É possível que no futebol, por ser paixão mundial, a escolha dos melhores se torne ainda mais polêmica, sempre que um nome estiver em votação. Quando onze forem votados, é ainda mais normal que as divergências aumentem, como é o caso agora da Seleção dos Sonhos, anunciada pela prestigiosa France Football, revista bissemanal de 74 anos, depois de ouvir 170 jornalistas ao redor do mundo. Penso que Pelé nunca deveria estar entre os votados. A seleção começa sempre por ele. Pelé e mais 10.

NOME POLÊMICO – Estou entre os que nada têm contra Cafu nem poderiam ter, por ser bicampeão da Libertadores e Mundial de clubes pelo São Paulo; campeão italiano, europeu e mundial de clubes pelo Milan; com vitórias em 81 dos 132 jogos, entre 1992 e 2004 pela seleção, capitão da última Copa que o Brasil ganhou em 2002. Um lateral de nível técnico elevado, mas, a meu juízo, abaixo de Djalma Santos e Carlos Alberto Torres, que também tive a felicidade de ver, em clubes e na seleção.

DJALMA SANTOS tem um resumo que diz bem do que foi seu nível. Em 1958, na primeira Copa que o Brasil ganhou, segunda de que participou, foi reserva de De Sordi em cinco jogos, e só pela exibição na final, eleito o melhor do mundo pela FIFA, o que repetiria no bi, em 1962. Ganhou 79 de seus 111 jogos na seleção, entre 1952 e 1968. Djalma Santos foi pouco faltoso, marcava bem, era preciso nos cruzamentos e tinha na cobrança de arremessos laterais a força de um chute.

CARLOS ALBERTO TORRES tornou-se capitão da mais brilhante seleção brasileira, e mundial, de todos os tempos, primeira a ganhar todos os jogos, e único capitão a marcar o último gol da história das Copas, com toque refinado de categoria. O lateral com melhor aproveitamento na seleção, ganhando 54 dos 64 jogos, entre 1963 e 1977. Excluir Carlos Alberto Torres, Nilton Santos e Garrincha da Seleção dos Sonhos só pode ser escolha de que não viu os melhores do mundo de todos os tempos.

Foto: Jornal Tribuna Ribeirão