francês Jules Rimet – 1873 – 1956 -, terceiro presidente da Fifa – 1921 – 1954 -, teve a ideia durante a estada no Rio, que visitou em 1948.

PRESIDIÁRIOS -O primeiro jogo em que os times usaram número na camisa foi o da decisão da Copa da Inglaterra, criada em 1871, em que o Wanderers ganhou (1 x 0) do Royal Engineers, em 1933. Houve muita resistência dos jogadores porque a maioria considerava que, com o número na camisa, eles ficariam iguais a presidiários. Bom dizer: o modelo de mata-mata da Copa da Inglaterra – torneio mais antigo do mundo – foi copiado, anos depois, pelo Brasil, que reúne mais de quatro vezes na Copa do Brasil o número de participantes do Campeonato Brasileiro. Chile, Portugal, Espanha e outros países também copiaram.

A CAMISA 10 DO REI – Aproveitando o registro dos 25 anos do nome na camisa, voltemos à primeira Copa que o Brasil ganhou. Em 1958, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF, não enviou a relação dos números dos jogadores. Com o prazo para a inscrição se esgotando, um funcionário da Fifa tomou a iniciativa de fazer a lista. Sem conhecer nenhum dos 22, ele foi colocando os nomes e o número ao lado, por conta própria, e encaminhou para a inscrição.
Zagallo, que era 11 no Flamengo, foi inscrito com o numero 7, e Garrincha, que era 7 no Botafogo, foi inscrito com o número 11. Nilton Santos, 6 no Botafogo, passou a 12. Gilmar, que era goleiro (1) do Corinthians, passou a 3. Vavá, 9 no Vasco, virou 20, e Didi, 8 no Botafogo, passou a ser 6 na Copa.Pelé foi inscrito com o número 10, que depois virou número de artilheiro. Só que Pelé e Garrincha, estrearam no terceiro jogo. Eram reservas de Dida, artilheiro do Flamengo, e de Joel, ponta-direita do Flamengo.

BOM DIZER – Na final, em 29 de junho, a Suécia – dona da casa – tinha a prioridade de usar sua primeira camisa (amarela). O Brasil só havia levado camisa amarela. Na véspera do jogo, o administrador José de Almeida Filho saiu à procura de camisa azul nas lojas de Estocolmo. Demorou, mas conseguiu. Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação, pagou a uma costureira para tirar o escudo da CBD das camisas amarelas e colocá-lo nas camisas azuis. As histórias do futebol não têm fim…
Foto: Divulgação CBF