As americanas ganharam neste primeiro domingo (7) de julho a quarta das oito Copas do Mundo, com os 2 x 0 sobre a Holanda, diante de 59.186 espectadores, capacidade máxima do Parque Olímpico de Lyon, terceira maior cidade da França, e com números que só realçam o brilho de sua campanha: 7 vitórias em 7 jogos, recorde de gols (26) e a maior goleada (13 x 0 sobre a Tailândia) da história das Copas do Mundo de homens e mulheres. A seleção mais velha, com média de idade de 29 anos.

AS CAMPEÃS – Naeher, O’Hara (Krieger, intervalo), Dahlkemper, Sauerbrunn e Dunn; Ertz, Lavelle e Mewis; Haet (Lloyd, 42 do segundo tempo), Morgan e Rapinoe (Press, 33 do segundo tempo). Técnica – Jill Ellis. As americanas venceram Tailândia (13 x 0), Chile (3 x 0), Suécia (2 x 0), Espanha (2 x 1), França (2 x 1), Inglaterra (2 x 1) e Holanda (2 x 0). 100% de aproveitamento, com 26 gols marcados e apenas 3 gols sofridos.

Megan Rapinoe abre os braços e comemora seu gol histórico. Ela ganhou a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro da Copa.

A VITÓRIA – Pela segunda vez em uma Copa do Mundo – eliminada nas oitavas de final em 2015 e finalista em 2019 -, a Holanda resistiu o quanto pôde e só mesmo com defesas notáveis de sua goleira Van Veenendaal, toda de verde, pôde manter o 0 x 0 no primeiro tempo. Na volta do intervalo, a pressão dos Estados Unidos aumentou e os dois gols foram marcados em seis minutos. A capitã Megan Rapinoe fez 1 x 0, de pênalti, aos 17, e Rose Lavelle, aos 23, marcou o segundo com chute forte no canto.

PERSONALIDADE – Nascida em Redding, cidade do condado de Shasta, no estado da Califórnia, em 5/7/85, Megan Anna Rapinoe completou 34 anos anteontem (5). Capitã da seleção, que defende desde 2006, falou alto e forte contra o presidente dos Estados Unidos, afirmando que não iria à Casa Branca receber cumprimentos de Donald Trump. Ela reivindica direitos iguais para mulheres e homens no futebol.

RECORDISTA – Megan Rapinoe, meia-atacante, homossexual assumida, tornou-se a jogadora mais velha a fazer gol em uma final de Copa do Mundo, aos 34 anos e 2 dias, e a primeira a marcar um gol de pênalti em uma decisão. Ela participou dos Jogos Olímpicos Londres-2012 e Rio-2016, e há 10 anos é do Chicago Red Stars, da Liga Profissional americana.

10 ANOS MAIS NOVA – O segundo gol foi da meia-atacante Rose Lavelle, de 24 anos, que joga no Washington Spirit, da capital americana. Dez anos mais nova que a capitã Rapinoe, Rose Lavelle, a menina de Cincinnati, capital do estado de Ohio, no sudoeste do país, desde os oito anos, na escola, entrava em quadra para chutar bola. O gosto aumentou na Universidade e desde os quinze foi das seleções juvenis. Cincinnati é conhecida como “Queen City”(Cidade Rainha) por seus parques com deslumbrantes áreas verdes. Era onde Winston Churchill – 1874 – 1965 -, primeiro-ministro do Reino Unido, de 1951 a 1955 – gostava de passar férias.

16 ANOS DEPOIS – Estados Unidos 2 x 0 Holanda foi apenas a segunda decisão depois dezesseis anos, entre duas seleções comandadas por técnicas. Em 2003, na final dos Estados Unidos, a Alemanha, da técnica Tina Meyer, venceu (2 x 1) a Suécia, da técnica Marika Lyfors. Na decisão deste domingo (7), a seleção dos Estados Unidos ganhou (2 x 0) sob o comando da inglesa Jill Ellis, que ao final recebeu abraço afetuoso da técnica Sarina Wiegman, da Holanda.

QUE NÚMEROS!!! – Jill Ellis, técnica da seleção dos Estados Unidos, nasceu na Inglaterra, naturalizando-se americana aos 19 anos, quando seu pai, John Ellis, dirigia uma equipe universitária de Boston. Ela tem 52 anos e comanda a seleção desde 2014, mas só após a eliminação nas quartas de final nos Jogos Rio-2016 ela fez a mudança completa, com novas convocações, troca de assistentes e utilização de novos sistemas, tornando a equipe muito mais determinada e agressiva.

127 JOGOS, 102 VITÓRIAS, SÓ 7 DERROTAS, nenhuma em jogo oficial. A técnica Jill Ellis igualou neste domingo, 7 de julho de 2019, a marca de Vittorio Pozzo – 1886 – 1968 -, técnico europeu mais vitorioso dos anos 30, único a ganhar duas Copas do Mundo consecutivas, em 1934 e 1938, comandando a seleção em 95 jogos com 63 vitórias. Pozzo foi o único técnico até hoje a ganhar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos (que a Itália ganhou em 1936, em Berlim, capital da Alemanha).

RECONHECIMENTO – Até mesmo a ex-goleira americana Hope Solo, hoje aos 37 anos, comentarista convidada da BBC de Londres na Copa do Mundo da França, reconheceu os méritos da técnica Jill Ellis na transformação da seleção americana: “Está jogando o futebol mais corajoso do mundo”. Hope Solo foi das seleções olímpicas de 2004 em Atenas, 2008 em Pequim – eliminou 1 x 0 o Brasil, na prorrogação – e em 2012 em Londres, onde ganhou a medalha de ouro. É considerada a melhor goleira americana de todos os tempos.

O REI FELIZ – Guilherme Claus Alexandre, Rei da Holanda, cumprimentou as jogadoras vice-campeãs do mundo, mostrando-se muito feliz com a campanha da seleção comandada pela técnica Sabrina Wiegman, de 49 anos, que atuou como meia, desde jovem, em equipes universitárias dos Estados Unidos. Acompanhado da plebeia Maxima Cerruti e das filhas Catarina Amalia, Alexia e Ariana, o Rei da Holanda foi dos primeiros a chegar ao estádio para a final deste domingo (7).

APAIXONADO também por esportes aquáticos, Willem Alexandre – nome de batismo -, tem 52 anos e foi aclamado Rei da Holanda em 30 de abril de 2013, três dias após completar 44 anos. É o segundo monarca mais jovem da Europa, depois do Rei Filipe VI, da Espanha, apenas um ano mais novo. O Rei da Holanda também pilota o avião da Família Real e esteve em Porto Alegre, na Copa do Mundo de 2014, onde se empolgou com a virada (3 x 2) da Holanda sobre a Austrália, na Arena Beira Rio. Em 2010, na Copa da África do Sul, ele foi ao delírio com a vitória (2 x 1) sobre o Brasil e com o vice que a Holanda ganhou, ao perder (1 x 0) para a Espanha, na prorrogação.

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