Até em sua fase mais vitoriosa, com seis títulos em treze anos, o Vasco não conseguiu, mesmo no auge do Expresso da Vitória, até hoje lembrado com saudade pelos torcedores mais antigos, ser tricampeão carioca, conquista só alcançada em 92-93-94, coincidindo com o terceiro título em anos em que o Brasil foi campeão do mundo (58, 70, 94). Entre 58 e 70, o Vasco ficou doze anos sem ser campeão carioca.

Bom dizer, principalmente para os mais novos, que o Vasco foi três vezes campeão invicto, em 45, 47 e 49, e o primeiro campeão do Maracanã, quando teve também o artilheiro, e o único da seleção a fazer nove gols em uma  Copa do Mundo, marca até hoje não igualada. Ademir fez 25 gols em 19 jogos do Campeonato Carioca e 9 gols em seis jogos na Copa do Mundo de 1950, tornando-se o maior ídolo da história do Vasco.

CAMPANHA DO TRI – O Vasco iniciou a arrancada em 92, campeão invicto – 18 vitórias, 6 empates, 44 gols pró e 10 contra, sob a direção de Joel Santana, seu zagueiro nos anos 70. No bicampeonato, em 93, foram 15 vitórias, 5 empates e 4 derrotas, com 44 gols marcados e 17 sofridos, outra vez com o comando de Joel Santana, que divide com Flávio Costa a honra de técnico com mais títulos (8) de campeão carioca.

JAIR PEREIRA, ex-atacante do Vasco, levou o time ao tão sonhado tricampeonato carioca no dia 15 de maio de 94, quando o Vasco venceu (2 x 0) o Fluminense, diante de 79.230 pagantes. Jardel marcou os dois gols, aos 6 do primeiro tempo e aos 17 do segundo, em jogo equilibrado, de bom nível técnico e bem apitado pelo carioca Leo Feldman.

TIME-BASE – Na campanha do tri, em 94, o time-base foi Carlos Germano, Pimentel, Alexandre Torres, Ricardo Rocha e Cassio (Sidnei, cada um disputou nove jogos); Luisinho, Leandro, França e Yan; Dener e Valdir. Foram 12 vitórias, 5 empates e a única derrota (2 x 1) para o Flamengo, no quadrangular final. Só Carlos Germano e Alexandre Torres participaram de todos os jogos.

DESASTRE – Expulso no 1 x 1 com o Fluminense, no quadrangular final, em 17 de abril, Dener foi de carro para São Paulo, após o que seria seu último jogo, aos 23 anos. Ao voltar ao Rio, no final da madrugada, seu carro bateu em árvore, na beira da Lagoa e a morte foi instantânea. O Vasco não fez o seguro de 3 milhões de dólares, conforme constava em cláusula do empréstimo. O caso se arrastou na Justiça e a Portuguesa e a família do jogador levaram anos para receber a indenização.

O INVICTO – Voltando aos títulos invictos, é bom dizer que não foram só os de 1945 – o técnico era o uruguaio Ondino Viera – e os de 47 e 49, sob o comando de Flavio Costa, campeão também em 50. O Vasco foi o primeiro time brasileiro a ganhar um Sul-Americano invicto, em 1948, no Chile, superando adversários do nível do Colo-Colo, Emelec, Peñarol, Nacional e River Plate. O primeiro campeão dos campeões sul-americanos, título que repetiria, com igual brilho, ao ganhar 40 anos depois a Copa Libertadores de 1998, a única da bela história centenária do clube.

Foto: Site vascofotos.wordpress.com