ALEGRA-ME REGISTRAR a reeleição de Romário para o segundo mandato como senador da República, com 29,06% dos votos, totalizando 2.240.045, na eleição de ontem (2), primeiro domingo de outubro de 2022. Romário ganhou a vaga mais disputada, entre todos os estados, concorrendo com outros dez candidatos.

ROMÁRIO, sempre autêntico, fez um desabafo imediato: “Foi uma eleição de muita luta. Enfrentei concorrentes covardes e desleais e os venci com a força do povo, que nunca se deixou enganar. Fiz uma campanha com muita honestidade e amor no coração. Não tenho palavras para agradecer ao povo por me reconduzir ao Senado”.

O CARIOCA ROMÁRIO de Souza Faria, aquariano de 29 de janeiro de 1966, iniciou a carreira política aos 49 anos, em 2010, elegendo-se deputado federal pelo PSB, com 146.859 votos. Em 2014, foi eleito senador com a votação mais expressiva da história do estado do Rio de Janeiro: 4.683.572 votos.

“HOJE ENTRA PARA A HISTÓRIA um ex-favelado que virou senador da República” – disse Romário, como nos momentos mais explosivos da comemoração de um gol. E acrescentou: “Meus pais jamais poderiam imaginar que o menino que saiu da maternidade numa caixa de sapatos estaria sendo conduzido pelo povo ao Senado”.

NO PRIMEIRO MANDATO como senador, Romário dedicou-se a pautas ligadas ao esporte e em defesa das pessoas com deficiência, e foi relator do projeto de lei que acabou com a limitação de procedimentos a serem cobertos pelos planos de saúde. O texto foi sancionado em setembro de 2022, deixando Romário muito feliz.

NA DESPEDIDA DA SELEÇÃO, em 27 de abril de 2005, no estádio do Pacaembu, que completava 65 anos, Romário marcou dois gols nos 3 x 0 do amistoso com a Guatemala, e disse emocionado: “Eu tenho uma filhinha down, a Ivy, que é uma princesinha”, dizeres que usava na camisa, ao ser carregado pelos companheiros.

O PAI DE ROMÁRIO, Edevair, criou para ele, em 1975, o Estrelinha da Vila da Penha, de onde saiu em 1979 para o infantil do Olaria, artilheiro e campeão carioca. Em 1981, chegou ao Vasco, passou por todas as categorias e estreou no 1º time em 1985, com três gols nos 3 x 0 no Coritiba, e artilheiro e vice-campeão carioca.

DESPONTOU NA SELEÇÃO, campeão sul-americano sub-20, marcando os gols dos 2 x 1 no Paraguai, e tendo como parceiro Taffarel. Em 1988, após os Jogos Olímpicos de Seul e o Torneio do Bicentenário da Austrália, que também cobri, foi tricampeão holandês e artilheiro no PSV, ganhando também a Liga dos Campeões.

NA ESTREIA NO BARCELONA, campeão, artilheiro e melhor jogador do campeonato de 1993-94, Romário marcou os gols dos 3 x 0 na Real Sociedad, levando ao delírio os 90 mil torcedores no Camp Nou. Em 1993, na decisão da vaga nas eliminatórias para a Copa de 94, fez os gols nos 2 x 0 no Uruguai, no Maracanã.

NA COPA DE 1994, a última com 24 seleções, que o Brasil voltou a ganhar depois de 24 anos, foi o melhor jogador, o artilheiro da seleção e ganhou a Bola de Ouro da Fifa. Romário fez 70 jogos e marcou 55 gols pela seleção. No ano seguinte, a volta triunfal do Baixinho ao futebol brasileiro.

ROMÁRIO causou o maior impacto em 1995, ano do centenário do Flamengo, e foi artilheiro do Carioca de 96, 97, 98 e 99. Em 2000, aos 34 anos, voltou ao Vasco, onde havia sido campeão carioca e artilheiro em 86, 87, e foi campeão brasileiro em 2001 e 2005. E viveu intensamente a temporada de 73 gols, com seu milésimo gol. 

ROMÁRIO lembra com carinho, apesar do pouco tempo, da passagem de 2005 pelo Fluminense, porque em 21 jogos, um dos 13 gols foi o único de bicicleta em toda a carreira, nos 5 x 2 no Guarani. Ele foi o artilheiro do time na curta temporada: “O Fluminense me tratou sempre com carinho e atenção”.

POUCOS SABEM, MAS NEYMAR pediu para jogar com a 11 no Santos e no Barcelona porque era o número que Romário usava, e o atacante do PSG sempre confessa: “O Romário foi meu ídolo e minha fonte de inspiração. Sempre que dou um pique na direção do gol, eu me lembro das grandes arrancadas dele”.

JOHANN CRUYFF, um dos notáveis de sempre do futebol mundial, definiu Romário com muita propriedade: “O gênio da grande área”. Na opinião do craque holandês, hoje nome da Arena de Amsterdam, “Romário pensava e decidia um jogo em fração de segundos, com velocidade espantosa e incrível facilidade de fazer gol”.

ROMÁRIO, o garoto que nasceu na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, para brilhar no cenário do futebol mundial e se tornar deputado federal e senador, com votações expressivas. O povo fluminense renovou a confiança no seu trabalho sério e honesto, diferente de boa parte dos políticos. Romário é do bem.

Foto: Senado Federal