O Barcelona fez uma apresentação de encanto no Teatro dos Sonhos, como o ex-meia Bobby Charlton, hoje aos 81 anos, chamou o estádio Old Trafford, depois de marcar 249 gols em 758 jogos pelo Manchester United, entre 1954 e 1973, como um dos maiores nomes da história do futebol inglês, cuja seleção defendeu de 1958 a 1970 – 106 jogos, 49 gols – e foi campeão do mundo em 1966, em final inesquecível (4 x 2) sobre a Alemanha, no antigo Estádio Imperial de Wembley.

RESPEITO OU MEDO? – A maioria dos observadores não soube responder à pergunta sobre a estranha postura do time inglês. Em casa, com o apoio de 42.050 torcedores, esperava-se que o Manchester United saísse para o jogo, mas o que se viu foi uma equipe retraída. Mesmo depois de sofrer o gol, logo aos doze minutos, o United não mostrou coragem para se lançar ao ataque e o Barcelona, com amplo domínio, poderia ter ampliado o placar, mas o goleiro espanhol David de Gea, de 28 anos, 1,92m, evitou.

GOL CONTRA? – Sou dos que não entenderam a decisão do árbitro italiano Gianluca Rocchi, de 35 anos, há 10 apitando na Champions, de tirar o mérito de Luis Suarez para registrar gol contra de Luke Shaw, depois que a bola cabeceada pelo atacante uruguaio, após cruzamento preciso de Messi, bateu nas costas do lateral-esquerdo inglês. Um lance claro, que dispensava consulta ao árbitro de video, que acertou em não reconhecer impedimento e errou ao decidir pelo gol contra.

COUTINHO TENTOU – O lance do gol único do jogo foi bem claro. Messi recebeu a bola em condições legais e Suarez cabeceou antes da linha de marcação dos zagueiros. A bola bateu no braço esquerdo de Shaw e só depois que transpôs a linha do gol foi que o meia Philippe Coutinho – hoje com atuação mais lúcida – conseguiu tocá-la. O árbitro de video não ajudou em nada no lance e só fez tirar o mérito de Suarez ao registrar gol contra. O lateral Shaw não teve a mínima intenção de desviar a bola.

MESSI SANGROU – O choque de Messi, no alto, com o zagueiro Smalling, de 29 anos, londrino de 1,94m, foi bem casual, mas o capitão do Barcelona levou a pior e se agachou com sangramento no nariz. Voltou bem, depois de poucos minutos em que foi atendido à beira do campo. Messi comandou o show variado de 731 passes, deslocando-se de um lado ao outro e chamando a atenção pela rapidez na saída dos contra-ataques. Os ingleses trocaram pouco mais da metade dos passes (325).

CINCO AMARELOS – O meia Busquets, do Barcelona, foi o primeiro e único a receber cartão amarelo, logo aos 16 minutos, por segurar Paul Pogba. O outro amarelo do primeiro tempo foi para Luke Shaw, aos 19, por segurar Messi, no primeiro lance depois que o craque voltou do atendimento na beira do campo. No segundo tempo, o chileno Arturo Vidal levou amarelo por falta no brasileiro Fred aos 25. Lingard, aos 30, com falta em Vidal, e Smalling, aos 39, com falta em Suarez, foram os últimos advertidos.

BARCELONA – Ter Stegen, Semedo, Piqué, Lenglet e Jordi Alba; Busquets (Aleñá, 47 do segundo tempo), Arthur (Sergi Roberto, 20 do segundo tempo) e Rakitic; Messi, Suarez e Philippe Coutinho (Arturo Vidal, 20 do segundo tempo). O Barcelona terá a vantagem do empate no jogo de volta na próxima terça (16), no Camp Nou. Bom lembrar: nas três últimas edições da Champions, o Barcelona foi eliminado nas quartas de final.

MANCHESTER UNITED – David de Gea, Young, Smalling, Lindelof e Luke Shaw; Dalot (Lingard, 28 do segundo tempo), Fred, Pogba e McTominay; Rashford (Andreas Pereira, 38 do segundo tempo) e Lukaku (Martial, 22 do segundo tempo). Das 27 faltas do jogo, o time inglês cometeu 16. Dos cinco cartões amarelos, recebeu três. Para se classificar às quartas, terá que ganhar por dois gols o jogo de volta. Se vencer por um, decide a vaga nos pênaltis. 

JUVENTUS PODE SE CLASSIFICAR SEM FAZER GOL

A Juventus terá a vantagem do empate sem gol no jogo de volta com o Ajax, na próxima terça (16), em Turim, depois do 1 x 1 da noite desta quarta (10) na Arena Johan Cruyff, em Amsterdam, com o Ajax. Cristiano Ronaldo reapareceu com sua marca mais que registrada, ao fazer o gol no último minuto do primeiro tempo, em arrancada do meio do campo para cabecear na pequena área, após o cruzamento do lateral-direito, também português, João Cancelo, aos 44.

FULMINANTE – O Ajax havia feito bom primeiro e melhorou muito na volta do intervalo, empatando aos 35 segundos, com o gol do paulistano David Neres. Em jogada rápida e com estilo, ele deu drible desconcertante no lateral João Cancelo e finalizou no canto, de pé direito – normalmente só usado para acelerar -, sem chance para o goleiro alemão Ter Stegen. O Ajax exerceu domínio em boa parte do segundo tempo, mas a Juventus fez prevalecer sua boa postura defensiva.

4 x 1 NOS CARTÕES – O único amarelo do primeiro tempo, aos 40 minutos, foi para o argentino Nicolás Tagliafico, lateral-esquerdo do Ajax, por uma falta dura de carrinho no lateral português João Cancelo, que aos nove do segundo tempo foi puxado pelo apoiador De Jong, no primeiro amarelo após o intervalo. Schone fez falta em Bernardeschi e levou amarelo aos 25. O meia bósnio Pjanic foi o único da Juventus advertido, aos 37, por falta em David Neres. Nos acréscimos, o estreante Ekkelenkamp recebeu o último cartão ao puxar Cristiano Ronaldo, aos 48.

JUVENTUS – Szczesny, João Cancelo, Bonucci, Rugani e Alex Sandro; Matuidi (Dybala, 29 do segundo tempo), Pjanic e Betancur; Mandzukic (Douglas Costa, 14 do segundo tempo), Cristiano Ronaldo e Bernardeschi (Khedira, aos 47 do segundo tempo). Douglas Douglas entrou bem no jogo e deu um belo drible no lateral Veltman. 

AJAX – Onana, Veltman, De Ligt, Blind e Tagliafico; De Jong, Schone (Ekkelenkamp, 29 do segundo tempo), Van de Beek e David Neres; Ziyech e Dusan Tadic. O técnico Erik ten Hag, a exemplo de Massimiliano Allegri, técnico da Juventus, considerou justo o resultado. Diante de 50.390 torcedores, boa arbitragem do espanhol Carlos del Cerro Grande, madrilenho de 43 anos, que marcou 25 faltas (15 do Ajax).

Foto: site oficial do Barcelona