A liberação de convidados para a final da Copa América expôs os problemas de sempre sobre organização e educação, que não fazem parte da cultura do futebol sul-americano. Não era mesmo de se esperar que fossem cumpridas as promessas de respeito ao protocolo, tipo uso de máscara, menos ainda de ordem nas filas e tentativa de derrubar as grades de segurança para forçar a entrada, exemplos sempre renovados da bagunça. Nem mesmo a falsificação dos testes de exames pode ser recebida com surpresa, alinhada com a corrupção, presente em todo o continente.

Conivente com a Confederação Sul-Americana de Futebol, que precisava atender os patrocinadores de seus eventos, envolvendo alguns milhões de dólares, e descumpriu acordo com a CBF, e com o próprio governo federal, que só autorizou a Copa América sem público, a prefeitura do Rio liberou os convidados para a decisão, assim como não deve estar longe de autorizar também a volta do público no Campeonato Brasileiro. Na véspera da final, o próprio prefeito se disse surpreso, afirmando não saber da liberação de parte da capacidade do estádio.

Se ultrapassou a Confederação Brasileira de Futebol e o próprio governo federal, descumprindo acordos, o presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol não há de ter encontrado dificuldade para ultrapassar também a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que parece pouco preocupada com a reincidência da pandemia. Como alertam os especialistas em todo o mundo, a redução só leva à extinção completa do problema, se as regras sanitárias forem cumpridas na íntegra, enquanto a quebra do protocolo implica na volta ainda mais grave. O que só deve interessar aos que continuam a desviar o dinheiro público, até nos momentos de dor e sofrimento da população.

Foto: Extra online