Hoje, 3 de junho de 2020, faz 50 anos que o Brasil ganhou de virada (4 x 1) da Tchecoslováquia, na arrancada para ganhar a terceira Copa do Mundo, e ficar em definitivo com a taça Jules Rimet, de ouro maciço, erguida pelo lateral Carlos Alberto Torres, aos 26 anos o mais jovem capitão campeão do mundo, e roubada da sede da então CBD, no Centro do Rio, na noite de 19 de dezembro de 1983. A seleção repetiria a goleada na final de 21 de junho com a Itália, no Estádio Azteca, da Cidade do México.

OITO ANOS DEPOIS – Brasil e Tchecoslováquia voltaram a se enfrentar oito anos depois de terem decidido a Copa de 62, em que o Brasil foi bicampeão, na tarde de 17 de julho, no Estádio Nacional de Santiago do Chile. Também de virada: o notável volante Masopust fez 1 x 0 aos 15, e Amarildo empatou aos 17. Zito e Vavá marcaram os gols do segundo tempo. A goleada de 4 x 1 da estreia de 70 foi a segunda da seleção em Copa, repetindo os 4 x 0 no México, em 24/6/50, no Maracanã.

SINAL DA CRUZ – No estádio Jalisco, em Guadalajara, em 3/6/70, um susto aos 11 minutos. O habilidoso atacante Ladislav Petras, de 23 anos, ajoelhou-se e fez o sinal da cruz, protesto contra o governo, comunista e ateu, de seu país, a Tchecoslováquia, hoje República Tcheca, ao marcar o gol. A imagem correu o mundo. O Brasil empatou aos 24, com Rivelino vencendo a barreira de sete, na cobrança de falta de Migas em Pelé.  Jairzinho estava na barreira e saiu antes da cobrança.

TRÊS EM 23 – No segundo tempo, a seleção fez a virada com três gols em 23 minutos. Aos 15, Pelé matou no peito um lançamento de Gerson, e finalizou antes que a bola tocasse o gramado. Outro lançamento de Gerson, e Jairzinho encobriu o goleiro Ivo Viktor, aos 18, fazendo 3 x 1. No único jogo da Copa de 70 em que marcou dois gols, Jairzinho, que fez gol em todos os jogos, fechou a goleada aos 38, com três dribles desconcertantes: dois em Alexander Hagara e o terceiro em Pavel Harvath, também zagueiro.

289 ANOS – Era a soma dos 11 que iniciaram a Copa de 70: Félix (Fluminense, 32, o mais velho), Carlos Alberto (Santos, 25), Brito (Flamengo, 30), Piazza (Cruzeiro, 27) e Everaldo (Grêmio, 25); Clodoaldo (Santos, 20), Gerson (São Paulo, 29) e Rivelino (Corinthians, 24); Jairzinho (Botafogo, 25), Tostão (Cruzeiro, 23) e Pelé (Santos, 29). Os mais novos: Clodoaldo e Paulo Cesar, 20 anos, que substituiu Gerson, com distensão muscular, aos 25 do segundo tempo. A média de idade da seleção: 26 anos.

CASO RARO – Brasil e Tchecoslováquia são as seleções que se enfrentaram duas vezes em duas Copas do Mundo. Em 1938, em Bordeaux (França), 1 x 1 em 12 de junho e Brasil 2 x 1, no desempate, dois dias depois. Em 1962, no Chile, 0 x 0, em 2 de junho, em Viña del Mar, e Brasil 3 x 1, em 17 de junho, na final em Santiago. O jogo de 3 de junho de 70, que hoje completa 50 anos, foi o quinto entre as duas seleções em Mundiais.

O GOL QUE PELÉ NÃO FEZ – Poucos talvez liguem coisa à outra, mas o que ficou na história como o gol que Pelé não fez, nos 4 x 1 de 3 de junho de 70, foi uma tentavia do Rei de responder a João Saldanha. O ex-técnico da seleção havia dito, ao sair do cargo, antes da Copa, que “Pelé tinha problema de miopia e enxergava pouco”. Pelé chutou do próprio campo, aos 41, e a bola passou raspando o travessão do goleiro Ivo Viktor, que tentava voltar em desespero. O estádio Jalisco aplaudiu como se fosse gol.

TRÊS CARTÕES – Na primeira Copa do Mundo com cartões, Tostão e Gerson foram os advertidos com cartão amarelo pelo árbitro uruguaio Ramon Ruiz Barreto, que advertiu também o zagueiro Pavel Harvath. Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia registrou 52.513 torcedores no estádio Jalisco, onde a seleção ganharia mais quatro jogos, antes de golear (4 x 1) a Itália na final de 21 de junho no Estádio Azteca, da Cidade do México.

A PERGUNTA – Meia do Spartak Travna e da seleção, o técnico Jozef Marko – 1923 – 1996 – tinha 43 anos na Copa de 70. Foi muito criticado pelos 4 x 1 que sofreu do Brasil. Na final, quando o Brasil deu outro show de bola e repetiu o placar sobre a Itália, ele perguntou aos jornalistas: “Viram agora por que perdemos do Brasil? O Brasil não tem adversário. Ganha de todos”. Os tchecos foram eliminados na fase de grupos, perdendo também da Romênia (2 x 1) e da Inglaterra (1 x 0).

MENOS TOSTÃO – Todos os atacantes da seleção brasileira na Copa de 70 eram camisa 10 em seus times: Jairzinho, no Botafogo. Gerson, no São Paulo. Pelé, no Santos. Rivelino, no Corinthians. Tostão era o único que jogava com a 8 no Cruzeiro. O camisa 10 era Dirceu Lopes.  Próxima matéria da Copa 70, domingo (7), Brasil 1 x 0 Inglaterra. O jogo da defesa do século.

Fotos: Goal / Getty Image, Youtube, El Universal, Alchetron e arquivo AP