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O BOTAFOGO FOI INJUSTO ao demitir Lúcio Flávio, um dia antes da apresentação do feriado de hoje (15) de Tiago Nunes, seu sucessor e quinto técnico do clube na temporada de 2023. O dono do futebol do Botafogo pode ter muito dinheiro, mas sabe pouco de futebol, e foi cruel com o profissional menos culpado pelo declínio da equipe, que está deixando escapar um título tido como certo, após 31 rodadas na liderança. Como diz Muricy Ramalho, “a bola pune”.

APÓS A SAÍDA de Bruno Lage – 4 vitórias, 4 derrotas, 7 empates -, Lucio Flavio assumiu a pedido dos jogadores, aceito pelo dono do futebol do clube, e dirigiu o time em 2 vitórias, 4 derrotas, 1 empate. Antes, com o pedido de demissão de Luis Castro – 10 vitórias, 2 derrotas -, Lucio Flavio fez parte da transição, como assistente de Claudio Caçapa, que só ficou três jogos, e foi para o Molenbeek, da Bélgica, também de propriedade de John Textor, com a chegada de Bruno Lage.

POUCOS SE LEMBRAM, mas Luis Castro, técnico de melhor aproveitamento no Botafogo – 38 jogos, 25 vitórias -, saiu pressionado pelos próprios torcedores, que o vaiavam até mesmo nas vitórias. Ele não pensou duas vezes para aceitar em julho a proposta do Al-Nassr, onde ganhou a Copa da Arábia Saudita em menos de um mês, e se tornou o técnico com mais vitórias (46) no futebol mundial, superando Pep Guardiola (40), do todo-poderoso City, campeão da Europa.

O HOMEM QUE MANDA no futebol de hoje do Botafogo não sabe que o ex-meia curitibano Lucio Flavio foi contratado para ser o cérebro da equipe duas vezes campeã carioca, em 2006 e 2010, e que vestiu e honrou a camisa da estrela solitária em 180 jogos, com 64 gols. Demitir Lucio Flavio, que fazia parte da comissão técnica permanente, foi uma dessas injustiças grosseiras do Botafogo, que o tratou como descartável.

JOHN TEXTOR, dono do futebol do Botafogo, está suspenso preventivamente, até 3 de dezembro, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, proibido de ir ao Centro de Treinamento do clube, e de participar da apresentação de hoje (15) do técnico Tiago Nunes aos jogadores, por decisão do presidente José Perdiz, do STJD. Textor foi indiciado e será julgado por invasão de campo e ofensa à honra do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A previsão é de punição pesada.

23 TÉCNICOS DEMITIDOS EM 34 RODADAS

ALÉM DE LUCIO FLAVIO, do Botafogo, o carioca Zé Ricardo, do Cruzeiro, e o português Armando Evangelista, do Goiás, foram os técnicos demitidos mais recentes, elevando para 23 em 34 rodadas as demissões de treinadores da Série A do Campeonato Brasileiro de 2023. Os clubes que mais demitiram: Botafogo (5), Corinthians (5), Santos (4), Flamengo, Vasco, Cruzeiro, Cuiabá, Coritiba e America Mineiro (3). Só Palmeiras, Fluminense, Grêmio, Bragantino e Fortaleza mantiveram.

PAULO AUTUORI saiu de diretor para técnico do Cruzeiro, 17º, 37 pontos, precisando de duas vitórias e dois empates nos seis jogos restantes, para se manter na Série A. Jogos restantes, em casa, Vasco, Athletico Paranaense e Palmeiras; fora, Fortaleza, Goiás e Botafogo. Carioca de 67 anos, Autuori foi campeão mineiro e da Libertadores de 1997; da Libertadores e do Mundial de clubes de 2005 no São Paulo, e campeão brasileiro de 1995 no Botafogo.

MARIO HENRIQUE, do Sub-20, será o técnico do Goiás, 18º, 35 pontos, precisando vencer em casa o Cruzeiro e o America Mineiro, e fora, o Grêmio e o Fortaleza, para evitar o rebaixamento. O técnico português Armando Evangelista resumiu a demissão, após 6 vitórias, 11 derrotas, 9 empates: “O presidente (Paulo Rogerio Pinheiro) quis escalar o meia-atacante Alesson, e eu disse a ele que não aceito interferência no meu trabalho”.

Foto: R7 Esporte