Zizinho foi homenageado pela Prefeitura de Belford Roxo, ao completar 80 anos em 14 de setembro de 2001. Na foto, o craque entre o prefeito Valdir Zito e o jornalista Deni Menezes, então secretário municipal de Esporte e Lazer de Duque de Caxias.

Neste sábado, 14 de setembro de 2019, Zizinho completaria 98 anos. Foi o primeiro grande ídolo do Flamengo com a letra Z. Melhor dos brasileiros dos anos 40 e 50, destacou-se entre os notáveis da sua época de grandes craques, tipo Domingos da Guia e Leônidas, tornando-se líder do primeiro tricampeonato do Flamengo, em 1942-43-44.

329 JOGOS, 146 GOLS – Zizinho marcou 146 gols em 329 jogos, como nono artilheiro da história do Flamengo, onde começou campeão carioca em 1939 e encerrou em 1950. No tri de 42-43-44, sob o comando de Flavio Costa, participou de 59 dos 63 jogos e marcou 26 gols. O Flamengo lançou sua melhor linha média de todos os tempos: Biguá, Bria e Jaime.

“CORTA O CABELO E VOLTA” -Foi o pedido que Zizinho ouviu de Flavio, ao se destacar no primeiro treino. Ele gostava de usar cabelo comprido, mas obedeceu o técnico e ganhou a vaga, que era do meia Valdemar de Brito, anos depois descobridor de Pelé. Zizinho foi ao Flamengo, após ser reprovado no América, seu clube de infância, por ser franzino.

ALMA DE AMADORES – O Vasco já era superior ao Flamengo, mas não evitou a derrota (1 x 0) na final de 44, com o gol de cabeça do ponta argentino Agustin Valido. Zizinho me disse, tempos depois: “O Vasco era realmente melhor, mas nosso time era mais raçudo e superou tudo”. O Jornal dos Sports destacou: “Campeões profissionais com alma de amadores”.

VICE E ARTILHEIRO – Zizinho saiu magoado do Flamengo em 1950, comprado por 800 mil cruzeiros – uma fábula, na época -, por Silveirinha, dono da fábrica Bangu: “Fui o último a saber que tinha sido vendido” – resumiu, após o presidente Dario de Melo Pinto fechar o negócio. Vice-campeão em 51 e artilheiro do Carioca em 52, jogou no Bangu até 1957.

UM CARRO PELO TÍTULO – O Bangu só havia sido campeão em 1933, primeiro ano do profissionalismo no Rio. O patrono Guilherme da Silveira Filho – Silveirinha – prometeu um Citroen do ano a cada jogador pelo título de 1951. Zizinho admitiu: “O Fluminense tinha Castilho, Pinheiro, Telê – fez os dois gols da final (2 x 0) – e era melhor que o nosso time”.

CAMPEÃO AOS  36 ANOS – Zizinho foi campeão paulista em 1957 no São Paulo – 67 jogos, 27 gols -, onde ficou só até 58, mas ganhou a amizade de Laudo Natel, presidente do clube, duas vezes governador do estado e idealizador da construção do Morumbi, inaugurado em 1960, que o recebia com honras no Palácio dos Bandeirantes.

UM GÊNIO – Foi assim que o húngaro Bela Gutmann, técnico do São Paulo, definiu  Zizinho“Nunca vi outro com tanta visão nem com precisão nos passes. Um gênio”. Gutmann, campeão no Milan e bicampeão no Benfica,  foi o descobridor de Eusebio, único português artilheiro da Copa do Mundo (1966) e um dos maiores jogadores europeus de todos os tempos.

TROCA DE MAJESTADE -Depois da goleada (5 x 2) do São Paulo no Santos, no Campeonato Paulista de 57, Zizinho foi ao vestiário do Santos cumprimentar Pelé, depois de ouvir do futuro Rei que havia sido seu ídolo e fonte de inspiração. Era a troca de majestade no futebol: saía Zizinho, melhor dos anos 40, 50, e entrava Pelé, melhor dos anos 60, 70 e da eternidade do futebol. Detalhe: Zizinho entrou no vestiário, fumando.

MESTRE ZIZA – Zizinho foi o melhor da Copa de 50, e antes da final no Maracanã, aplaudido por 200 mil torcedores quando teve o nome anunciado na escalação. O jornalista Giordano Fattori, da Gazzetta dello Sport, escreveu: “O futebol de Zizinho faz recordar LeonardoDa Vinci pintando alguma obra rara”. Daí o craque passou a ser chamado de Mestre Ziza.

ZIZINHO E AS FRASES – Na seleção brasileira – 54 jogos, 28 gols, de 1942 a 1957 -, Zizinho formou com Tesourinha, Heleno de Freitas, Jair Rosa Pinto e Ademir Menezes -, no Sul-Americano de 49, um dos maiores ataques da história. Pelé resumiu: “Aprendi muito com o mestre”. Gerson: “Gênio. Muito difícil dizer mais”. Nelson Rodrigues: “Não há bola no mundo que seja indiferente a Zizinho”

Fotos: acervo Deni Menezes / Imortaisdofutebol.com / Ig Esportes