Dezessete anos depois de ter saído de Salvador para se tornar recordista mundial de títulos, em quatro times da Europa – a maioria e os mais importantes pelo Barcelona -, Daniel Alves está de volta para jogar até 2022 no São Paulo e encerrar, sem ganhar nada, a carreira no Bahia, segundo revelou, há dez anos, “os tricolores do meu coração”. A notícia do retorno do lateral de 36 anos ao futebol brasileiro é o destaque de todos os veículos de comunicação do mundo neste primeiro dia de agosto de 2019.

Photo by David Ramos/Getty Images

VALOR À VIDA – Daniel Alves diz com muita propriedade que sabe dar muito valor à vida. Garoto em Juazeiro, no sertão baiano, começou o trabalho na roça, aprendendo e ajudando o pai Domingos a plantar cebola, alho, tomate e melão. Armava arapucas para pegar aves, abatidas para a alimentação da família. No campo de terra batida, nos fundos da casa, jogava com os outros meninos com bolas feitas com sacos de plástico, meias velhas e recheio de papel. 

FIGURANTE – Aos treze anos, para ganhar 5 reais, às vezes 10 reais por dia, foi figurante do filme “Guerra dos Canudos”, a convite do produtor Sergio Resende, que o viu desembaraçado e bem falante. Só não quis seguir o irmão mais velho, Ney, que gostava de um microfone e tornou-se cantor de forró. A “praia” do Daniel era mesmo o futebol, que corria solto nas veias. Em 96 entrou no time jovem do Juazeiro e saiu em 98 para o Bahia, onde se profissionalizou em 2001 e de onde saiu em 2002.

NO SEVILHA – Em dois anos no Tricolor de Aço – como se refere ao Bahia -, Daniel Alves não sabia que era acompanhado por dois observadores do Sevilha. Campeão baiano em 2001 e da Copa do Nordeste em 2001 e 2002, com seis gols em 58 jogos, o Bahia não quis vendê-lo, apenas o emprestou por dois anos. Em 2002 e 2003, não fez gol em 11 jogos, mas assim mesmo o Sevilha decidiu investir e comprá-lo, apesar de muita resistência do Bahia. 

PRIMEIRO TÍTULO – Daniel Alves ficou de 2003 a 2008 no Sevilha e estreou com o primeiro título, a Copa da Uefa. Entrou no radar do Barcelona, que ofereceu 25 milhões de euros ao Sevilha. O presidente José Maria del Nido achou graça e respondeu: “Por 25 milhões o Daniel não vai, mas mando as chuteiras dele para que o lateral do Barcelona use”. O Sevilha não tinha como resistir. O Barcelona aumentou para 40 milhões e ele assinou em julho de 2008.

MENINO-HOMEM – Daniel Alves encantou os torcedores catalães logo na chegada: “Entrei no Sevilha como um menino e saí como um homem que vai continuar aprendendo muito no Barcelona, o melhor e mais famoso clube do mundo”De cara, a primeira das três Champions que ganhou. Seguiram-se seis campeonatos espanhóis; três Mundiais de clubes; quatro Copas do Rei; três Supercopas da Espanha e três Supercopas da Europa. Até 2016, 391 jogos, 21 gols e todos esses títulos com o Barça.

NA JUVENTUS – Dois títulos em uma só temporada marcaram a curta passagem de Daniel Alves pela multicampeã Juventus, recordista de campeonatos na Itália e cuja coleção aumentou em 2016-17 com o pentacampeonato e a Coppa Itália. 33 jogos e 6 gols no histórico do lateral baiano de Juazeiro, que deixou Turim muito elogiado. Um profissional correto, sério e também muito alegre, resumiram os torcedores da mais famosa cidade do norte italiano no futebol.

NO PSG – Daniel Alves assinou em julho de 2017 com o clube mais rico da França e logo na estreia fez um gol nos 2 x 1 sobre o Monaco, ganhando a cobiçada Supercopa francesa. Dois anos depois, o lateral usou sua conta nas redes sociais para anunciar, em junho de 2019, a saída do clube-símbolo de Paris, a capital mais charmosa da Europa. E ontem, para surpresa geral, Daniel Alves acertou com o São Paulo, onde ficará até 2022, ano da próxima Copa, que planeja ser a última de sua notável e brilhante carreira de recordista mundial de títulos.

DANIEL ALVES superou os até então recordistas com 35 títulos: RYAN GIGGS – hoje técnico da seleção do País de Gales -, o mais premiado da história do futebol inglês. Giggs só jogou pelo Manchester United, de 1990 a 2014, marcando 168 gols em 963 jogos como um dos atacantes mais brilhantes.INIESTA, capitão da única seleção espanhola campeã do mundo e autor do gol do título, na final de 2010 com a Holanda. Foi do Barcelona de 2002 a 2018 – 674 jogos, 57 gols – e hoje é Vissel Kobe, do Japão. GERARD PIQUÉ, comprado do Manchester United em 2008 e desde então no Barcelona: 498 jogos, 46 gols.

Foto: Folha UOL, Fox Esportes, A Tribuna, correio24horas, e Toda Bahia