O mundo vai celebrar amanhã os 80 anos de Pelé, filho querido de João Ramos Nascimento – 1917 – 1996 – e Celeste Arantes do Nascimento, nascido Edson Arantes do Nascimento, às duas horas da tarde da quarta-feira, 23 de outubro de 1940, em Três Corações, município do Sul do estado de Minas Gerais, a 287 km da capital Belo Horizonte, e criado desde os cinco anos em Bauru, município do Centro-Oeste de São Paulo, a 326 km da capital. O nome Edson (sem i) foi escolhido pelo pai, em homenagem ao americano Thomas Edison – 1847 – 1931 -, inventor da lâmpada elétrica.

DICO, BILÉ, PELÉ – O primeiro apelido era Dico, como os pais o chamavam. Depois, Bilé, goleiro do Vasco, de São Lourenço, que ele dizia querer ser igual quando crescesse. O definitivo, Pelé, quando começou a jogar com as outras crianças, no Canto do Rio e depois no Sete de Setembro, até chegar ao Baquinho, time juvenil do Bauru Atlético Clube. O carioca Antonio Grillo, dois anos mais velho, morador da Antonio Basílio, rua perto da Praça Saens Peña, no coração da Tijuca, recorda: “Joguei com ele quando éramos garotos. Pequeno e franzino, tinha muita habilidade e domínio com a bola. Não gostava de bater falta nem pênalti, mas sabia fazer gol com facilidade”

Valdemar de Brito, o descobridor de Pelé, que dirigiu no Bauru e levou para a fama no Santos

O DESCOBRIDOR – O paulistano Waldemar de Brito – 1913 – 1979 -, primeiro artilheiro do São Paulo no Campeonato Paulista de 1933; atacante do Botafogo, Flamengo e Fluminense, e com 18 gols em 18 jogos pela seleção, que disputou a Copa do Mundo de 1934, era técnico do Bauru, em 1954, antes de Pelé completar 14 anos, e o levou para treinar no time juvenil do Santos, depois de apresentá-lo a Pepe, futuro ponta-esquerda, então aos 19 anos, que estava cortando cabelo, ao lado do estádio da Vila Belmiro. Até hoje, aos 85 anos, Pepe diz brincando: “Fui o maior artilheiro do Santos. O Pelé era de outro planeta”. Bom lembrar: entre 54 e 69, Pepe fez 403 gols, menos 688 do que os 1.091 que Pelé marcou.

RECORDE DE GOLS – Nenhum outro atacante, na história dos campeonatos estaduais do Brasil, conseguiu ser o artilheiro de oito consecutivos, tal como Pelé: entre 1958 e 1965, a soma é de 344 gols, com o recorde absoluto conseguido logo na primeira vez, como mostram os anos e os gols em que foi goleador máximo do Campeonato Paulista: 1958 – 58 gols (recorde). 1959 – 44 gols. 1960 – 33 gols. 1961 – 41 gols. 1962 – 37 gols. 1963 – 22 gols. 1964 – 34 gols. 1965 – 49 gols. Em 1969, em seu nono ano artilheiro do Campeonato Paulista, Pelé marcou 26 gols, quando o Santos ganhou o décimo segundo título.

Pelé, na final da Libertadores de 62-63, em que o Santos venceu o Boca

OUTRAS MARCAS – Pelé foi cinco vezes consecutivas artilheiro do Torneio Rio-São Paulo, entre 1961 e 1965. Artilheiro da Libertadores e do Mundial de clubes de 1963. Recordista de gols em um único jogo, Pelé marcou 8 – 5 no primeiro tempo – na vitória de 11 x 1 sobre o Botafogo, de Ribeirão Preto, dia 21 de novembro, na Vila Belmiro, pelo campeonato de 1964. Em 1959, ano em que o Santos estabeleceu o recorde de 155 gols em 41 jogos, Pelé foi o artilheiro do campeonato com 44, e alcançou o recorde de toda a temporada, com 127 gols.

NÚMEROS OFICIAIS – Pelé disputou pelo Santos, entre 1955 e 1974, o total de 1.116 jogos e marcou 1.091 gols. Pelo New York Cosmos, entre 1975 e 1977, foram 92 jogos e 77 gols. Na seleção brasileira, entre 1957 e 1971, 92 jogos, 77 gols. Em toda a carreira, em jogos oficiais, 1.363, com 1.281 gols marcados. Além de 10 títulos de campeão paulista, entre 1958 e 1973, Pelé foi penta da Copa do Brasil, entre 1961 e 1965, o Brasileiro da época, e foi o primeiro bicampeão da Libertadores e Mundial de clubes, em 1962-1963, e da Recopa Sul-Americana e Mundial em 1968.

Pelé no primeiro time brasileiro duas vezes consecutivas campeão da Libertadores em 62-63, destacando-se entre
os pé, o capitão Zito, segundo à esquerda, o goleiro Gilmar e o zagueiro Mauro, capitão do bi mundial do Brasil 62, e o ataque arrasador, com mais de dois mil gols: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Pelé, com a faixa de campeão paulista de 58, primeiro dos oito anos consecutivos artilheiro do campeonato.
Pelé, Zito e Pepe, símbolos da geração de ouro da história do Santos

AMANHÃ, DIA DOS 80 ANOS DO REI, A ESTREIA NA SELEÇÃO E AS TRÊS COPAS. O RECORDE DE INVENCIBILIDADE COM GARRINCHA. O GOL DE PLACA. O GOL 1000. O ATLETA DO SÉCULO. A CONDECORAÇÃO DA RAINHA. E MUITO MAIS DO DEUS DE TODOS OS ESTÁDIOS, O ETERNO E ÚNICO REI DO FUTEBOL MUNDIAL.

Foto: Santos FC, Aventuras na História – UOL, Santa Portal , Wikipédia, Twitter, Santos / Acervo, Portal Morada, Blog Alberto Helena, Imortais do Futebol,

Texto: Deni Menezes, seleção das fotos Marcelo Santos