Hoje, 19 de maio de 2020, faz 39 anos que assisti à virada histórica da seleção brasileira na Alemanha, com o gol de Júnior, aos 29 do segundo tempo, em primorosa cobrança de falta, diante de 73 mil torcedores no Neckarstadion, hoje Arena Mercedes Benz, em Stuttgart. Dos cinco gols, em 74 jogos pela seleção, Júnior marcou três em vitórias sobre a Alemanha.

OS CINCO GOLS – Desde a estreia – 6 x 0 no Paraguai, amistoso em 17/5/79, no Maracanã, à despedida, 3 x 1 na Alemanha, amistoso em 16/12/92, no Beira Rio, em Porto Alegre -, Júnior honrou a camisa da seleção em 74 jogos, com 47 vitórias, 17 empates, 10 derrotas, pautando sempre pela regularidade, que o tornou reconhecido como um dos melhores laterais.

Mundialito 1981 – João Leite, Edevaldo, Cerezo, Oscar, Luisinho e Júnior. Agachados, massagista Nocaute Jack, Tita, Paulo Isidoro, Sócrates, Batista e Zé Sérgio.

O PRIMEIRO – Júnior marcou o primeiro gol pela seleção, na virada (4 x 1) sobre a Alemanha, em 7/1/81, pelo Mundialito, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Klaus Allofs fez 1 x 0 aos 9 e Júnior empatou aos 14. O segundo gol foi de Cerezo, o terceiro e quarto de Serginho Chulapa.

OUTRA GOLEADA – O segundo gol de Júnior, em 29/3/81, foi o que fechou os 5 x 0 na Venezuela, pelas eliminatórias para a Copa de 82, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Em verdade, quatro gols rubro-negros: Tita fez dois, Zico e Sócrates. Júnior marcou o quinto, aos 39 do segundo tempo, levando os 36 mil torcedores ao delírio.

7 de janeiro 1981 – Júnior na marcação a Rummenigge, um dos destaques da Alemanha,
no Estádio Centenário em Montevidéu.

MUITA EMOÇÃO – O terceiro gol de Júnior valeu outra virada (2 x 1), em amistoso de muita emoção em Stuttgart. A Alemanha fez 1 x 0 aos 30, com Klause Fischer, e na volta do intervalo, Cerezo empatou aos 15. Junior fez 2 x 1 aos 29, em linda cobrança de falta, deixando Schumacher sem ação. A virada chegou a ficar ameaçada, aos 34, quando o inglês Clive White marcou pênalti – toque do lateral Edevaldo -, mas Waldir Peres defendeu as duas cobranças do lateral Paul Breitner. O árbitro alegou que o goleiro havia se adiantado.

NO MARACANÃ – O quarto gol de Júnior foi especial. Ele entrou em campo com mais quatro do Flamengo: Leandro, Zico, Adílio e o volante Vítor. Tarde de muito calor, com 150.289 pagantes no Maracanã, e amistoso equilibrado, só decidido aos 38 do segundo tempo, com seu belo gol, à esquerda da Tribuna de Honra. Fábio, meu filho, então aos 12 anos, foi gandula e também viu o gol de perto. 

2 de julho 1982 – Júnior em disputa com Maradona, em Brasil 3 x 1 Argentina, no antigo estádio Sarriá, no penúltimo jogo da seleção na Copa de 82.

NA COPA DE 82 – O quinto e último gol de Júnior, com a camisa da seleção, foi no antigo estádio Sarriá, em Barcelona, onde na tarde de 8/7/82 o Brasil venceu (3 x 1) a Argentina e avançou à semifinal da Copa. Júnior fez o terceiro, depois de Zico e Serginho, e Ramon Diaz, quando já estava 3 x 0, marcou o gol argentino. 

NA ESTREIA – A seleção da estreia de Júnior, em 17/5/79, amistoso no Maracanã, 6 x 0 no Paraguai, com 70 mil torcedores: Leão (Vasco), Toninho (Flamengo), Amaral (Corinthians), Edinho (Fluminense) e Júnior (Flamengo); Carpegiani (Flamengo) depois Cerezo (Atlético), Falcão (Inter) e Zico (Flamengo); Nilton Batata (Santos) depois Roberto Dinamite (Vasco), Sócrates (Corinthians) e Eder (Atlético). Técnico – Claudio Coutinho. Gols: Zico (3), Eder e Nilton Batata (2).

16 de dezembro 1992 – Antonio Carlos, Gilmar, Cafu, Ronaldão, Roberto Carlos e Mauro Silva. Agachados, massagista Nocaute Jack, Renato Gaúcho, Luis Henrique, Bebeto, Raí e Zinho, no antigo Beira Rio, em Porto Alegre. Júnior, em seu jogo de despedida, só entrou no segundo tempo, no lugar de Luis Henrique.

NA DESPEDIDA – A seleção da despedida de Júnior, em 16/12/92, amistoso no Beira Rio, 3 x 1 na Alemanha, com 40 mil torcedores no estádio do InterGilmar (Flamengo), Jorginho (Bayern Munique), Paulão (Grêmio), Célio Silva (Inter) e Branco (Genoa); Mauro Silva (La Coruña), Luis Henrique (Mônaco) depois Júnior (Flamengo), Silas (Inter) depois Luisinho (Vasco) e Zinho (Palmeiras); Bebeto (La Coruña) depois Renato Gaúcho (Cruzeiro) e Careca (Napoli) depois Romário (PSV). Técnico – Parreira. Gols: Luis Henrique, Bebeto e Jorginho, e Sammer.

COPA DA AMIZADE – Foi em seu último ano na seleção, que Júnior ganhou o único título, a Copa da Amizade, em 1992, nos Estados Unidos, com dois jogos em dois dias consecutivos: 5 x 0 no México, dia 1 de agosto, no Coliseu de Los Angeles, e 1 x 0 nos Estados Unidos, dia 2 de agosto, no estádio Rose Bowl, onde dois anos depois o Brasil ganharia a Copa de 94. Roberto Carlos havia assumido a lateral e Júnior só fez o jogo com o México, no meio-campo, com Mauro Silva, Raí e Zinho.

Não foram poucos os belos gols a que assisti na época de ouro, em que repórter podia entrar em campo para as entrevistas, antes do jogo, no intervalo e no final. O clima da festa no gramado era vivido pelo torcedor em todos os setores do estádio. Hoje, 19 de maio de 2020, faz 39 anos que Júnior, com a camisa da seleção, marcou um gol histórico no Maracanã.