Os gols decisivos, em três anos consecutivos de finais históricas – 3 x 2 no Atlético Mineiro em 1980, 3 x 0 no Liverpool em 1981 e 1 x 0 no Grêmio em 1982 -, criaram a marca registrada de artilheiro das grandes decisões, de Nunes, que hoje, 20 de maio de 2020, faz 66 anos, como um passado sempre presente no coração dos torcedores do Flamengo.

GERAÇÃO DE OURO – Nunes precisou de muita persistência para fazer parte da geração de ouro do Flamengo, única três vezes campeã brasileira – 80, 82, 83 – e campeã da Libertadores e do Mundial no mesmo ano (1981). Chegou ao Flamengo em 1969, aos 14 anos, e aos 19 foi dispensado porque os observadores não viam potencial no futebol dele.

Maracanã, 1 de junho 1980 – Nunes levou a torcida ao delírio duas vezes. No primeiro gol e no terceiro, o do titulo de campeão brasileiro na final com o Atlético Mineiro, diante de 154.355 pagantes.

PONTE TRICOLOR – De volta a Sergipe, ficou pouco em Cedro de São João, município da carne de sol e dos bordados, onde nasceu em 20/5/54. Viajou 94 km para chegar à capital Aracaju, onde jogou no Confiança. Saiu para o Santa Cruz – 152 jogos, 86 gols – e foi campeão pernambucano (76 e 78), após o que Paulo Ribeiro, diretor do Fluminense, acertou sua compra.

NO FLAMENGO – Em 78 e 79, Nunes fez 40 gols em 58 jogos no Fluminense, e em 79-80, sem brilho, jogou no Monterrey, do Norte do México. Explodiu no Flamengo, time em que mais fez jogos (99) e gols (214), e ganhou todos os títulos. Com 48 gols, dividiu com Zico a artilharia da década de 80 do clube, outro de seus grandes feitos.

GOLS HISTÓRICOS – Na carreira de Nunes, 654 jogos, 335 gols. Ele abriu e fechou os 3 x 0 no Liverpool, com dois gols históricos: aos 13 minutos, de fora da área, encobrindo o goleiro Grobbelaar, e aos 41, em outro lançamento sob medida de Zico, Nunes concluiu com calma na saída do goleiro. Adílio fez 2 x 0 aos 34, após o goleiro rebater a falta de Zico.

Tóquio, 13 de dezembro 1981 – Nunes abre o placar na final com o Liverpool, enquanto o zagueiro Thompson (4) olha desolado a bola entrando. 

28 MINUTOS – Outro dia estava recordando com Nunes, a força do melhor Flamengo de todos os tempos. Lembrei que o time triturou o Liverpool em 28 minutos e saiu para o intervalo com o jogo definido, ao que ele acrescentou: “Nosso time era quase perfeito, na defesa, no meio e no ataque. Quando avançava, decidia, sem essa de perder gol”.

MAIOR PLACAR – Lembrei a Nunes que o Liverpool havia sido campeão europeu em 77-78-81 e que Flamengo venceu com o maior placar de uma final do Mundial de clubes. Ele então acrescentou: “Carpegiani gostava de ver o time atacando e usava muito os laterais. Os cruzamentos do Leandro e do Júnior eram precisos, e os passes do Andrade, do Adílio e do Zico, nem se fala”.

Nunes e Deni Menezes, na sede do Flamengo, na noite do lançamento do livro O Artilheiro das Grandes Decisões.

CONTUSÕES – Nunes lamenta muito as contusões que sofreu em 78 e 82, tirando-lhe as chances nas Copas. Em 78, Coutinho o convocaria para a Copa na Argentina. Em 82, era o preferido de Telê Santana, após o corte de Careca, mas sua contusão obrigou o técnico a chamar Serginho Chulapa. “A vida é assim mesmo” – resume o artilheiro.

SÓ FALTOU UM – Quanta falta um gol pode fazer. Décimo nono artilheiro do Flamengo – 99 gols em 214 jogos, média de 0,46/jogo -, Nunes não conseguiu vaga entre os 13 que passaram de 100 gols, e ficou ainda mais longe dos cinco com mais de 200 gols: Zico (509), Dida (264), Henrique (216), Pirilo (204, em 236 jogos) e Romário (204, em 240 jogos).

Fotos: Tulio Rodrigues – Blog ser Flamengo, Reprodução,  Reprodução/Flamengo e Lance.