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O FUTEBOL VOLTA A CHORAR a perda de mais uma de suas figuras históricas. Dois dias depois da morte de Zagallo, aos 92 anos, a de Beckenbauer, aos 78 anos, segundo campeão do mundo como jogador (1974) e técnico (1990), ambos igualados por Deschamps (1998 e 2018),agora o único vivo, e no comando da seleção da França. Franz Beckenbauer morreu ontem (7), enquanto dormia, em sua casa em Munique, no Sul da Alemanha, onde nasceu em 11 de setembro de 1945, enquanto o pai era combatente da Segunda Guerra Mundial.

SÍMBOLO DA ELEVAÇÃO do patamar do Bayern, de clube modesto no país à maior potência do futebol alemão, Beckenbauer iniciou a carreira aos 14 anos, contra a vontade do pai, aposentado de poucos recursos, e com marcas de ferimentos da Segunda Guerra, que não queria que jogasse futebol nos campos do bairro, com o único par de sapatos que tinha. Aos 18 anos, suspenso pela Bundesliga, quase desistiu da carreira, ao se recusar a casar, após queixa da namorada, grávida aos 16 anos.

ZAGUEIRO, LÍBERO E VOLANTE, Beckenbauer foi revelação e terceiro melhor jogador da primeira Copa do Mundo que disputou, aos 21 anos, em 1966, única até hoje ganha pela Inglaterra (4 x 2 na prorrogação), no mítico estádio de Wembley. Quatro vezes campeão alemão, três vezes consecutivas campeão europeus, marcou 76 gols em 584 jogos, entre 1964 e 1977 pelo Bayern. Beckenbauer fez 21 gols em 105 jogos pelo Cosmos, tricampeão dos Estados Unidos, onde brilhou com Pelé, Marinho Chagas e Romerito.

NA SEGUNDA DAS OITO COPAS consecutivas que cobri, vi Beckenbauer erguer a taça, aplaudido de pé por 75 mil torcedores, no final da tarde do domingo, 7 de julho de 74, no Estádio Olímpico de Berlim. A Alemanha ganhou de virada (2 x 1) da favorita Holanda, de Johann Cruyff, na única final das 21 Copas, com os gols no primeiro tempo. Os campeões do mundo, dirigidos por Helmut Schoen: Sepp Maier, Vogts, Schwarzenbeck, Hoeness e Breitner; Beckenbauer (c), Bonhof e Overath; Grabowski, Gerd Muller e Holzenbein. O holandês Jongbloed foi o último goleiro a não jogar de luvas em uma final de Copa.

UM DOS SETE DA HISTÓRIA a ganhar as medalhas de prata (vice-campeão do mundo em 66); ouro (campeão do mundo em 74), e bronze (terceiro na Copa de 70), Franz Beckenbauer substituiu Jupp Derwall como técnico da seleção. Foi vice campeão do mundo em 86, perdendo para a Argentina (3 x 2, com o gol de mão de Maradona), no Estádio Azteca da Cidade do México, e deu o troco na final de 90, no Estádio Olímpico de Roma, vencendo por 1 x 0, gol de Andreas Brehme, de pênalti, quando então se igualou a Zagallo como campeão do mundo como jogador e técnico.

KAISER, que significa Imperador, em alemão, foi o apelido que ganhou dos torcedores, antes de se tornar presidente do Bayern, que dirigiu durante 15 anos, como o mais importante da história centenária do clube, ídolo em Munique, reconhecido como o maior jogador alemão e entre os maiores de sempre do futebol mundial. Beckenbauer foi incentivador e responsável direto pela carreira de Sepp Maier, um dos maiores goleiros do mundo, seu amigo de infância e com quem jogava tênis desde os 10 anos de idade.

PERGUNTEI A BECKENBAUER, quando cobri o jogo de despedida de Carlos Alberto Torres, no Giants Stadium, de Nova York, como definia Pelé, e ele sorriu: “Só ele mesmo, que é gênio, pode se autodefinir”. Beckenbauer se confessava feliz, pela por ter jogado com Pelé, na última temporada do único e eterno Rei do futebol, mas também elogiava muito o único capitão que marcou o último gol de uma Copa do Mundo, referindo-se a Carlos Alberto Torres como “um jogador inteligente, de técnica refinada e um amigo especial que fiz no futebol”.

QUE DEUS DÊ MUITA LUZ AO ESPÍRITO DE FRANZ BECKENBAUER.

Foto: DIvulgação, Alex Grimm/Bongarts/Getty Images) e foto cortesia Bayern Munich.