Um dia depois do 1 x 1 com o Bragantino, penúltimo colocado, em jogo que o Flamengo perdeu a melhor chance para assumir a liderança do campeonato, após 16 rodadas, Zico – maior ídolo e artilheiro da história do clube – usou seu canal no YouTube para criticar o técnico espanhol Domènec Torrent: “Ele assumiu há um mês e ainda não conhece os jogadores? É muito tempo e ele já deveria saber quem é quem, sem essa de ficar mudando a cada jogo. Quem gosta de rodízio é churrascaria”.

ZICO ESTENDEU a crítica ao grupo: “Os jogadores também têm que ajudar o técnico, não podem apenas cumprir o que ele manda fazer. No futebol de hoje, tudo ficou mais simples e mais fácil” – ressaltou o artilheiro de 595 gols em 860 jogos de uma carreira de 23 anos, entre 1971 e 1994, quando honrou as camisas do Flamengo, Udinese e Kashima Antlers, que o homenageou com uma estátuta em tamanho natural à frente do estádio.

POUCOS PODEM falar sobre o futebol do Flamengo com tanta propriedade. Zico foi o principal jogador e artilheiro da mais vitoriosa geração do futebol do clube, com 334 gols em 435 jogos com o manto sagrado rubro-negro, líder e capitão do único time da história de 122 anos do Flamengo, campeão da Libertadores e do Mundial de clubes no mesmo ano. Do time que na final de 13 de dezembro de 1981 ganhou o título mundial em 28 minutos, já saindo para o intervalo com 3 x 0 no Liverpool.

O CORAÇÃO FALA – Do alto da sua consagração de um dos três maiores jogadores brasileiros do Século XX, ao lado de Garrincha e Pelé, o maior ídolo e artilheiro do Flamengo fala, com a razão e o coração, e não se sente confortável quando vê apresentações ruins, como a do 1 x 1 com o Bragantino. Inteligente, criativo, habilidoso, ganhou três vezes, com todos os méritos, o prêmio de melhor da América do Sul e o de maior batedor de falta do Brasil, com 135 gols marcados nos Campeonatos Brasileiros que o Flamengo, sob sua liderança, ganhou em 80, 82 e 83. Com esse retrospecto, Zico está coberto de razão em suas críticas.

Foto: Bola Vip