A Atalanta, da cidade de Bergamo, time que menos investiu entre os dezesseis das oitavas de final da Liga dos Campeões, goleou (4 x 1) o Valencia, quarta força do futebol espanhol, na noite desta quarta (19), no estádio de San Siro, em Milão, e praticamente garantiu vaga nas quartas de final. Foi mais uma vitória expressiva da equipe que confia na renovação da base e no jogo ofensivo, daí ter o ataque mais positivo do Campeonato Italiano.

ATALANTA F.C., de 112 anos, foi criado por estudantes suíços, que sugeriram ao fundador Paolo Sarpi, professor de educação física, o nome da atleta grega Atalanta. Velocíssima em todas as provas, ela decidiu que só se casaria com o homem que a vencesse em uma corrida. Tinha 36 anos quando perdeu a primeira, e então casou-se. O Atalanta foi fundado em 17/10/1907, em Bergamo, região da Lombardia, hoje com 120 mil habitantes, a 479 km da capital Roma.

SEM GOL ITALIANO – Nos 4 x 1 sobre o Valencia, nenhum gol do Atalanta foi de italiano. O lateral-direito Hans Hateboer, holandês de 26 anos, no clube desde 2017, abriu e fechou a goleada. O atacante Josip Ilicic, esloveno de 32 anos, marcou o segundo, e o terceiro foi do meia Remo Freuler, suíço de 27 anos, no clube desde 2016. O gol do Valencia foi do ponta Denis Cheryshev, russo de 29 anos, aos 20 do segundo tempo, quando já estava 4 x 0.

DISPARADA – Ataque mais positivo do Campeonato Italiano, com 63 gols em 24 jogos – média de 2.62 gols por jogo -, Lazio (55), Inter (49) e Juventus (46), o Atalanta passou a ter o segundo ataque mais positivo dos cinco principais campeonatos da Europa, com 67 gols, só menos um gol que o PSG (68). Com os 4 x 1 no Valencia, o Atalanta superou o Manchester City, com 65 gols, ataque mais positivo desde o início do atual campeonato da Inglaterra.

SEM MEDO – Gian Piero Gasperini, de 62 anos, técnico do Atalanta, foi meio-campo modesto e só ganhou um título, o da Série B de 1986-87 com o Pescara. Iniciou como treinador na base da Juventus, e em 2006, com trabalho de cinco anos, levou o Genoa de volta à Série A. Garante que sua filosofia de jogo é simples: “Confiança e objetividade, não importa o nome do adversário. Só ganha quem faz gol. Time que oriento e dirijo, não tem medo de atacar”.

BRASILEIRO – Nos 4 x 1 sobre o Valencia, o técnico do Atalanta utilizou três zagueiros, um deles Rafael Tolói, de 29 anos, 1,85m, mato-grossense de Glória d’Oeste, a 300 km da capital Cuiabá. Tolói foi do Goiás e do São Paulo, que o vendeu por R$14 milhões ao Atalanta, em 2015. Tolói atuou centralizado, com o argentino José Luis Palomino, de 30 anos, 1,90m, pela direita, e o italiano Mattia Caldara, de 25 anos, 1,90m

AUSENTES – Entre os oito desfalques do Valencia, o zagueiro Gabriel Paulistae o atacante carioca Rodrigo Moreno. O técnico catalão Albert Celades, de 45 anos, ex-meia campeão no Barcelona e no Real Madrid, não pôde contar com mais seis titulares, todos em recuperação de contusão. A preocupação dele agora é reanimar o time para o jogo de sábado (22) com a Real Sociedad, em San Sebastián. O Valencia é sétimo com 38 pontos.

SAN SIRO – Com seu estádio Gewiss, de 26 mil lugares, em obras, o Atalanta escolheu San Siro, na cidade industrial de Milão, distante 60 km de Bergamo, facilitando a ida dos torcedores. O jogo, amplamente dominado pelos italianos, foi de bom nível disciplinar. O árbitro inglês Michael Oliver, de 34 anos, só advertiu com cartão amarelo, aos 35 do segundo tempo, o lateral Hateboer, que segurou pela camisa o atacante Cheryshev.

Foto: Facebook Oficial do Atalanta