Ao sofrer a primeira virada, na quinta derrota como visitante – 3 x 1 para o Bahia, na noite de ontem (19), no estádio de Pituaçu, na região metropolitana de Salvador -, o Atlético, tricampeão mineiro, perdeu a chance de voltar à liderança e caiu para o terceiro lugar, com 31 pontos, a três pontos do Internacional, novo líder do Brasileiro 2020, com 34, igual ao vice-líder Flamengo, mas com vantagem no saldo de gols (15 a 11). Pela primeira vez, em 16 jogos, o Atlético sofreu três gols em um jogo.

AMPLO DOMÍNIO – Dentro do estilo habitual, seja como mandante ou visitante, o Atlético pressionou o Bahia desde o início, teve amplo domínio e fez 1 x 0 aos 21 minutos, com o atacante Savarino, venezuelano de 23 anos, marcando seu terceiro gol no campeonato e o sexto gol em 24 jogos em 2020, depois da ausência em três jogos,  por estar com a seleção da Venezuela nas eliminatórias. O Atlético não aproveitou outras boas chances para ampliar a vantagem, antes de sair para o intervalo.

GRANDE VIRADA – Dois, dos três que entraram no intervalo, marcaram os três gols da primeira vitória de virada do Bahia: o meia Daniel empatou aos 24, após rebote do goleiro Everson, na cobrança de falta de Gilberto, que fez 2 x 1 aos 33, depois da falha do lateral Guga, que lhe deu a bola no pé. Gilberto fez também o terceiro gol, aos 44, com a assistência de Daniel, em contra-ataque ultrarrápido, quando mais forte era a pressão do Atlético para tentar o empate.

GRANDE MENTIRA – A posse de bola, que ganha tanta ênfase em várias análises, não serve de parâmetro, e continua sendo, pelo menos na minha visão, uma das grandes mentiras do futebol. O Atlético exerceu domínio desde o início, e na maior parte do jogo, teve 62% de posse de bola, finalizou mais nove vezes que o Bahia (22 a 13), que teve 38% de posse de bola, mas teve muito mais competência nas conclusões, daí ter merecido a primeira vitória de virada no Brasileiro 2020.

NÃO VIU MÉRITO – Estranho quanto pareça, o técnico Jorge Sampaoli, de 60 anos, catorze anos mais velho que o compatriota Eduardo Coudet (46), do novo líder Internacional, e dois anos mais velho que o espanhol Domènec Torrent (58), do novo vice-líder Flamengo, disse não ter visto mérito na vitória do Bahia, e até se confessou muito surpreso com os 3 x 1 da virada: “O Atlético mais parecia o time da casa da forma como o Bahia se encolheu para perder de pouco” – resumiu Sampaoli.

BAHIA – Douglas Friedrich, Ernando (Nino), Lucas Fonseca, Juninho e Juninho Capixaba; Gregore, Elias e Edson (Gilberto); Clayson (Marco Antonio), Fessin (Alesson) e Ramon (Daniel). Suspenso, Mano Menezes foi substituído na área técnica pelo assistente Claudio Prates. O Bahia subiu quatro posições, terminou a rodada em décimo segundo, com 19 pontos em 17 jogos  5 vitórias, 4 empates, 8 derrotas, saldo negativo de três gols (22 a 25) – e o próximo jogo é dia 31, com o Santos, na Vila Belmiro.

ATLÉTICO – Everson, Guga, Junior Alonso, Rever (Igor Rabello) e Arana; Jair, Allan Franco e Nathan (Savio); Keno, Sasha (Marrony) e Savarino. Bom dizer: essa escalação foi igual a do 1 x 1 com o Fluminense, que tirou os 100% de invencibilidade do Atlético no Mineirão. Pela primeira vez, em 16 rodadas, o técnico Sampaoli repetiu o timeTerceiro com 31 pontos em 16 jogos – 10 vitórias, 1 empate, 5 derrotas, saldo de 11 gols (31 a 20) -, o Atlético jogará sábado (24) com o Sport, no Mineirão.

CINCO CARTÕES – O zagueiro Junior Alonso foi o único do Atlético advertido com cartão amarelo, aplicado em quatro do Bahia: os meias Elias e Edson; o atacante Gilberto, autor de dois gols, que o substituiu, e o atacante Alesson, que entrou no lugar de Fessin no segundo tempo. Com atuação segura e a postura habitual, o árbitro Anderson Daronco, da Federação Gaúcha e da FIFA, foi discreto na advertência, sem cartão, ao técnico Sampaoli, pedindo que ficasse mais calmo, logo aos 11 minutos de jogo.

164 JOGOS, 403 GOLS – Concluída com Botafogo 0 x 0 Goiás e Bahia 3 x 1 Atlético Mineiro, a rodada 17 registrou 25 gols, elevando a média do Campeonato Brasileiro de 2020 para 2.46 gols por jogo, com 403 gols em 164 jogos. Ataque mais positivo (31), o Atlético Mineiro tem mais 1 gol que o vice-líder Flamengo (30) e mais 3 gols que o líder Internacional (28), que tem 50% de seus gols (14), marcados por Tiago Galhardo, artilheiro do campeonato com 14, mais 4 gols que Marinho, do Santos.

Foto: JHONY PINHO/AGIF