A FOTO HISTÓRICA DO 1º GOL DE PELÉ PELA SELEÇÃO, NO DOMINGO, 7 DE JULHO DE 1957, COM O GOLEIRO AMADEU CARRIZO CAÍDO E O ZAGUEIRO VAIRO SEM NADA PODER FAZER.

7 DE JULHO DE 1957. MARACANÃ, 4 DA TARDE. Domingo de Brasil x Argentina da Copa Roca, diante de 80 mil torcedores, sem que nenhum pudesse imaginar que estava vendo a estreia, aos 16 anos, do garoto que se tornaria rei e o único do futebol a ser Atleta do Século. O Sul-Americano de três meses antes, ganho pela Argentina, com 3 x 0 no Brasil, em Lima, no Peru, fez com que as seleções perdessem alguns de seus valores.

ENTRE AS PERDAS DO BRASIL, Evaristo de Macedo, meia notável do primeiro tricampeonato do Flamengo no Maracanã (53-54-55), foi para o Barcelona, onde se tornou ídolo. A Argentina não teve como evitar a saída de seus três atacantes notáveis: Maschio, Angelillo e Sívori, que foram brilhar no futebol italiano. Foi então que os mais novos, entre eles o ainda imberbe Pelé, tiveram a primeira chance.

Sylvio Pirilo, artilheiro do primeiro tri do Flamengo, 
técnico que lançou Pelé na seleção aos 16 anos.

QUEM PROMOVEU A ESTREIA DE PELÉ conhecia bem a posição: Sylvio Pirilo, com 204 gols, maior artilheiro da década de 1940 do Flamengo, e até os dias atuais de 2022, único a marcar 39 gols em uma edição do Carioca, em 1941. Tricampeão 42-43-44 e campeão em 1948 no Botafogo, o gaúcho Pirilo foi técnico do Fluminense, 1º carioca a ganhar (invicto) o Rio-São Paulo de 1957, e campeão paulista no Palmeiras em 1963.

O BRASIL PERDIA POR 1 x 0, gol do meia Angel Labruna, ainda notável aos 38 anos, e na volta do intervalo, o técnico Sylvio Pirilo substituiu Del Vecchio, também do Santos, por Pelé, que empatou aos 32 minutos, cercado de cinco marcadores. O lendário goleiro Amadeo Carrizo, que sofreu o primeiro gol de Pelé na seleção, resumiu: “Impossível acreditar o que esse pibe fez na nossa defesa”. Pibe é garoto na Argentina.

A ARGENTINA VENCEU por 2 x 1, com o gol de Miguel Juarez, dois minutos depois, e a seleção da estreia de Pelé teve, no 4-2-4 da época, Castilho (Fluminense), Paulinho (Vasco), Belini (Vasco), Jadir (Flamengo) e Oreco (Corinthians); Zito (Urubatão, ambos do Santos) e Luizinho (Corinthians); Maurinho (São Paulo), Mazzola (Palmeiras) depois Moacir (Flamengo), Del Vecchio (Pelé) e Tite, os três, do Santos.

PELÉ DISPUTOU 114 JOGOS PELA SELEÇÃO, com 84 vitórias, 16 empates, 14 derrotas, 95 gols, até 31 de outubro de 1990, na festa de seus 50 anos, no estádio de San Siro, em Milão, com a seleção do mundo. Estreou em Copa do Mundo, em 1958, com Garrincha, no 2 x 0 na União Soviética (hoje Rússia), e é sempre bom lembrar que, com eles em campo, a seleção não perdeu em 40 jogos: 36 vitórias, 4 empates.

O ÚLTIMO JOGO DE PELÉ E GARRINCHA, juntos, foi na estreia da Copa do Mundo de 1966, 3ª feira, 12 de julho, no Goodison Park, em Liverpool: Brasil 2 x 0 Bulgária, Pelé aos 15 do 1º tempo, Garrincha, aos 17 do 2º, aplaudidos por 47 mil torcedores. A seguir, no mesmo estádio, o Brasil foi eliminado por duas derrotas: Pelé não jogou em Hungria 3 x 1, e Garrincha não jogou em Portugal 3 x 1. 

PELÉ FOI O MAIS JOVEM A MARCAR na história das Copas, aos 17 anos 239 dias, no 1 x 0 no País de Gales, na 3ª feira, 19 de junho de 1958, no estádio Nya Ulevi, em Gotemburgo, na Suécia. O último gol de Pelé em Copa do Mundo foi o 1º do 4 x 1 na Itália, no domingo, 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca da Cidade do México. Foi com sua cabeçada em Brasil 1 x 0 Inglaterra que Gordon Banks fez a maior defesa das Copas.

MAIS DE UMA VEZ, tentaram comparar alguns notáveis com Pelé, entre eles o argentino Di Stefano, maior jogador da história do Real Madrid; o húngaro Ferenc Puskas; o holandês Cruyff, e o argentino Maradona. Nunca houve como estabelecer parâmetro, tamanha a diferença. Pelé foi, é e será sempre o melhor do mundo. O que continua em discussão é quem foi o segundo depois de Pelé, eterno e único rei do futebol.

Foto: Reprodução/Arquivo Nacional