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Pela primeira vez, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou pública, em documento oficial, a acusação a Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, de ter recebido propina para votar a favor do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. É a grande vergonha do futebol brasileiro, na mais ampla investigação da história sobre corrupção no mundo da bola. Teixeira presidiu a CBF de 89 a 2012 e foi banido do futebol pela FIFA.

20 MILHÕES – Ricardo Teixeira, de 72 anos, é monitorado, há seis anos, pela justiça dos Estados Unidos. Desde 1996, seis anos antes de deixar a Confederação Brasileira de Futebol, ele foi acusado de receber propina de vinte milhões de dólares da Nike, empresa americana que fornece material esportivo à CBF. Teixeira também foi acusado pelo empresário José Hawilla- 1943 – 2018  e só rebateu as denúncias depois que ele morreu, em 25/5/2018.

OUTROS DOIS – Os investigadores dos Estados Unidos já haviam apurado que o paraguaio Nicolás Leoz  1928 – 2019 presidente da Confederação Sul-Americana de 1983 a 2013, e o argentino Julio Humberto Grondona – 1931 – 2014 presidente da Associação de Futebol da Argentina e vice-presidente financeiro da FIFA, também faziam parte do esquema de corrupção em que Ricardo Teixeira é agora, pela primeira vez, denunciado publicamente.

MAIS DOIS – Pelo relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mais dois presidentes da CBF estavam igualmente envolvidos no esquema de corrupção. Marco Polo del Nero, de 79 anos, banido em 2017 pelo Comitê de Ética da FIFA, e José Maria Marin, de 87 anos, que recém voltou ao Brasil, após ficar cinco anos preso em Nova York. Del Nero e Marin foram os sucessores de Ricardo Teixeira no comando do futebol.

MANOBRAS – Durante os últimos anos na presidência da CBF, Ricardo Teixeira foi acusado pelo senador Romário, e efetuou diversas manobras para impedir o avanço da Comissão Parlamentar de Inquérito, a fim de ter que prestar depoimento em Brasília. Teixeira convidou vários políticos, da bancada da bola, para viagens ao exterior com a seleção, além de oferecer presentes pessoais e material esportivo para que atendessem os clubes de seus estados. 

CNN BRASIL – Ricardo Teixeira concedeu entrevista há duas semanas à CNN Brasil e voltou a dizer que é perseguido pelos Estados Unidos por ter votado no Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. No entanto, suas declarações não foram firmes, tornando-se evasivas, sem conteúdo e sem consistência para convencer de que estava falado a verdade. Ficou pior quando chamou de mentiroso o empresário José Hawilla, dono da Traffic, que morreu em maio de 2018.

REVOGAÇÃO – Por mais que o brilhante advogado de defesa Michel Assef Filho, dos mais conceituados do país, tente conseguir a revogação da justiça americana de impedir Ricardo Teixeira de entrar nos Estados Unidos, a medida não será obtida, principalmente depois do anúncio público de ontem (6) do Departamento de Justiça. Os investigadores americanos relatam que são cada vez mais robustas as provas de corrupção contra Ricardo Teixeira.

Foto: Reproduçao/CNN BRasil