Entrelaçados, e não é de hoje, o futebol e a música têm muitas histórias. Vou lembrar de uma nesta quinta, 7 de maio de 2020, dia dos trinta anos da morte de uma das maiores cantoras brasileiras: Elizeth Cardoso. Poucos sabem: aos 16 anos, ela, que seria A Divina da música, e Leônidas da Silva, aos 23, futuro campeão e artilheiro, iniciaram um romance.

JOGO RÁPIDO – Elizeth, canceriana de 16 de julho de 1920, e Leônidas da Silva, virginiano de 6 de setembro de 1913, conheceram-se em 1936, e tiveram paixão fulminante. Em poucas semanas, ela decidiu morar com ele, deixando o pai, Jaime, violonista e seresteiro, em pânico. Na época, algo raro, uma garota de 16 anos sair de casa para morar com o namorado.

CIUMENTOS – Leônidas era muito mais ciumento que Elizeth, que soube ter sido traída e o perdoou mais de uma vez. Aos 18 anos, queria ser mãe, e o desejo aumentou, ao encontrar uma recém-nascida, em um cesto, em sua porta. Leônidas não queria adotar a criança e foi claro: “Ela ou eu”. Elizeth ficou com a criança e voltou a morar na casa dos pais.

MÃE SOLTEIRA – Elizeth, mãe solteira, registrou a menina como Tereza Carmela, que a mãe, Maria José, cuidava quando saía para os shows. Em um deles, conheceu Ari Valdez, que tocava cavaquinho. Em seis meses foi morar com ele e levou a menina. Em dois meses, engravidou e em 1940 teve Paulo Cesar, único filho.

TAXISTA – Elizeth ficou sem dinheiro após o desquite em 1947 e passou a ser taxista. Ganhou dinheiro e comprou a tão sonhada casa. Decidiu que não se casaria e teve só mais três namorados; o último, Evaldo Rui, o mais ciumento, que se suicidou, após implorar muito para que continuassem. Elizeth também ficou deprimida e teve apendicite aguda.

ÚLTIMO – Em 1966, Elizeth fez shows em parceria com Cyro Monteiro, com quem deixou de namorar, de novo por muito ciúme dele. Mas continuaram amigos e lançaram dois LPs de sucesso: A Bossa Eterna de Elizeth e Cyro. Elizeth teve muita fama e foi chamada A Divina, A Magnífica, A Meiga. Em seu programa, Adelzon Alves – o amigo da madrugada – a anunciava como A Mulata Maior.

ELIZETH CARDOSO cantou pela primeira vez, meio encabulada, em sua festa de 15 anos, presentes Pixinguinha (autor de Carinhoso e outros sucessos), Dilermando Reis (craque do violão) e Jacó do Bandolim, que a levou para teste na Rádio Guanabara. Aprovada, depois foi apresentada a Noel Rosa –  1910 – 1937 -, e gravou todos os sucessos do poeta da Vila: Último Desejo, Fita Amarela, Três ApitosPalpite Infeliz, Feitiço da Vila e outros.

LINHA DE FRENTE – Elizeth comemorava 30 anos, no domingo, 16 de julho de 1950, e chorou após o Brasil levar a virada (2 x 1) do Uruguai, na final da Copa do Mundo, que ouviu Jorge Curi transmitir na Rádio Nacional. Elizeth era rubro-negra, mas pouco ia ao Maracanã pelos muitos shows que fazia, especialmente nos fins de semana.

ELIZETH CARDOSO – Carioca, A Divina era do timaço de cantoras de samba-canção: Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Nora Ney, Dolores Duran e Maysa. Elizeth gravou 40 LPs de sucesso no Brasil, Uruguai, Argentina, Venezuela, México e Portugal. Realizou o sonho de cantar no Japão, no final de 1970. Morreu de câncer em 7/5/90, na Clínica Bambina; foi velada no João Caetano e sepultada no Caju, ao som de um surdo da Portela, escola do coração.

Fotos: Dears Forever! , Opinião e Notícia , Cultura Brasil e Toque Musical