Nos dias que faltam para 2019 terminar com o brilho extraordinário que o Flamengo teve, reconquistando o Brasileirão e a Libertadores com números expressivos, é bom também que se recorde o feito do Sport Club Internacional, que comemora 40 anos do único título invicto da história do Campeonato Brasileiro, ganho em 1979.

94 EQUIPES – Foi o último campeonato organizado pela então CBD – Confederação Brasileira de Desportos -, hoje CBF – Confederação Brasileira de Futebol -, de 16 de setembro a 23 de dezembro de 1979. O formato era diferente e o número de equipes bem maior (94). Foram 583 jogos, com 1.361 gols, média de 2.33 gols por jogo.

16 VITÓRIAS – Na primeira fase, o Internacional empatou 0 x 0 com Atlético Paranaense,  1 x 1 com o América do Rio e 2 x 2 com o Operário, do Mato Grosso. E venceu 2 x 1 o Santa Cruz; 1 x 0 o Figueirense e o Grêmio; 3 x 0 o Sport e o Coritiba, e 5 x 1 o Rio Branco, do Espírito Santo. Marcou 18 gols, sofreu 5.

SEGUNDA FASE – Na sequência, o Inter ganhou de 1 x 0 do Goytacaz, de Campos, e da Internacional de Limeira (SP); Venceu 3 x 1 o São Paulo e 4 x 0 a Desportiva Ferroviária, do Espírito Santo, e empatou 1 x 1 com a Caldense, de Minas, e 0 x 0 com a Anapolina, de Goiás, e o Atlético Paranaense. Marcou 10 gols, sofreu 2.

ABANDONO – Na terceira fase, o Internacional ganhou 1 x 0 do Goiás e 3 x 2 do Cruzeiro. A terceira vitória, pelo placar simbólico de 1 x 0 foi sobre o Atlético Mineiro, que abandonou o campeonato por não aceitar a decisão da CBD quanto ao mando de campo. O Atlético queria que o segundo jogo fosse em Belo Horizonte, e resolveu desistir.

SEMIFINAIS – O Internacional comprovou a força do seu time na fase semifinal, ao vencer (3 x 2, de virada) o São Paulo, no Morumbi. Com atuação esplendorosa, como tantas outras que o levariam a craque do campeonato, o notável apoiador Paulo Roberto Falcão, então aos 26 anos, marcou dois dos três gols da virada. Na volta, em Porto Alegre, 1 x 1.

DUAS FINAIS – Estava longe a época dos pontos corridos (2003) e o campeonato era decidido em jogos de ida e volta. O Inter venceu os dois jogos com o Vasco: 2 x 0, gols do lateral Chico Spina, sob muita chuva e diante de 58.655 pagantes, no Maracanã, em 20/12/79, em jogo bem apitado por Oscar Scolfaro, da Federação Paulista.

PAPAI NOEL – Três dias depois, o Inter deu aos 54.659 torcedores que foram ao estádio Beira Rio o presente de Papai Noel do título invicto: 2 x 1, com os gols de Jair e Falcão. O ponta Wilsinho fez o gol do Vasco quando já estava 2 x 0, aos 39 do segundo tempo. Outro bom árbitro paulista da época, José Faville Neto, teve atuação correta.

OS CAMPEÕES –Benitez (paraguaio), João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Claudio; Batista, Falcão e Jair; Valdo (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio – o time dirigido pelo ex-meia Ênio Andrade, um dos técnicos mais capazes de todos os tempos, que voltaria a ser campeão brasileiro em 85, na final com o Bangu, no Maracanã.

O VASCO, sob o comando de Oto Glória, outro técnico de muita competência, também tinha bom time: Emerson Leão, Orlando, Ivan, Gaúcho e Paulo Cesar; Zé Mário, Paulo Roberto (Xaxá) e Paulinho (Zandonaide); Catinha, Roberto Dinamite e Wilsinho. Bom lembrar: Cesar, do América, foi o artilheiro do campeonato com 13 gols. Cesar foi campeão no Grêmio e no Benfica, e hoje é funcionário da Prefeitura de São João da Barra, município progressista do Norte do estado do Rio de Janeiro, sob a administração da prefeita Carla Machado.

O TIME QUE NUNCA PERDEU – É o título do livro escrito por Paulo Roberto Falcão, lançado em 2009 pela editora AGE. Do único time oito vezes consecutivas campeão gaúcho, de 1969 a 1976, Falcão foi também da equipe maravilhosa que vi ser bicampeã brasileira 75-76, em decisões inesquecíveis com o Cruzeiro e o Corinthians. Entre os notáveis, Manga, Figueroa e Carpegiani.

MARCAS DO CRAQUE – A família de Falcão mudou-se de Abelardo Luz, em Santa Catarina, para Porto Alegre, pouco depois que ele nasceu em 16 de outubro de 1953. Formou-se na base do Inter, tornando-se o oitavo que mais vestiu a camisa colorada, em 391 jogos, de 73 a 80, quando saiu para jogar e tornar-se ídolo na Roma.

CAMPEÃO ITALIANO EM 82-83, e duas vezes vencedor da Coppa Itália – 80-81 e 83-84 -, Falcão recebeu a coroa de Rei de Roma, sobretudo pelas atuações notáveis que teve no Estádio Olímpico da capital italiana. Voltou em 85 para ser campeão paulista pelo São Paulo, que defendeu até 86, sempre recordado por atuações marcantes no Morumbi

LENDA DO FUTEBOL MUNDIAL, eleito pelo Comitê Organizador do décimo sétimo Golden Foot Mônaco Award, Paulo Roberto Falcão foi homenageado em 12/11/2019, pelo príncipe Albert II, que desde 2003 promove a premiação anual. Falcão deixou as impressões plantares em um molde de argila, na Promenade des Champions, avenida mais famosa do principado, junto à praia de Larvotto.

ENTRE OS IMORTAIS DO FUTEBOL, os pés de Falcão estão em área selecionada dos VIPs, bastando citar nomes como os de Pelé, Di Stefano, Eusébio, Beckenbauer, Maradona, Platini e Dino Zoff. O príncipe Albert II ressaltou na homenagem: “Falcão, Zico e Sócrates formaram na Copa de 82 o refino do futebol técnico de uma seleção”.

TENHO A GRANDE HONRA de desfrutar da amizade de Falcão, dos tempos de jogador do Inter. Em 81, em Roma, cobrindo a seleção brasileira, ganhei dele, com abraço e com  autógrafo, a camisa da Roma. Em 82, na quarta das oito Copas consecutivas que cobri, mereci sempre atenção especial dele nas entrevistas. Em 12/9/90, no estádio El Molinon, em Gijón, cobri a estreia dele como técnico da seleção no amistoso Espanha x Brasil. Um dos raros profissionais de fino trato com quem lidei.