Um fato inédito na história do futebol português aconteceu neste domingo (16) de fevereiro: o atacante Moussa Marega, revoltado com cânticos racistas, sempre que tocava na bola, abandonou o gramado do estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães, 10 minutos depois de marcar o gol da vitória (2 x 1) do Porto, que ficou a um ponto do líder Benfica (54 a 53), faltando treze rodadas para o final do campeonato 2019-2020.

MOUSSA MAREGA não aceitou o apelo dos companheiros e dos adversários, que tentaram mantê-lo em campo. Até mesmo o pedido do seu próprio técnico Sergio Conceição, que tentou demovê-lo, ele não ouviu. Marega começou a ser ofendido antes do jogo, quando fazia o aquecimento em campo. Depois do gol, além de ofendê-lo, torcedores do Vitória de Guimarães, time em que já jogou, também atiraram uma cadeira na direção dele.

CLIMA DE REVOLTA – As ofensas racistas contra o jogador criaram clima de revolta geral no futebol português e a Federação estuda medidas enérgicas para punir os torcedores. Os outros clubes – Sporting de Lisboa e Sporting de Braga, primeiros a se manifestar em nota de repúdio – já deram apoio total a Marega, considerado profissional correto desde 2014, quando estreou no Marítimo, da Ilha da Madeira, com 15 gols em 34 jogos.

GRANDE VERGONHA – Sergio Conceição, técnico do Porto, classificou como grande vergonha para o futebol de Portugal o que aconteceu no estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães, distrito de Braga, na região Norte, a 57 km do Porto e a 364 km da capital Lisboa. O treinador fez questão de ressaltar: “No futebol não há nacionalidade nem cor. É um esporte popular apaixonante e que deveria merecer o respeito de todos”. Revoltado, Marega também jogou cadeira na direção dos torcedores ao sair substituído por Wilson Manafá.

MOUSSA MAREGA, francês de 28 anos, nasceu emLes Ulis, distrito da região metropolitana no Sul de Paris, mas também tem cidadania malinesa, de vez que seus pais nasceram na República do Mali, único país da África Ocidental sem saída para o mar. Iniciou em 2012-13 no Le Poire-sur-Vie – 6 gols em 34 jogos -, e em 2013-14 jogou no Amiens, da Série A, saindo para o Marítimo – 15 gols em 34 jogos -, que defendeu em 2014-15.

No FC Porto, 45 gols em 105 jogos desde 2016 e campeão português na temporada 2017-18, ao voltar do empréstimo ao Vitória de Guimarães.GOL CONTRA – O Porto fez 1 x 0 no Vitória de Guimarães, com o gol contra do brasileiro Douglas, goleiro de 36 anos, 1,88m, capitão do time, paulista de Ribeirão Preto, foi do Santos e está em Guimarães desde 2010. Foi campeão da Taça de Portugal 2012-13, vencendo (2 x 1) a final com o Benfica. O chute de Sergio Oliveira bateu no travessão e nas costas de Douglas. Bruno Duarte empatou aos 4 do segundo tempo, e Marega marcou o gol da vitória, driblando dois marcadores e encobrindo o goleiro brasileiro.

DERROTADO na véspera pelo Sporting de Braga (1 x 0, gol do português João Palhinha, de cabeça, aos 45 do primeiro tempo), o Benfica ainda lidera, mas a vantagem sobre o Porto caiu para um ponto (54 a 53). O Benfica  não perdia há 66 anos, como mandante, para o Braga, que o venceu, pela primeira vez, no estádio da Luz. A derrota anterior, em 1954, havia sido no estádio do Jamor, nos arredores de Leblon.

Foto: Pedro Correia / Global Imagens