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SEXTO ENTRE OS 10, resume bem a lamentável queda do futebol brasileiro, não à toa, cinco Copas sem Copa, com campanhas medÍocres de seleções que perderam a identidade, após tantos anos como referência mundial. Quatro jogos sem vitória, dois sem fazer gol; três derrotas consecutivas, com três gols de cabeça, o Brasil da primeira derrota em casa, em 65 jogos nas eliminatórias, vaiado e chamado de time sem vergonha, após perder para a Argentina por 1 x 0.

A NOITE DE ONTEM (21), no Maracanã, ficará na história do futebol das seleções sul-americanas, que somam oito títulos mundiais, como uma das mais tristes. A falta de educação dos torcedores, que vaiaram o Hino Nacional argentino, causou o atraso do início em uma hora, provocando a briga generalizada, que quase impediu a realização do jogo. Os torcedores argentinos sofreram agressão covarde de policiais militares truculentos e despreparados.

A ORGANIZAÇÃO DOS JOGOS é de competência do país-sede, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não soube organizar o Brasil x Argentina da noite de ontem (21). Quem tomou a iniciativa de entrar em campo, conversar com os árbitros e acalmar a situação, foi Claudio Tápia, ex-atacante de 56 anos, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), que em seguida determinou que sua seleção voltasse ao gramado para o início do jogo. A Polícia Militar culpou a CBF pela confusão.

O COMEÇO DO BRASIL foi tenso, com o primeiro cartão amarelo logo aos quatro minutos, quando Gabriel Jesus bateu com a palma da mão esquerda na cara de Rodrigo De Paul, que precisou trocar de camisa, após sangramento, e aos 14 minutos, voltou a ser atingido com a mão esquerda de Raphinha. O técnico Fernando Diniz foi advertido verbalmente aos 17, após reclamação, e aos 19 minutos, o Brasil já havia cometido 10 das 13 faltas. O 4º cartão amarelo foi para o lateral Carlos Augusto, aos 33, após falta dura no meia Mac Allister.

O JOGO MELHOROU na volta do intervalo, e foi decidido aos 19 minutos, com o gol de cabeça do zagueiro Otamendi, de 35 anos, 1,83m, há 13 anos na Europa, campeão no Porto, Manchester City e Benfica, que defende desde 2020. Ele teve boa impulsão, após o sétimo escanteio, terceiro da Argentina, batido da esquerda pelo meia Lo Celso, e cabeceou no ângulo direito, sem chance alguma de defesa para o goleiro gaúcho Alisson, do Liverpool. Campeão da Copa América 2021 e da Copa do Mundo de 2022, Otamendi marcou o sexto gol em 108 jogos pela seleção desde 2009.

O BRASIL VOLTOU do intervalo com o estreante Nino, em sua sexta convocação, no lugar de Marquinhos, que sentiu a coxa esquerda, em seu 84º jogo. O zagueiro Gabriel Magalhães não gostou de ter sido substituído pelo meia Joelinton, que entrou aos 27 e saiu aos 37, expulso por falta dura em De Paul, e André recuou para a zaga. Saíram Raphinha, Bruno Guimarães e Martinelli, entrando Endrick, Douglas Luis e Raphael Veiga, que nada acrescentaram.

A SELEÇÃO BRASILEIRA, pela primeira vez derrotada no Brasil em jogo das eliminatórias: Alisson, Emerson Royal, Marquinhos (Nino), Gabriel Magalhães (Joelinton) e Carlos Augusto; André, Bruno Guimarães (Douglas Luis) e Rodrygo; Raphinha (Endrick), Gabriel Jesus e Martinelli (Raphael Veiga). Os seis jogos do técnico Fernando Diniz: 5 x 1 na Bolívia; 1 x 0 no Peru; 1 x 1 Venezuela; 0 x 2 Uruguai; 1 x 2 Colômbia, 0 x 1 Argentina. 6º, 7 pontos, saldo de 1 gol (8 a 7).

A SELEÇÃO ARGENTINA, primeira a vencer o Brasil nas eliminatórias, no Brasil: Emiliano Martinez, Molina, Cristian Romero, Otamendi e Acuña (Tagliafico); Rodrigo De Paul, Enzo Fernandez (Paredes), Mac Allister e Lo Celso (Nico Gonzalez); Julian Avarez (Lautaro Martinez) e Messi, que passou a braçadeira de capitão ao ser substituído por Di Maria. O técnico Lionel Scaloni, ex-lateral-direito de 45 anos, surpreendeu na entrevista coletiva do pós-jogo, ao dizer que pode entregar o cargo: “O sarrafo está muito alto. A seleção vive sob pressão de ter que vencer sempre”.

APÓS SEIS RODADAS, a Argentina lidera as eliminatórias com 15 pontos, 5 vitórias, 1 derrota, saldo de 6 gols (8 a 2). O vice-líder Uruguai, com 13 pontos, venceu a Bolívia por 3 x 0, com dois gols de Darwin Nuñez, artilheiro das eliminatórias com 5 gols, e tem o ataque mais positivo, 13 gols em 6 jogos. A Colômbia venceu o Paraguai (1 x 0, gol de pênalti de Rafael Borré) e manteve o 3º lugar, única seleção invicta, com 12 pontos (3 vitórias, 3 empates).

A VENEZUELA empatou com o Peru (1 x 1), no último jogo da noite de ontem (21) e manteve o 4º lugar com 9 pontos. O Equador, 5º com 8 pontos, venceu o Chile (1 x 0, gol de Ángel Mena). O Brasil é 6º com 7 pontos, seguido do Paraguai, 7º com 5 pontos, igual ao Chile, mas com menos saldo devedor de gols. A Bolívia está em 9º com 3 pontos, e o Peru, único sem vitória, segue em último com 2 pontos e só um gol marcado em seis jogos.

Fotos: Santiago Filipuzzi / Enviado Especial – LA NACIÓN, Ricardo Moraes/ Reuters, Daniel Ramalho / AFP