O árbitro Flavio Rodrigues de Souza, de 40 anos, da Federação Paulista e da FIFA, relatou na súmula de Flamengo 4 x 3 Bahia sobre a expulsão do atacante Gabriel, do Flamengo, aos 10 minutos do primeiro tempo: “Expulsei por dirigir-se a mim de maneira ofensiva e ostensiva, após disputar uma jogada, dizendo as seguintes palavras: “Vai tomar no seu cu”.

REPETIU – O árbitro também escreveu na súmula: “Fui informado pelo delegado do jogo, Sr. Marcelo Viana, que após a expulsão do jogador da equipe do Clube de Regatas do Flamengo, Sr. Gabriel Barbosa Almeida, de número 9, que o mesmo proferiu no túnel de acesso aos vestiários as seguintes palavras: “Eu não falei nada disso, mas agora vou falar: vai tomar no cu, vai tomar no cu”.

PUNIÇÃO – Com o que o árbitro relatou na súmula, Gabriel pode ser punido com até seis jogos de suspensão, enquadrado no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Além da pena de suspensão, que varia de quatro a seis jogos, o jogador também está sujeito à multa de 100 reais a 100 mil reais.

BOM DIZER – Quem está na estrada há mais de meio século e acompanha o futebol em todas as dimensões, como é o meu caso, sabe que não é bem assim que a banda toca. São antigos e constantes os casos de ofensas, em que os clubes conseguem absolvição. É mais fácil passar a mão na cabeça do que punir os infratores dentro da própria casa. É o jeitinho brasileiro.

NA EUROPA, há lei e a lei é cumprida, em todas as séries de todos os campeonatos, sem que haja julgamento. As punições são pré-estabelecidas: ofendeu o árbitro, tantos jogos; agrediu ou ofendeu o adversário, tantos jogos; cuspiu no adversário, tantos jogos. Os clubes não interpõem recurso porque os tribunais rejeitam.

NOS PAÍSES evoluídos, onde se cumpre a lei, não existe uma imoralidade que é própria do futebol brasileiro e que se chama efeito suspensivo, recurso final dos recursos. O recurso que dá condição de jogo aos que não foram educados para respeitar e acham que podem tudo. O recurso que os clubes usam para passar a mão na cabeça de seus infratores, que têm sempre razão.

Foto: ESPN