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NA SEGUNDA FINAL COM MAIS GOLS da história das 22 Copas do Mundo, a Argentina quebrou a hegemonia dos europeus, impedindo que a França fosse a terceira bicampeã, depois da Itália (34-38) e do Brasil (58-62), e reduzindo a vantagem de títulos da Europa sobre a América do Sul, agora de 12 a 10.

SE O BRASIL AINDA LIDERA com cinco títulos, mesmo depois de cinco Copas sem Copa, há empate entre os visitantes. O Brasil é o único campeão na Europa, com a final com mais gols (5 x 2 na Suécia), e a Alemanha, a única a ganhar a Copa na América do Sul, ao vencer a Argentina por 1 x 0, em 2014, no Maracanã.

O TERCEIRO TÍTULO tem o toque especial de ter sido o da primeira Copa no Oriente Médio e a última das sete com 32 seleções, desde 1998, quando a França foi a quinta e última campeã em casa. Quando os argentinos estiverem cosendo a terceira estrela na camisa terão que dar o capricho especial que a conquista merece.

FOI A 14ª FINAL DE COPA a que assisti, as últimas seis na telinha, e não vi nenhuma igual em intensidade nem com tamanha reação. A impressão do 1º tempo foi a de uma só equipe em campo, com o domínio amplo dos argentinos, que mereceram os 2 x 0, com o pênalti de Messi e o gol bonito de Di Maria, que também joga fácil.

O TÉCNICO FRANCÊS surpreendeu com duas substituições antes do intervalo, mas acertou, ao tirar os apagados Giroud e Dembélé, e colocar Thuram e Kolo Muani. A França mudou, fez dois gols em dois minutos, o segundo de Mbappé foi tipo pintura, e a Argentina só escapou da virada porque Martinez é bom goleiro.

FRANÇA E ARGENTINA mantiveram o ritmo na prorrogação, em que Lautaro Martinez entrou bem e obrigou o goleiro a dar rebote, que Messi aproveitou para fazer 3 x 2, de pé direito, aos 3 minutos. Montiel fez pênalti com o braço esquerdo, Mbappé beijou a bola e converteu com chute forte e muita precisão.

A FRANÇA PODERIA ter evitado os pênaltis, mas faltou categoria a Kolo Muani, ao finalizar, frente a frente com Emiliano Martinez, dando ao goleiro a chance de defender com o pé esquerdo. Pela segunda vez, a França não mostrou competência para ser campeã nos pênaltis, e voltou a perder, como em 2006 para a Itália (5 a 3).

MBAPPÉ E MESSI abriram bem a série, mas Coman parou na defesa do goleiro Martinez, que comemora com os ombros. Dybala fez 2 x 1 e Tchouméni mandou fora a terceira cobrança francesa. Paredes 3 x 1, Kolo Muani 2 x 3 e Montiel converteu o último, iniciando a grande festa de 30 mil argentinos no estádio.

OS CAMPEÕES DA 22ª COPA: Emiliano Martinez, Molina (Montiel), Romero, Otamendi e Tagliafico (Dybala); De Paul (Paredes), Di Maria (Acuña), Enzo Fernandes e Mac Allister (Pezzella); Messi (c) e Julian Alvarez (Lautaro Martinez). Técnico – Lionel Scaloni, campeão da Copa América 2021 e da Finalíssima (3 x 0 na Itália).

ARGENTINA 3 (4) x 3 (2) FRANÇA registrou 88.966 pagantes, no estádio Lusail, no Catar. O árbitro polonês Szymon Marciniak, com excelente atuação, marcou 45 faltas (26 da Argentina) e aplicou sete cartões amarelos: Enzo Fernandes, Acuña, Paredes e Montiel, e Rabiot, Thuram e Giroud, que se levantou do banco de reservas para reclamar. Correto na marcação dos pênaltis.

  • NO PÓDIO DA PREMIAÇÃO, o presidente da Fifa, Gianni Infantino; Tamim bin Hamad al-Thani, emir do Catar; Emmanuel Macron, presidente da França; Aleksander Ceferin, presidente da União Europeia de Futebol (Uefa); Alejandro Dominguez, presidente da Associação Paraguaia de Futebol, e Claudio Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA).
  • O PRESIDENTE DA FIFA dedicou atenção especial aos árbitros, primeiros premiados com medalhas. Cada árbitro da Copa 2022, independente do número de atuações, recebeu da Fifa 40 mil dólares. Na premiação, o único que não sorriu foi Mbappé, revelação e campeão em 2018, e vice-campeão e artilheiro em 2022.
  • O MEIA ENZO FERNANDEZ ganhou o prêmio de melhor jogador jovem. O goleiro Emiliano Martinez ganhou a Luva de Ouro. Kylian Mbappé, que amanhã (20), completa 24 anos, ganhou a Chuteira de Ouro, artilheiro com 8 gols. Messi ganhou a Bola de Ouro de Craque da Copa. 
  • OS JOGADORES e o técnico da França não conseguiam se reanimar ao subirem ao pódio para receber as medalhas. Didier Deschamps, o técnico de 54 anos, era de todos o mais abatido. Mbappé, ao receber a Chuteira de Ouro como artilheiro da Copa,  deu a impressão de que a jogaria longe. 
  • ÍKER CASILLAS, terceiro goleiro-capitão campeão do mundo em 2010 com a seleção da Espanha, foi quem colocou a taça no pedestal, 15 minutos antes do início do jogo. Antes da entrada em campo, os goleiros Emiliano Martinez e Hugo Lloris fizeram foto com Casillas, que disputou 167 jogos pela seleção.
  • OS FILHOS DE MESSI desceram ao gramado e comemoraram muito abraçados ao pai, que a todo momento acenava na direção das cadeiras para a esposa Antonella. Os filhos do técnico Lionel Scaloni o acompanharam na entrevista do pós-jogo.

Fotos: Divulgação