Como nem poderia ser diferente, a derrota que tirou a Argentina da final da Copa América 2019, causou reflexos gerais no futebol do país, e de modo especial na mídia, principalmente depois do que disseram o atacante Aguero (31), o lateral Tagliafico (26) e o meia Paredes (25) – todos em clubes europeus -, após os 2 x 0 no Mineirão. Mas, houve um, entre todos os jogadores, incluído Paredes, que teve crise de choro assim que o jogo acabou, que saiu do estádio aliviado: Messi, o capitão.

DOIS FATORES – Como se estivessem participando de uma jogada ensaiada, Aguero (Manchester City), Tagliafico (Ajax) e Paredes (PSG), adotaram o mesmo teor em suas respostas, juntando duas teorias comumente aceitas: má sorte e má arbitragem. Messi, após a rotina do fair play de cumprimentar os adversários após o jogo, foi o último a sair para o vestiário. Deteve-se bom tempo no grande círculo, conversando com o árbitro e seus assistentes. O rosto de Messi parecia não refletir a dureza de outras eliminações.

UMA SÓ VEZ – Com a fala mansa e o tom sempre pausado, o capitão da seleção argentina lamentou que o árbitro não tenha, sequer uma só vez, olhado a tela do árbitro de video. Na opinião dele, se o tivesse feito, poderia ter marcado dois pênaltis. Aguero, Tagliafico e Paredes seguiram o pensamento de Messi e foram além: a grande influência do Brasil, organizador da Copa, exerceu pressão sobre o árbitro. Os quatro chegaram a admitir, estranhamente, motivos suspeitos.

LIMITAÇÕES – É fora de dúvida que Messi conhecia bem as muitas limitações da sua seleção, antes de chegar ao Brasil para a Copa América. Mas, não hesitou em assumir a responsabilidade, ainda mais pela honra de ser o capitão. Lutou com os companheiros do início ao fim. A Argentina não conseguiu fazer uma só apresentação condizente com o histórico de seu futebol, a partir da derrota na estreia da fase de grupos para a Colômbia. Messi saiu eliminado do Mineirão, na derrota mais doce de sua carreira

OUTRO EXEMPLO – Messi entra para a história como outro exemplo de jogador notável, que ganhou tudo no clube e nada na seleção. Assim foi com tantos outros, lembrados pelo talento e pelos gols, mas que nunca conseguiram ganhar uma Copa do Mundo. É a cobrança mais dura dos torcedores, principalmente dos que exigem o máximo de seus ídolos. Ao sair do estádio, após a entrevista com os jornalistas, Messi fez o último apelo: “Não matem a nova geração de jogadores argentinos. A vida é feita de fases e eles podem muito bem se recuperar”.

PARA SEMPRE – Lionel Messi completou 32 anos dia 24 de junho, é símbolo da geração de ouro mais recente do futebol argentino, vive na Europa desde os 13 anos. Titular do FC Barcelona a partir de 2004, conquistou 34 títulos, seis prêmios de artilheiro com a Chuteira de Ouro; cinco de melhor do mundo com A Bola de Ouro; marcou 603 gols em 687 jogos, e com a seleção (olímpica), apenas a medalha de ouro dos Jogos de 2008, em Pequim. Na seleção principal, 135 jogos, 68 gols, e o que ficará faltando, para sempre, em seu brilhante currículo: a Copa do Mundo. Dessa cobrança, não escapará nunca. Como tantos outros notáveis.

Foto: BNews