A marca de 450 jogos com a camisa do mesmo time é muito expressiva e merece registro especial. É o que estou fazendo, ao antecipar que amanhã, 8 de dezembro, no último jogo do Campeonato Brasileiro de 2019 com o Fluminense, o goleiro Cassio completará seus 450 jogos pelo Corinthians, que defende há sete anos, desde 27 de abril de 2012.

EXEMPLAR – Nunca tive contato com Cassio, mas os muitos colegas paulistas são unânimes em se referir a ele como profissional exemplar. O primeiro a me dizer isso foi Oswaldo Paschoal, dos canais Fox Sports, parceiro de cobertura em Melbourne e Sydney, quando fizemos o torneio do bicentenário da Austrália, que a seleção brasileira ganhou em 1988.

OS TÍTULOS – Geminiano de 6 de junho de 87, gaúcho de Veranópolis, a 170 km de Porto Alegre, Cassio foi campeão estadual no Grêmio em 2006. Saiu para o PSV e em 2007-08 ganhou o campeonato holandês. A seguir, brilhou no Sparta, de Roterdam, segunda maior  cidade da Holanda, depois da capital Amsterdam, e do maior porto marítimo da Europa.

A ESTREIA – Cassio voltou ao Brasil em 2012, e logo na estreia no Corinthians, em 27 de abril, foi o melhor em campo no 0 x 0 com o Emelec. Dois meses depois, Cassio tornou-se o primeiro goleiro do Corinthians campeão da Libertadores, em decisão com o Boca (1 x 1) e 2 x 0 no segundo jogo. Foi dos mais votados na eleição da seleção do torneio.

MUNDIAL –Antes e depois de o peruano Guerrero fazer o gol único do título, aos 24 do segundo tempo, Cassio foi o melhor do jogo com o Chelsea, no Mundial de clubes de 2012. O filme de 10 anos antes, quando o Brasil ganhou (2 x 0) da Alemanha, na final da Copa de 2002, no mesmo estádio, em Yokohama, maior cidade portuária do Japão, passou na cabeça dele: “Não poderia haver melhor coincidência” – relembra Cassio.

TRICAMPEÃO – As alegrias da Libertadores e do Mundial de clubes em 2012, continuaram com o título paulista de 2013; como o goleiro menos vazado do Paulistão de 2015 e com a vitória inesquecível de 8 de março sobre o São Paulo, quando defendeu o pênalti que Rogerio Ceni bateu, e manteve Corinthians 1 x 0. Em 2017-18-19 o tricampeonato paulista, outra lembrança que Cassio guardará para sempre.

FALTAM 152 – Cassio é o segundo goleiro que mais vestiu a camisa do Corinthians, ultrapassando Gylmar, com 395 jogos, entre 1951 e 1961 – titular da seleção bicampeã do mundo em 58 e 62 -, então já no Santos, com 330 jogos, de 62 a 69. Faltam 152 para Cassio igualar os 602 jogos de Ronaldo Giovanelli, hoje aos 52 anos, goleiro do Corinthians de 88 a 98.

ENQUADRADO – Cassio Ramos, aos 32 anos, considera bem difícil, mas não impossível, fazer mais 152 jogos, embora não se preocupe com recordes: “Enquanto me sentir bem e puder ajudar o Corinthians, vou continuandoCassio, 1,96m, está enquadrado no conceito de Ricardo Zamora, maior goleiro espanhol de todos os tempos: “Não é tão alto, que não possa defender as bolas rasteiras, nem tão baixo para evitar gols por cima”.

INESQUECÍVEL – Impossível escrever sobre goleiro sem lembrar Castilho, de tantos excelentes, o melhor que vi, único que pediu ao médico para amputar a metade do dedo mínimo esquerdo para se recuperar mais rápido. O que mais vestiu a camisa tricolor – 698 jogos, de 1947 a 1965 -, formando o trio inesquecível Castilho, Píndaro e Pinheiro.

BUSTO E HONRA – Não vi Castilho ser campeão carioca em 51 nem campeão da Copa Rio, o Mundial de clubes da época, em 52 – porque ainda morava em Manaus –, mas o vi nos títulos de 59 e 64, e em tantos jogos da seleção, convocado em quatro Copas do Mundo. Em 2007, na sede do Fluminense, a convite do presidente Roberto Horcades, tive a honra de apresentar a solenidade da inauguração do busto de Castilho, na mais expressiva homenagem prestada pelo clube. Momento marcante e inesquecível dos meus 50 anos de repórter, que tem no currículo a honra da cobertura de oito Copas do Mundo consecutivas.

Marcelo Endelli/Getty Images