A suspensão de dois anos da Liga dos Campeões da Europa – maior torneio de clubes do mundo – imposta hoje (14) ao Manchester City, bicampeão inglês, é o destaque das edições online desta sexta-feira dos principais jornais europeus. The Times (Os Tempos), de 235 anos, fundado em 1785, em Londres, ressalta: “Duro golpe de dois anos no City”.

O MOTIVO – O Manchester City foi afastado das duas próximas Champions por infringir as regras da União Europeia de Futebol (Uefa), em nível do fair play financeiro, com multa de 30 milhões de euros, o equivalente a 140 milhões de reais. Desde 2013, em seus balanços financeiros, os clubes eram obrigados a comprovar que não gastam mais do que arrecadam. O que não aconteceu com o City, daí a punição.

DÍVIDAS – A decisão da Uefa inclui como obrigação dos clubes o comprovante de que não devem a outros nem estão com o pagamento atrasado, inclusive com os jogadores e com as obrigações de recolhimento de impostos ao governo. O chamado fair play financeiro entrou em vigor desde 2011 e nove anos depois o City é enquadrado e primeiro a ser punido.

OCULTAÇÃO – Fontes da União Europeia de Futebol (Uefa) revelam que chamou muito a atenção o balanço financeiro do Manchester City. O clube apresentou números com valores abaixo do que havia recebido. Junto com o Manchester United – patrocínio master da Chevrolet -, o Manchester City é o que mais ganha, com o patrocínio master da Etihad Airlines na camisa e o nome de seu próprio estádio. Uma fortuna que o clube não exibiu de forma correta – revela a fonte.

ATENÇÃO – O jornal The Sun, também editado em Londres, destaca: “City banido da Champions e punido com multa de 25 milhões de libras”. A fonte do jornal cita que “dos cinco principais times ingleses, o Liverpool é o único com patrocínio inglês, o do Standard Chartered, banco que atua em 70 países, com 1.800 agências e 75 mil funcionários”. O Liverpool ganha o equivalente a 200 milhões de reais por ano e renovou contrato até 2022.

SÓ CAMISA – Não são citados os valores pagos aos clubes pelo patrocínio na manga, apenas no peito da camisa. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, há citações em libras, euros e dólares, como é o caso da soma dos valores de todos, que ultrapassa os 500 milhões de dólares! Os londrinos Chelsea – patrocinado pela Yokohama Tyres, fábrica japonesa de pneus – e Arsenal, pela Emirates Airlines, são os que menos faturam.

PSG NO RADAR – Aos observadores da Uefa, nada escapa do controle. O PSG, por exemplo, comprado em 2011 pelo Fundo de Investimentos do Catar, está no radar, principalmente a partir de 2017, quando pagou 222 milhões de euros, quase 1 bilhão de reais, pela multa de rescisão do contrato de Neymar com o Barcelona.

SEM VALORES revelados, o bilionário Nasser Al-Khelaifi, de 46 anos, que havia comprado o Al-Jazira FC, em 2006, também comprou o PSG, e investiu mais de 150 milhões de dólares, em outros jogadores, como o meia Lucas Moura, ex-São Paulo, atualmente no londrino Tottenham. O ex-lateral Leonardo, do Flamengo e da seleção brasileira, é o braço direito de Khelaifi, há quase dez anos.

NA ESPANHA, o diário MARCA destaca em sua edição online desta sexta (14): “Manchester City é punido com sanção histórica e castigado com dois anos sem jogar na Europa”. Por sua vez,

MUNDO DEPORTIVO registra que a revista semanal alemã Der Spiegel (O Espelho) foi precursora da investigação e da denúncia. O Milan, pelo mesmo motivo, foi impedido de disputar a Liga Europa em 2018-19.

GUARDIOLA – O técnico espanhol Josep Guardiola, de 49 anos, desde julho de 2016 no City, bicampeão inglês, deve assumir a Juventus, octacampeã italiana, a partir de julho, quando se inicia a temporada 2020-2021. O bilionário Andrea Agnelli, de 44 anos, da quarta geração de sua família na presidência da Juventus, e dono da Fiat, já antecipou que dará cheque em branco a Guardiola.

Foto: TC Online