O ariano Roberto Carlos, segundo que mais vestiu a camisa da seleção brasileira – 126 jogos, 23 menos que Cafu (149) -, teve o nome escolhido pelo pai, lavrador em uma fazenda de café, que o levou para iniciar em time de uma fábrica de aguardente, porque em 10 de abril de 1973, quando nasceu, o ídolo da Jovem Guarda já liderava, aos 32 anos, as paradas de sucesso. Roberto Carlos, o cantor, vascaíno e também ariano, fará 79 anos dia 19.

GOL IMPOSSÍVEL – O auge da carreira de 22 anos de Roberto Carlos, em 984 jogos e 128 gols (38 de falta), de 1990 a 2012, foi no Real Madrid, camisa que mais vestiu: 527 jogos, 68 gols, o primeiro, inesquecível: “Foi no jogo com o Tenerife, com chute violento da linha de fundo, a um ângulo de 179 graus”. Marcante por ter sido o da estreia, em 96, que o deixou emocionado no time de galácticos com Raul, Beckham, Figo, Zidane, Casillas e Ronaldo Fenômeno.

13 TÍTULOS – Roberto Carlos foi quatro vezes campeão espanhol, três vezes campeão da Liga dos Campeões e duas vezes campeão mundial de clubes. Nos onze anos no clube com mais títulos espanhóis (33) e europeus (13), ganhou também três Supercopas da Espanha e uma Supercopa da Europa. Em 2006, Roberto Carlos tornou-se o estrangeiro com mais jogos (329) no Campeonato Espanhol, superando o argentino Alfredo Di Stefano, com 328.

A TRISTEZA – Como tudo na vida tem ida e volta, Roberto Carlos não suportou o peso da eliminação do Real Madrid, nas oitavas de final de 2006-07, ao falhar no gol do holandês Roy Makaay, do Bayern de Munique, logo aos 10s12, até hoje o mais rápido da história da Champions. As críticas foram duríssimas e ele, triste e abatido, preferiu não renovar o contrato, em março de 2007, sendo que não havia mais clima para continuar.

GOL DE CABEÇA – Em 19 de junho de 2007, aos 34 anos, Roberto Carlos acertou com o Fenerbahçe e estreou vencendo o arquirrival Besiktas, em um dos grandes clássicos da Turquia. Em 25 de agosto, na vitória sobre o Sivasspor, marcou seu terceiro e último gol de cabeça, em 22 anos e 984 jogos. Ao sair do Fenerbahçe, em 2009, ofereceu-se ao Real Madrid, sem nada ganhar, mas o clube não mostrou interesse.

CAPITÃO RUSSO – Mas logo veio o acerto com o Anzhi, que lhe deu a braçadeira de capitão. Roberto Carlos se sentiu humilhado no terceiro jogo do campeonato russo, quando um torcedor do Zenit lhe mostrou uma banana. Quatro meses depois, em junho, um torcedor do Sovetov atirou uma banana no seu pé, quando ia bater um lateral. Ele mostrou a banana ao árbitro, tirou a braçadeira de capitão e saiu de campo.

TÉCNICO – Roberto Carlos ficou magoado e disse ser impossível aceitar as duas humilhações sofridas, mas foi convencido a continuar jogando e ao mesmo tempo ser o técnico, efetivado em dezembro de 2011 com a demissão do russo Gadzhi Gadzhiev. Em agosto de 2012 deixou de ser jogador e técnico, assumindo como diretor do Anzhi, time da República do Daguestão, a 1.930 km da capital Moscou.

INÍCIO E FIM – Roberto Carlos viveu intensamente os dois primeiros anos no Palmeiras, campeão paulista, brasileiro e do Rio-São Paulo 93, e bicampeão paulista e brasileiro em 94, quebrando jejum de 16 anos sem título. Foram 185 jogos e 20 gols, mas em 1995 o tri paulista escapou na final com o Corinthians, seu último time no Brasil, em 2010, quando marcou seu único gol olímpico, na Portuguesa. Sofreu ameaça de torcedores pela eliminação precoce da Libertadores e fez a rescisão amigável do contrato.

AS MEIAS DE 2006 –  Roberto Carlos fez 126 jogos pela seleção e marcou 12 gols. Vice-campeão em 98, campeão em 2002 e culpado pela eliminação nas quartas de final da Copa de 2006, porque enquanto ajeitava as meias, o atacante Thierry Henry fazia o gol (França 1 x 0). Muito criticado, preferiu desistir da seleção. Bom dizer: nos testes físicos do Real Madrid, antes da Copa de 2006, Roberto Carlos, aos 33 anos, era o mais rápido: 100 metros em 10s9.

GRATIDÃO – Roberto Carlos da Silva Rocha nasceu em Garça, município a 405 km da capital paulista, terra dos cafezais e capital da eletroeletrônica. Começou no União São João de Araras, que defendeu com 13 gols em 33 jogos, de 91 a 93. Em 92, por empréstimo, viajou com o Atlético Mineiro, “que me abriu as portas da Europa”. Em 95-96, depois do Palmeiras, jogou na Inter de Milão – 34 jogos, 7 gols -, saindo então para o Real Madrid.

Fotos: Fernando Alvarado / EFE, Verdão Web, Fox Sports, imortais do futebol, brasilcopasmundo.blogspot.com, gazeta esportiva e torcedores.com