Adílio e Deni Menezes conversam na Gávea, após treino do Fla Master, sobre a final com o River, e recordando também boas histórias. Fotos de Eldalber Ferreira.

Terceiro que mais vestiu a camisa rubro-negra, em 616 jogos, e entre os mais brilhantes da geração de ouro que ganhou a Libertadores e o Mundial de clubes em 1981, Adílio considera que o Flamengo terá vantagem na final com o River: “Os peruanos sempre gostaram do Flamengo e essa simpatia aumentou com a vinda do Paolo Guerrero”.

UM GRANDE NOME – Adílio lembra que um dos grandes nomes do Flamengo também fez história no futebol do Peru: Jayme de Almeida. Capitão do primeiro tricampeonato do clube, formando a famosa linha média de 42-43-44, com Biguá e Bria, Jayme foi técnico do Alianza Lima, campeão peruano em 62, 63 e 65, e em 66 lançou Teófilo Cubillas, artilheiro da seleção na Copa do Mundo de 70.

MUITO EQUILÍBRIO – Adílio analisa com frieza a decisão do próximo sábado (23), no Estádio Monumental de Lima: “Com certeza, será um jogo de muito equilíbrio. Flamengo e River são times técnicos e com jogadores de muita qualidade. Vai ganhar quem demonstrar mais disposição e quem for mais guerreiro. Penso que será um jogo muito pegado”.

SEGURANÇA – Adílio diz que o Flamengo conseguiu aliar técnica à vontade de vencer: “O time tem jogado com muita firmeza e segurança, tanto marcando quanto desarmando e sabendo ser criativo. A defesa se impõe muito e os quatro gols que sofreu do Vasco foram uma exceção, sem que possa preocupar”.

SEM COMPARAÇÃO – Quando o time campeão da Libertadores e do Mundial de 81 é lembrado, Adílio não entra em comparação: “São quase 40 anos, épocas e estilos bem diferentes. Hoje o futebol é mais corrido e no nosso tempo poderia ser mais cadenciado, embora também não deixasse de ter velocidade”.

QUASE 2 MIL JOGOS – O meio-campo campeão de 81, que ganhou do Cobreloa na final da Libertadores e do Liverpool na decisão do Mundial de clubes, fez 1.918 jogos pelo Flamengo. É a soma dos570 de Andradedos 616 de Adílioe dos 732 de Zico, – hoje, também nessa ordem -, na faixa dos 62 de Andrade, dos 63 de Adílio e dos 66 anos de Zico.

POUCOS SE LEMBRAM, mas Adílio também brilhou no futebol peruano. Em meados de 90, o Alianza Lima o levou para um amistoso com o Sport Boys, que tinha o meia Mendonça, falecido em julho deste ano. O show de Adílio foi completo e o Alianza decidiu contratá-lo para o restante da temporada, em que continuou com o brilho de sempre.

NÃO FALAMOS durante a conversa em torno da final Flamengo x River, sobre Mendonça, mas faço questão de incluir nesta matériaAdílio foi grande parceiro, ajudando o ex-meia do Botafogo a se livrar do alcoolismo. Conseguiu que Mendonça ficasse em uma clínica de recuperação, onde teve toda a assistência. Adílio apoiou muito, com trabalho anônimo.

PELE RUBRO-NEGRA – Adílio Oliveira Gonçalves, carioca da Zona Sul, 63 anos, nasceu com pele rubro-negra, em 15 de maio de 1956, no bairro do Humaitá. Formou-se na base desde 63 e foi titular de 75 a 87, com 128 gols em 616 jogos.

Cinco vezes campeão carioca, no tri de 78-79-79 (Especial), em 81 e 86, e ganhou seis Taças Guanabara, de 78 a 84. Bom dizer também: Adílio foi campeão mundial de futsal em 1989 como destaque da seleção.

INESQUECÍVEIS – Adílio fez muitos gols importantes, mas o terceiro da final do Brasileiro de 83 – 3 x 0 no Santos, com mais de 150 mil torcedores no Maracanã -, e o segundo, dos 3 x 0 no Liverpool, na final do Mundial de 81 – que vi de perto como repórter foram inesquecíveis: “Sinto emoção até hoje” – resume com a humildade de sempre.

FLA MASTER – Desde 2014, quando foi criado, o Fla Master é presidido por Adílio, que divide as atribuições com o parceiro Julio Cesar (Uri Geller), ponta que “entortou” vários marcadores. Os ex-companheiros treinam toda semana na Gávea para manter a forma. A agenda de amistosos pelo Brasil está sempre cheia. E o show tem que continuar.