Nesta quarta, 23 de dezembro de 2020, Vicente Del Bosque – único técnico espanhol campeão do mundo – completa 70 anos, dez anos depois de ter comandado a primeira seleção da Europa, campeã fora de seu continente, na primeira Copa realizada na África. O domingo, 11 de julho de 2010, no Soccer City, em Joanesburgo, na vitória (1 x 0) sobre a Holanda, é o dia inesquecível da geração de ouro espanhola, liderada por Andrés Iniesta, autor do gol do título, e comandada por Vicente del Bosque.

O LEGADO – Del Bosque faz questão de enfatizar que recebeu um grande legado de Luis Aragonês – 1938 – 2014 -, técnico campeão europeu de seleções de 2008 – 6 jogos, 6 vitórias, 15 gols a favor, 5 contra -, título que a Espanha não ganhava desde 1964: “Aragonês mudou o perfil e deixou uma base sólida na seleção” – resume Del Bosque, melhor técnico da Copa de 2010, ao citar outros premiados: Casillas, melhor goleiro; David Villa, o artilheiro, e Andrés Iniesta, o melhor jogador eleito pela FIFA.

A CAMPANHA – A Espanha chegou à África do Sul muito credenciada por ter vencido todos os jogos das eliminatórias e nem mesmo a derrota na estreia, única que sofreu – 1 x 0 para a Suíça -, mudou o otimismo do grupo: “Foi um jogo atípico. Os suíços se encolheram após o gol e nós não fomos felizes nas finalizações”. Na sequência, a Espanha passou pelo Chile (2 x 1), Honduras (2 x 0) e ganhou (1 x 0) os quatro jogos restantes com Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda.

PRORROGAÇÃO – Pela terceira vez, segunda consecutiva, Espanha e Holanda fizeram final com prorrogação, em jogo tenso de 47 faltas, 12 cartões amarelos e 1 cartão vermelho (Heitinga, zagueiro holandês, no minuto final), que o técnico recorda ter feito o árbitro inglês Howard Web suar muito. Del Bosque analisou assim: “Tinha visto Brasil x Itália (1994) e França x Itália (2006) decidirem nos pênaltis, e não queria passar por sofrimento igual. Felizmente, Iniesta fez o gol e nos deu alívio e alegria”.

A VANTAGEM – Del Bosque considera que a maioria dos jogadores da seleção de 2010 atuar na Espanha – 7 do Barcelona, 5 do Real Madrid – foi uma grande vantagem. Só Cesc Fàbregas, Fernando Torres e Pepe Reina jogavam fora do país (Inglaterra). O técnico faz questão de salientar: “O espanhol é nacionalista e faz muita questão de valorizar o que é seu, suas raízes”. Em todos os estádios do país, pelo Barcelona ou pela seleção, Iniesta era aplaudido de pé pelo gol que deu a Copa à Espanha.

EUROCOPA 2012 – O treinador campeão do mundo em 2010 ressalta a manutenção do trabalho, ao lembrar a conquista da Eurocopa 2012, com a final apoteótica de 4 x 0 na Itália, no Estádio Olímpico de Kiev: “Fizemos dois gols em cada tempo (David Silva e Jordi Alba, e Fernando Torres e Juan Mata), numa seleção com Buffon, Bonucci, Chiellini, Balotelli, De Rossi, Marchisio, Montolivo, jogadores de alto nível” – diz Del Bosque, e eu acrescento: Pirlo, meia notável, hoje técnico da Juventus.

AS DECEPÇÕES – Em 2014, no Brasil, Del Bosque diz ter vivido as últimas decepções e não só com a Espanha, que venceu apenas a Austrália (3 x 0), e foi eliminada na primeira fase com duas derrotas: “A Itália, quatro vezes campeã do mundo, também saiu na primeira fase, e o Brasil, de todos o maior campeão, jamais poderia imaginar os 7 x 1 da Alemanha e os 3 x 0 da Holanda na decisão do terceiro lugar. Penso que foram decepções muito fortes, chocantes. Eu me senti muito abatido” – resumiu.

SEM EXPLICAÇÃO – Del Bosque considera que certos resultados não têm explicação: “Se duas potências se enfrentam, o normal é 1 x 0, 2 x 1 ou o empate. 7 x 1, nunca. Como explicar a quem não viu, que o Brasil, em seu estádio, com todo o público a favor, perdeu de 7 x 1 da Alemanha? Difícil de explicar, mais ainda de entender – diz o técnico, que hoje (23) completa 70 anos, e que dirigiu a seleção da Espanha, entre 2008 e 2016, em 114 jogos, com 87 vitórias, 17 derrotas, 10 empates.

NASCIDO em Madrid, Vicente Del Bosque foi zagueiro do Real Madrid, bicampeão 74-75 e 75-76, tricampeão 77-78, 78-79 e 79-80, em 312 jogos (14 gols). Depois, como técnico do time recordista de títulos espanhóis, bicampeão em 2001-02 e 03, da Liga dos Campeões em 99-2000 e 2001-02, com o total de 233 jogos (127 vitórias, 50 derrotas, 56 empates). Del Bosque resume com emoção: “Eu me sinto privilegiado, como devem se sentir todos os profissionais que trabalharam no Real Madrid”.

Foto: Wikipédia, Real Madrid, Fifa, Terceiro Tempo, NE10 UOL, Latest News,