Gylmar, único goleiro bicampeão do mundo, titular em todos os jogos das Copas de 1958 e 1962, completaria 90 anos hoje, 22 de agosto de 2020. Canhoto de pé e mão, 1,81m, nunca jogou de luvas, e usou a camisa 3, na primeira Copa, porque a delegação não mandou os números no prazo, e um funcionário da FIFA, sem saber quem era quem, fez a inscrição por conta própria. Pelé, que tornou o 10, símbolo de artilheiro, poderia ter sido 2, mas era o décimo nome da lista enviada sem número.

CONTRAPESO – Gylmar dos Santos Neves, nascido em 22 de agosto de 1930, no litoral paulista de Santos, começou aos 15 anos no Jabaquara, segundo time da cidade, onde logo se destacou, embora tenha ido como contrapeso, em 1951, para o Corinthians, que queria mesmo era o meia Ciciá. Bicampeão em 51-52, Gylmar teve participação especial no título histórico de 1954, ano do IV Centenário de São Paulo, e só saiu do Corinthians, por divergências com os dirigentes, em 1961, depois de 395 jogos.

DUAS CAMISAS – Gylmar era do Corinthians, ao estrear na seleção, em goleada histórica (8 x 1) sobre a Bolívia, em 1 de março de 1953, no Sul-Americano, hoje Copa América, que o Brasil perdeu (3 x 2) para o Paraguai, em Lima, capital do Peru. Campeão do mundo em 58, na Suécia, ainda no Corinthians, foi bi em 62, no Chile, já como destaque do Santos, campeão paulista, da Taça Brasil, Libertadores e Mundial de clubes, quatro títulos em um só ano, ganhos pela melhor seleção e pelo melhor time.

MAIS QUATRO – Comandando a retaguarda, Gylmar ganhou mais quatro títulos em 1963: torneio Rio-São Paulo, Taça Brasil (hoje Copa do Brasil) e o bi, da Libertadores e do Mundial de clubes, que o Santos foi o primeiro time brasileiro a conquistar. E mais três  no ano seguinte (1964): campeão paulista, Taça do Brasil e Rio São Paulo. Nenhuma vantagem, dizia ele, sempre de bem com a vida, lembrando que, “em cada gol dos adversários, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe respondiam com três ou quatro”.

330 JOGOS – Da estreia em 1962 à despedida em 1969, ano em que também fez o último dos 104 jogos pela seleção, Gylmar foi goleiro do Santos em 330 jogos e ganhou 16 títulos: cinco paulistas (62 e bi 64-65, 67-68); quatro Taças do Brasil consecutivas (62 a 65); três torneios Rio-São Paulo (63, 64, 66) e os bi da Libertadores e Mundial de clubes (62-63). Gylmar foi inspiração e ídolo de Lev Yashin, goleiro russo, o primeiro que enfrentou Pelé e Garrincha, quando estrearam na Copa de 1958.

O QUARTETO – Gylmar é um dos notáveis do quarteto de ouro do futebol mundial, a participar de todos os jogos da única seleção sul-americana duas vezes consecutivas campeã do mundo. Com ele, nos seis jogos de 1958 e nos seis jogos de 1962, na época em que a Copa era disputada por 16 seleções, Nilton Santos, Didi e Zagalo. Bom dizer: antes do Brasil, só a Itália havia ganho duas Copas seguidas, em 1934 e 1938, a última antes da Segunda Guerra. A Copa só voltaria a ser disputada em 1950 no Brasil.

UM GOL POR JOGO – Entre 1 de março de 1953 e 12 de junho de 1969, no amistoso, no Maracanã, em que o Brasil venceu (2 x 1) a Inglaterra, campeã do mundo de 1966, Gylmar ganhou 73 jogos, perdeu 16 e empatou 15, sofrendo 104 gols em 104 jogos, a média mais baixa de gols, de todos os goleiros da história da seleção brasileira, desde o primeiro jogo, em 18 de julho de 1914.

PELÉ E GARRINCHA – Gylmar foi também o único a participar da estreia e do último jogo de Pelé e Garrincha, que, juntos, nunca perderam: 36 vitórias, 4 empates, 55 gols (44 de Pelé, 11 de Garrincha). Na estreia, em amistoso com a Bulgária, no estádio do Pacaembu, 3 x 1. No último, em 12 de julho de 1966, no Goodison Park, em Liverpool, Brasil 2 x 0 Bulgária, gols de Pelé e Garrincha. Única vitória na Copa de 66, antes das derrotas, por 3 x 1, para Hungria e Portugal, que eliminaram o Brasil, logo na primeira fase.

Fotos: Santos Futebol Clube, Wikipédia, OneFootball, Sport Club Corinthians Paulista, Futebol nas 4 linhas, Pinrest, Imortais do Futebol, Museu da Pessoa, ND, Jornal do Sudoeste, Esportelândia, Folha UOL, LeiaJá,