Cinco vitórias dos que tiveram o mando de campo, quatro vitórias dos visitantes e três empates, nos 12 jogos de ontem (24), na abertura das eliminatórias europeias, em que 55 seleções começaram a disputar 13 vagas para a Copa do Mundo de 2022. Pela primeira vez, desde 1930, a Copa será disputada entre 21 de novembro e 18 de dezembro, devido ao calor intenso de junho e julho no Catar, primeiro país do Oriente Médio a sediar o maior torneio de seleções do mundo.

CAMPEÃ DO MUNDO em 2018, a França era favorita no jogo com a Ucrânia, mas ficou no 1 x 1, no Stade de France, nos arredores de Paris, onde ganhou sua primeira Copa em 98. O melhor do jogo da noite de ontem (24) foi o belíssimo gol de Griezmann, meia-atacante do Barcelona, aos 18 minutos. De meia distância, ele chutou fora do alcance de Buschchan, goleiro de 26 anos, 1,96m, do Dínamo de Kiev, líder do campeonato ucraniano. Foi o gol 34 em 87 jogos de Griezmann pela seleção.

GOL CONTRA – A seleção da Ucrânia, treinada pelo ex-atacante Andriy Shevchenko, de 44 anos, melhor jogador ucraniano de todos os tempos, voltou bem melhor do intervalo e conseguiu o empate logo aos 12 minutos, com o gol do meia Sydorchuk, de 29 anos, também do Dinamo de Kiev, atual tetracampeão e maior vencedor com 15 títulos. O árbitro considerou o desvio de Kimpembe, que tirou a chance de defesa do goleiro Hugo Lloris, e registrou gol contra, então o primeiro da carreira do zagueiro.

DESDE QUE a França ganhou sua primeira Copa, em 98, com 3 x 0 sobre o Brasil na final, a maldição acompanha os campeões do mundo na Copa seguinte, com exceção do Brasil, campeão em 2002, que a própria França eliminou nas quartas de final de 2006. Todos os demais campeões foram eliminados na primeira fase da Copa seguinte: a França, campeã em 98, em 2002; a Itália, campeã em 2006, em 2010; a Espanha, campeã em 2010, em 2014, e a Alemanha, campeã em 2014, em 2018.

VIRADA DA BÉLGICA – No estádio Rei Balduíno, da capital Bruxelas, a Bélgica sofreu o gol do ala Harry Wilson, do País de Gales, aos 10 minutos, mas empatou com o meia Kevin de Bruyne, de fora da área, aos 21, gol semelhante ao que fez em 2018 no Brasil, e virou com o gol de cabeça de Eden Hazard aos 27. Na volta do intervalo, Lukaku, de pênalti, fez 3 x 1. Bom lembrar: a Bélgica ficou em terceiro na Copa de 2018, ao vencer a Inglaterra, depois de eliminar o Brasil nas quartas de final.

HAT-TRICK TURCO – Com três gols do veterano Burak Yilmaz, atacante de 35 anos do Lille, vice-líder do campeonato francês, a Turquia impôs dura derrota à Holanda, por 4 x 2, na noite de ontem (24), no Estádio Olímpico Atatur, em Istambul. A última vez que a Holanda havia sofrido três gols, do mesmo jogador, foram os de Klaus Allofs, da Alemanha, na derrota (3 x 2) do sábado, 14 de junho de 1980, pela Eurocopa, no estádio San Paolo, em Napoles, no Sul da Itália.

SEM ESPAÇO – Os dois primeiros gols do turco Burak Yilmaz foram aos 15, e aos 34, de pênalti. Na volta do intervalo, Hakan Çalhanoglu, um dos destaques do Milan, fez 3 x 0 logo aos 37 segundos. A Holanda reagiu com os gols do meia Davy Klaassen aos 29 e do atacante Luuk de Jong aos 30, mas a Turquia abafou a reação com o terceiro gol de Burak Yilmaz, a estrela da noite, em primorosa cobrança de falta aos 35 minutos, levando o técnico Senol Gunes, de 68 anos, ex-goleiro ao delírio.

