Arnaldo Cezar Coelho entre os capitães Diego Maradona e Roberto Rojas, o goleiro do jogo da fogueteira no Maracanã, em Argentina x Chile.

PRIMEIRO SUL-AMERICANO a apitar uma final de Copa do Mundo, Arnaldo Cezar Coelho completa 80 anos neste domingo, 15 de janeiro de 2023. Antes do histórico Itália 3 x 1 Alemanha, de 11 de julho de 1982, no estádio do Real Madrid, ele foi meia do Maravilha e apitou muito futebol de praia em Copacabana, onde nasceu.

ITÁLIA 3 x 1 ALEMANHA, com 90 mil no estádio Santiago Bernabeu, e os quatro gols no 2º tempo, foi o jogo histórico, mas Arnaldo diz que “a maior lembrança foi a de ter marcado um pênalti no 1º tempo contra os alemães, que o zagueiro Antonio Cabrini chutou pra fora, mais parecendo estar cobrando um tiro de meta”…

ARNALDO SOUBE 5ª feira que apitaria a final de domingo: “Fiquei ansioso e logo bateu um pouco de nervosismo, mas nada que pudesse tirar a tranquilidade, que aos poucos fui recuperando”. Dez dias antes, no mesmo estádio, ele havia apitado Alemanha 0 x 0 Inglaterra: “Um jogo de campeões em que não usei o cartão”.

PELA ÚNICA VEZ, um árbitro de final de Copa apitou o fim do jogo levantando os braços e erguendo a bola, imagem que correu o mundo. Arnaldo garante que não foi pensado nem jogada de marketing: “Foi a única forma que tive de pegar e levar a bola como o prêmio mais importante da minha carreira”.

ÁRBITRO DE MAIS de 1000 jogos, ele não se lembra de quantos cartões, amarelos e vermelhos, aplicou: “Só posso dizer que foram poucos”. Quando lhe perguntei sobre os que mais perturbavam seu trabalho, Arnaldo tinha a resposta na ponta da língua: “Denilson. Foi o mais chato” – referindo-se ao ex-volante do Fluminense dos anos 60.

ARNALDO FOI O ÁRBITRO de Fluminense 1 x 0 Vasco, do gol do elástico de Rivellino em Alcir, no Carioca de 1976. Quis saber se tinha lembrança do lance: “Eu estava logo atrás do Rivellino, quando ele parou e iniciou o drible. Foi muito rápido e depois ele ainda driblou mais dois, antes do gol. Mas tive pena mesmo do Alcir”.

RECORDISTA DO BRASILEIRO, com 291 atuações, Arnaldo apitou oito decisões, de 1967 a 1983, e quatro finais do Carioca, entre 1974 e 1983. Assinei como testemunha, a convite dele, o primeiro contrato que fez com a Federação Paulista. Fui o primeiro a informar no rádio, que seria o árbitro da final da Copa de 82.

ARNALDO CEZAR COELHO sempre teve muita visão de negócios. Em 1985, criou a Liquidez, que se tornou uma das mais importantes corretoras de valores, vendida em 2009 para o grupo financeiro inglês BGC Partners por meio milhão de reais. É dono, desde 1989, da TV Rio Sul, afiliada do Grupo Globo, em Resende.

O assistente tcheco Vojtech Christov, o capitão alemão Rummenigge, Arnaldo Cezar Coelho, o capitão italiano Dino Zoff e o assistente israelense Abraham Klein, na final da Copa de 1982, em 11 de julho de 1982, no estádio Santiago Bernabeu, em Madrid. Zoff tornou-se o mais velho campeão do mundo aos 40 anos e o segundo goleiro italiano a erguer a taça como capitão, depois de Gianpiero Combi na Copa de 1934.

NO LIVRO “A REGRA É CLARA”, com dedicatória que não sei se mereço, Arnaldo conta que “em outubro de 82 foi convidado pela Federação Italiana, através da CBF, para apitar o primeiro jogo dos campeões do mundo, o amistoso com a Suíça, no estádio Olímpico de Roma”.

OS ITALIANOS QUERIAM que fosse o mesmo árbitro da final de, com direito a escolher os assistentes. Ele convidou o paulista José Assis Aragão e o carioca Walquir Pimentel, com aquela mordomia: primeira classe da Alitália, suíte individual em hotel cinco estrelas e uma limusine branca Mercedes.

DESDE ENTÃO, Arnaldo passou a ser garoto-propaganda da Fifa, que o escalou para vários jogos. Ele conta uma historinha de China x Alemanha, pelo Mundial de Juniores de 1985, em Pequim: “Após o jogo, ia saindo de campo e o público aplaudia. Um dos assistentes me disse: “Agradeça. Os aplausos são para você”.

ARNALDO SE DISSE meio desconfiado, mas ergueu o braço e agradeceu. Os torcedores chineses ficaram felizes e iniciaram o coro: “Brasil, Brasil, Brasil”. Arnaldo recorda: “Foi a primeira vez que saí de campo aplaudido e que soube que um árbitro ganhou palmas dos torcedores. Só um detalhe: a China perdeu o jogo”…

Fotos: Apito Final , Memória Globo, GZH, Conmebol, Terceiro Tempo, Jornal Nosso Bairro, Goal, 90 min, UOL, A Gazeta