HOJE, 23 DE NOVEMBRO DE 2021, FAZ 40 ANOS QUE O FLAMENGO GANHOU A 1ª LIBERTADORES. Enquanto repórter de rádio, cobri na noite da 2ª feira, 23 de novembro de 1981, a vitória sobre o Cobreloa por 2 x 0, gols de Zico, diante de 30 mil torcedores no estádio Centenário de Montevidéu. Foi um dos jogos mais tensos e violentos que cobri, com a entrada em campo do atacante Anselmo, aos 42 do segundo tempo, só para dar um soco na cara do capitão Soto.

TIME DE TÉCNICA REFINADA, o Flamengo soube reagir ao antijogo do Cobreloa, que perdeu por 2 x 1 no Maracanã, com os gols de Zico no primeiro tempo, diante de 93.985 pagantes, na noite de 13 de novembro. O Cobreloa venceu o segundo jogo por 1 x 0, no estádio Nacional de Santiago do Chile, na noite de 20 de novembro, obrigando a realização do desempate em campo neutro. O Flamengo conseguiu se livrar da altitude de 2.600 da cidade de Calama.

O FLAMENGO REAGIU ÀS PROVOCAÇÕES do técnico argentino Vicente Contarato, que disse após o segundo jogo: “Somos um time com mais alma, mais coração, temos mais pegada. Os brasileiros não têm espírito de Libertadores”. O sangue quente nordestino de Nunes explodiu: “Se não ganharmos, o Flamengo pode rescindir meu contrato, e pode dizer também no rádio que eu vou pegar o Mario Soto (zagueiro e capitão do Cobreloa)”.

JUNIOR, O MELHOR LATERAL da época, sempre soube manter-se calmo: “O que nós queremos é a taça, na bola e na técnica, mas também estamos preparados para tudo. Vamos dar um chocolate, bem amargo e derretido. A nossa melhor vingança será a volta olímpica”. Os espíritos estavam bem armados, mas o Flamengo tinha um supervisor inteligente e que sabia controlar os ânimos como poucos: Domingo Bosco.

O FLAMENGO ENTROU EM CAMPO com a bandeira do Uruguai, levada pelo capitão Zico e por Leandro, que o técnico Carpegiani colocou no meio-campo, enquanto Nei Dias entrou na lateral-direita. O ponta-esquerda Lico não pôde jogar, atingido nas costas pelo truculento Mario Soto, capitão do time campeão chileno. Adilio o substituiu, mas acabou tendo que sair de maca, depois de uma tesoura voadora do zagueiro Jimenez. 

PAULO CESAR CARPEGIANI, meia notável, aprendeu muito em campo e com os técnicos que teve, entre eles Rubens Minelli, do bicampeonato brasileiro do Internacional 75-76. Com Andrade expulso ao revidar falta grosseira do meia Alarcon, o técnico chamou o atacante Anselmo e foi direto: “Entra e dá um soco na cara do Mario Soto”. Anselmo não pensou duas vezes. Carpegiani resumiu depois: “Sou contra violência, mas não tenho sangue de barata”.

COM SEM-PULO ESPETACULAR, Zico fez 1 x 0 aos 17 minutos, após lançamento primoroso de Andrade, e 2 x 0 aos 34 do segundo tempo, ganhando com justiça o prêmio de melhor do jogo. O árbitro uruguaio Roque Tito Cerullo teve muita firmeza para evitar que o jogo descambasse para uma verdadeira batalha campal. Bom dizer: para evitar ainda mais os conflitos, os bancos de reservas não ficaram à beira do gramado, mas na parte superior das cadeiras.

RAUL, Nei Dias, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Leandro e Zico; Tita, Nunes e Adílio – o time da final da primeira Libertadores que o Flamengo ganhou em 1981. Com Leandro na lateral e Lico na ponta foi o que também o que cobri e vi ganhar o único Mundial de clubes, em 13 de dezembro, no antigo estádio Nacional de Tóquio. O Flamengo de 81 fez 3 x 0 no Liverpool em 28 minutos, resumindo o talento e a qualidade do melhor time da história de 126 anos do clube.

A COBERTURA DE FLAMENGO 2 x 0 COBRELOA, na final da Libertadores de 1981, está entre os trabalhos mais importantes da minha carreira profissional, e coincidiu com uma data muito especial da minha vida, o dia do aniversário de 13 anos do meu filho Fabio Oliva Menezes.

Foto: Tokyvideo