BEM DISTANTE – Treinada pelo ex-zagueiro Frank de Boer, de 50 anos, campeão no Ajax e no Barcelona, a Holanda de 2021 está bem distante da que encantou o mundo, vice-campeã em 74, sob a regência de Cruyff, e em 78. Fora da Copa de 2018, tem que reagir para ir ao Catar em 2022. O goleiro Jasper Cillessen, de 31 anos, do Valencia, sentiu dores musculares durante o aquecimento e foi substituído por Tim Krul, de 32 anos, do inglês Norwich, sem culpa nos quatro gols turcos. 

VICE-CAMPEÃ PERDE – Terceira colocada na Copa de 98, com 2 x 1 na Holanda, e vice-campeã em 2018, na derrota (4 x 2) para a França, a visitante Croácia estreou nas eliminatórias para a Copa de 2022 perdendo (1 x 0) para a Eslovênia, ontem (24), no estádio Stozice, da capital Liubliana. O gol foi do meia Sandi Lovric, de 22 anos, que joga no Lugano, da Suíça, aos 15 minutos. Os croatas pararam em grande atuação do goleiro Jan Oblak, de 28 anos, 1,88m, do Atlético de Madrid, líder do Espanhol.

GOL BRASILEIRO – O lateral-direito Mario Fernandes, de 30 anos, paulista de São Caetano do Sul, joga desde 2012 no CSKA Moscou, comprado do Grêmio por 15 milhões de euros, fez o segundo gol da vitória (3 x 1) da Rússia sobre Malta, ontem (24), no estádio Vitória, em Algarve, no extremo Sul de Portugal, onde a seleção maltesa manda seus jogos. Mario Fernandes naturalizo-se russo em 2016, pouco depois de recusar convocação do técnico Mano Menezes para um jogo com a Argentina.

DIREITOS HUMANOS – Antes do jogo de ontem (24), em que venceram com facilidade a frágil seleção de Gibraltar por 3 x 0, com os três gols em catorze minutos, no estádio Vitória, no Algarve, extremo Sul de Portugal, os jogadores da Noruega entraram em campo com uma camisa branca com os dizeres: “Direitos humanos dentro e fora de campo”. Foi um protesto contra as condições desumanas dos imigrantes que trabalham nas obras dos estádios do Catar para a Copa do Mundo, disse Martin Odegaard, de 22 anos, meia e capitão da seleção, que joga no Arsenal de Londres, emprestado pelo Real Madrid.

GOLEADA E 0 x 0 – Na primeira rodada das eliminatórias europeias, só uma goleada: Estônia 2 x 6 República Checa, e um 0 x 0: Chipre x Eslováquia. Letônia 1 x 2 Montenegro, Finlândia 2 x 2 Bósnia e Hezergovina. Dos 13 jogos de hoje (25), os mais esperados são Itália x Irlanda do Norte, Alemanha x Islândia, Inglaterra x San Marino, Espanha x Grécia e Hungria x Polônia.
DIDIER DESCHAMPS, ex-meia de 52 anos, terceiro campeão do mundo como jogador e técnico (98 e 2018), depois de  Beckenbauer (74 e 90) e Zagallo (58-62 e 70), tirou no intervalo Mbappé, Coman e Giroud, mas Dembélé, Pogba e Martial, que entraram, não acrescentaram o suficiente para a França vencer. A Ucrânia manteve boa marcação e esteve até mais perto da vitória, em contra-ataques sempre em alta velocidade. O resultado foi justo.

FRANÇA 1 x 1 UCRÂNIA teve atuação correta de Tobias Stieler, de 39 anos, natural de Hamburgo, bela cidade portuária do Norte alemão, onde dirige um escritório de advocacia. Árbitro desde 2012, entrou na FIFA em 2014 e está listado no grupo de elite da União Europeia de Futebol. Ele marcou 20 faltas (17 da França) e o único cartão amarelo que aplicou foi no lateral francês Benjamin Pavard por falta no ponta Bubkov. A França acertou mais 336 passes que a Ucrânia (721 a 385).

Foto: Vavel