A juíza Marina Balester Mello de Godoy, da 4ª Vara Cível do Fórum Regional de Pinheiros, bairro nobre da Zona Oeste de São Paulo, acolheu a tese dos advogados do técnico Abel Braga, que receberá R$50 mil, mais correção monetária, por ter sido chamado de bêbado e drogado por Luiz Eduardo Baptista, presidente do Conselho de Administração do Flamengo, em entrevista ao blog Ser Flamengo, em junho de 2020, quando era técnico do clube.

ABEL BRAGA DOARÁ TODO O VALOR DA INDENIZAÇÃO às famílias dos 10 jogadores da base do Flamengo, que morreram no trágico incêndio da madrugada da 6ª feira, 8 de fevereiro de 2019, enquanto dormiam em contêineres inadequados, no Centro de Treinamento do Ninho do Urubu. Essa é a maior tragédia da história de 125 anos, que o Flamengo completou em 15 de novembro de 2021, sem que nenhum dos culpados esteja cumprindo pena.

EM SEU DESPACHO, a juíza Marina Balester Mello de Godoy escreveu: “Em que pese o réu alegue que não tinha a intenção de ofender o autor, e até já se retratou publicamente a respeito, está evidente que a declaração feita, mesmo que de modo informal, excedeu a mera crítica às escolhas técnicas do autor e usurpou a liberdade de expressão, porque, ao se questionar a sobriedade ou o uso de drogas pelo autor, durante o exercício de sua profissão, causou-lhe ofensa à honra e à reputação, mormente por ser figura pública e renomada no futebol”.

ABEL BRAGA teve duas passagens vitoriosas como técnico do Flamengo, campeão carioca em 2004 e 2019, mas foi demitido ao perder a decisão da Copa do Brasil de 2004 com o Santo André, porque o Flamengo não se classificou para a Libertadores. Em 2019, Luiz Eduardo Baptista, ao chamá-lo de bêbado e drogado, era vice-presidente de Relações Externas do Flamengo.

Foto: Divulgação