O único registro negativo do quarto título mundial que o Brasil ganhou em 1994, na repetição da final de 1970 com a Itália, foi a expulsão de Leonardo. A cotovelada do lateral-esquerdo, na cara do meia Tab Ramos, aos 43 minutos do primeiro tempo do jogo com os Estados Unidos, foi tão grosseira, que ele ouviu de 85 mil torcedores, a maior vaia da carreira, ao sair do gramado do estádio da Universidade de Stanford, na Califórnia, após o cartão vermelho do árbitro francês Joel Quiniou.

A DIMENSÃO – Leonardo não poderia ter sido mais infeliz. O jogo era no Dia da Independência dos Estados Unidos, que promoviam pela primeira vez uma Copa, a que registrou a maior média de público da história de todas as Copas. Valia vaga nas quartas de final, havia muito equilíbrio sob sol intenso, provocando grande desgaste no rendimento das seleções, e o jogo só foi decidido aos 28 do segundo tempo, quando Romário deixou Bebeto na cara do gol, e ouviu na comemoração, “eu te amo”

Foto: site copadomundo.ig.com.br

BRANCO – A expulsão de Leonardo, titular nos três primeiros jogos, abriu a vaga para Branco, que logo em seu primeiro jogo, com atuação firme na marcação e no apoio, marcou o gol da vitória (3 x 2) sobre a Holanda, no estádio Cotton Bowl, em Dallas. E não foi um gol comum, não; foi em primorosa cobrança de falta, com chute rasteiro, violento e com efeito. Detalhe:  Romário fez ligeiro corta luz, que ajudou a tirar toda e qualquer chance do (bom) goleiro Ed De Goej.

O TÍTULO – Quatro dias depois, de volta à Califórnia para os dois jogos finais, o Brasil ganhou (1 x 0, gol de Romário) da Suécia, na semifinal – havia empatado (1 x 1, também com gol de Romário) na fase de grupos, no estádio Pontiac Silverdome, em Detroit, e Branco, dos poucos que se mantiveram no Brasil, teve outra excelente atuação. Nos pênaltis da final de 17 de julho com a Itália (0 x 0 em 120 minutos), Branco converteu o segundo, depois de Romário, e o capitão Dunga, o terceiro. 

A HISTÓRIA – Um dos laterais mais notáveis da história, Branco havia completado 30 anos quatro meses antes do tetra, já tricampeão carioca (83-84-85) e campeão brasileiro (84) pelo Fluminense, que defendeu com brilho em 175 jogos, com 76 vitórias e 12 gols. Na seleção, o quarto lateral-esquerdo com mais atuações (72, de 85 a 95), depois de Roberto Carlos (125, de 92 a 2006), Júnior (88, de 79 a 92) e Nilton Santos (75, de 1949 a 1962, quando foi bicampeão mundial).

ESPERANÇA – A renovação da seleção brasileira passa pela visão experiente de Branco, hoje aos 55 anos, coordenador das seleções de base, cujo primeiro resultado já se fez sentir no recente Torneio de Cannes, na França, onde a seleção sub-23 foi campeã com brilho, dirigida por André Jardine, de 39 anos, técnico que Branco, gaúcho como ele, escolheu. 

Foto: ESPN