Alegra-me registrar o aniversário de 63 anos, hoje, 21 de abril de 2020, de Andrade, recordista de títulos de campeão brasileiro como jogador e técnico. Não é simples resumir o brilho de tantas atuações notáveis que vi e cobri como repórter, como na final de 13 de dezembro de 1981, quando o Flamengo foi campeão do mundo, com o melhor time de sua história de 125 anos, triturando o Liverpool, com 3 x 0 em 28 minutos.

1974. Time sub-17 do Flamengo, em General Severiano, antigo campo do Botafogo. Em pé, da esquerda para a direita: Sérgio, Renato, Armando, Gideoni, Russo e Jorge Luís. Agachados: Ruy, Andrade, Kalu, Mineirinho e Elias.

VIRTUDES – Andrade foi um volante que tanto marcava quanto apoiava com precisão. Seguro no desarme, era raro não ganhar uma dividida, roubando a bola, sempre sem falta. Tinha o refino da técnica e uma visão de campo que impressionava pela precisão nos lançamentos de longa distância. Foi dos poucos de sua época, que vi corajoso em chutes de meia distância, quase todos na direção certa do gol.

570 JOGOS – Andrade é o quinto dos que mais vestiram e honraram a camisa do Flamengo, com 570 jogos, de 1979 a 1990, depois de Junior (876), Zico (732), Adílio (617), Jordan (609). Seis vezes campeão da Taça Guanabara, quatro vezes campeão carioca, campeão da Libertadores e Mundial de clubes, com o time inesquecível: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico (cap); Tita, Nunes e Lico. Técnico – Paulo Cesar Carpegiani.

GOL DOS GOLS – Em 570 jogos, Andrade marcou 28 gols, nenhum mais importante, que o último dos 6 x 0 do Campeonato Carioca de 1981, devolvendo os 6 x 0 que o Botafogo havia imposto ao Flamengo, no Campeonato Brasileiro, no dia em que o Flamengo comemorava 72 anos (15 de novembro de 1972). Faltavam dois minutos e a torcida repetia o coro: “Queremos 6! Queremos 6!” Andrade diz que vai lembrar sempre do que ouvia.

NA ÁUSTRIA – Cobri em julho de 88 o torneio do bicentenário da Austrália e vi Andrade campeão em uma seleção com Taffarel, Jorginho, Ricardo Gomes, Valdo e Romário. Na sequência, no Praterstadion, em Viena, vi Andrade fazer o único gol em seus 13 jogos pela seleção, o segundo dos 2 x 0 no amistoso com a Áustria. Ele driblou quatro desde o meio do campo e chutou de três dedos, rasteiro, da entrada da área, no canto direito. Seu gol mais bonito. No mesmo ano, ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul.

RESPEITO – Toda a carreira de Andrade foi marcada pelo jogo limpo e pelo respeito aos adversários. Ao voltar dos 17 jogos em um ano na Roma, foi contratado pelo Vasco, que defendeu em 47 jogos, ganhando em 89 o quarto título brasileiro. Ganhou dos vascaínos muita admiração, com os torcedores deixando de lado a rivalidade para aplaudir o talento, em vários jogos em São Januário. Andrade voltou ao Flamengo em 90 e fez mais 19 jogos.

O TÉCNICO – De 2001 a 2003 dirigiu o CFZ, do parceiro Zico, em 71 jogos. Foi seis vezes interino em 28 jogos no Flamengo e efetivado de 2009-2010 em 51 jogos. Substituiu Cuca e foi campeão e melhor técnico do Brasileiro de 2009, saindo em abril de 2010, após uma crise interna no Flamengo. De 2010 a 2017, treinou o Brasiliense, Paysandu, Boavista, São João da Barra, Jacobina, da Bahia, e Petrolina, de Pernambuco.

FALTOU UM – Andrade teve aproveitamento de 59,26% e só lhe faltou um jogo para chegar aos 100, com 49 vitórias, 29 empates, 21 derrotas. Guarda bem o que aprendeu com os bons técnicos que o orientaram, citando como referência Claudio Coutinho, Carpegiani, Carlos Alberto Silva e Zagallo. Mineiro de Juiz de Fora, Jorge Luiz Andrade considera o futebol bem simples: “Às vezes, alguns complicam, dentro e fora de campo”.

Foto: Masahide Tomikoshi / Divulgação, Historiador do Futebol, Netvasco e Uol Esportes / Ricardo Borges.