Em doze anos do auge de sua história de maior estádio do mundo, o Maracanã registrou,  entre 7 de julho de 1957 e 19 de novembro de 1969, três dos feitos mais importantes do maior jogador de todos os tempos: 1 – Estreia e primeiro gol pela seleção. – O Gol de Placa. 3 – O Gol 1000, há 50 anos, na noite da quarta-feira, 19 de novembro de 1969.

A ESTREIA – Pelé estreou na seleção brasileira em 7 de julho de 1957, substituindo Del Vecchio, seu companheiro no Santos, em jogo da Copa Roca. Entrou aos 25 minutos do segundo tempo e empatou aos 32, mas Miguel Juarez, aos 37, foi o gol da vitória argentina, já desenhada no primeiro tempo com o gol de Ángel Labruna aos 29. 80 mil no Maracanã.

GOL DE PLACA – Pelé marcou o Gol de Placa aos 40 do primeiro tempo, ao receber a bola na entrada da área do Santos e avançar em linha reta. Na ordem, driblou Waldo, Edmilson, Clóvis, Pinheiro e tocou por baixo do goleiro Castilho. Foi o segundo gol dele e o Santos venceu (3 x 1). Pepe fez 3 x 0 e Jaburu marcou o gol do Fluminense. Sábado, 5 de março de 1961, 39.990 torcedores no Maracanã.

A EXPRESSÃO Gol de Placa foi criada pelo jornalista Joelmir Beting, que ganhou uma placa do craque com os dizeres: “Gratidão eterna do autor do Gol de Placa ao autor da placa do gol”. Bom lembrar: em 1961, Pelé disputou 75 jogos e marcou 111 gols, 47 no Campeonato Paulista, em que bateu o recorde de 11 anos consecutivos como artilheiro!

O GOL 1000 – Cinquenta anos depois, sinto-me privilegiado por estar lembrando a noite inesquecível em que Pelé marcou o gol 1000, na cobrança do pênalti que sofreu do zagueiro Moacir aos 30 minutos do segundo tempo. À esquerda da tribuna de honra e com os 65 mil torcedores, ele bateu no canto esquerdo e Andrada ainda tocou na bola.

INVASÃO – Pelé foi carregado nos ombros do saudoso capitão Carlos Alberto Torres e do goleiro Aguinaldo. Não houve soco no ar. Houve emoção e choro de Pelé, com apelo para que os governantes dessem mais atenção ao futuro das crianças. O árbitro pernambucano Manoel Amaro de Lima não teve como reiniciar logo o jogo.

A BANDEIRA – Vasco e Santos voltaram ao campo, lado a lado, com a Bandeira do Brasil, hasteada por Pelé, enquanto a Banda dos Fuzileiros Navais executava o Hino da Bandeira, em homenagem ao 19 de novembro, Dia da Bandeira. Pelé foi substituído por Jair Bala, bom meia-atacante, que o Santos havia comprado do Flamengo. Não sem antes se emocionar de novo, quando a Banda evoluiu com a frase: Salve Rei Pelé.

O SANTOS ganhou (2 x 1), com os três gols no segundo tempo: Renê (contra), aos 10, Benetti empatou para o Vasco aos 16, e o Gol 1000 foi aos 34 minutos. O time: Aguinaldo, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias (Joel Camargo) e Rildo; Clodoaldo e Lima; Manuel Maria, Edu, Pelé (Jair Bala) e Abel. Técnico – Antoninho.

CELIO DE SOUZA, técnico que anos depois lançou Roberto Dinamite no Vasco, dirigiu o time: Andrada, Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Fernando, Buglê e Benetti; Acelino (Raimundinho), Adilson e Danilo Menezes (Silvinho). Naquela noite de 19 de novembro de 1969, o Maracanã registrou 65.157 pagantes.

DEUS DE TODOS OS ESTÁDIOS – Durante os três dias que antecederam o jogo, nossa equipe foi reunida por Waldir Amaral, que tinha o dom de saber organizar. Ele também sabia o quanto era importante valorizar a transmissão. E logo após o Gol 1000, lançou: Pelé, o mundo a seus pés! Pelé, o Deus de todos os estádios!

HOJE, 50 ANOS DEPOIS, a lembrançada noite histórica de 19 de novembro de 1969 é uma das muitas alegrias do meu tempo de repórter, na época de ouro do rádio, em que repórter entrava em campo e podia trabalhar livremente. A época do jornalismo esportivo vivo, dinâmico, atuante, com muita informação. Trabalho que o ouvinte sabia reconhecer.