Antes de tudo, a ida de Bernardinho para comandar a seleção masculina de vôlei da França, representa a volta da valorização do profissional brasileiro na Europa, onde a temporada 2020-2021 do futebol está terminando, sem nenhum técnico do Brasil em equipes dos cinco principais campeonatos. É também o reconhecimento da Federação Francesa de Vôlei, que contrata um dos técnicos mais vitoriosos do mundo para preparar sua seleção para os Jogos Olímpicos de 2024 em Paris. 

CURRÍCULO – O presidente Éric Tanguy disse que a Federação Francesa de Vôlei está honrada em que Bernardinho tenha aceito o convite: “Ficamos felizes porque ambicionamos a evolução e queremos o vôlei francês em níveis sempre mais elevados e bem no alto do pódio. O currículo de Bernardinho, com medalhas em todas as seis Olimpíadas consecutivas de que participou, é uma das suas credenciais a serem exaltadas e respeitadas. A França queria, e conseguiu, o melhor técnico de vôlei do mundo”.

33 ANOS – Foi nos Jogos Olímpicos de 1988, em Seul, capital da Coreia do Sul, que Bernardinho começou como assistente técnico de Bebeto de Freitas – 1950 – 2018 -, um dos mais brilhantes jogadores da história do vôlei brasileiro, nos Jogos de 1972, em Munique, e de 1980, no Canadá, onde o conheci na única Olimpíada que cobri. Bebeto foi 11 anos consecutivos campeão carioca pelo Botafogo, clube do coração, tal qual o primo Heleno de Freitas e o tio João Saldanha, técnico campeão de 1957.

AS MEDALHAS – Bernardinho continuou ganhando experiência como técnico na Itália, dirigindo a equipe feminina do Perugia, entre 90 e 92, e em 93 a equipe masculina do Modena. Na volta, iniciou o trabalho na seleção brasileira e ganhou medalhas em seis Jogos Olímpicos consecutivos: as de bronze com a seleção feminina, em Atlanta 1996, e em Sydney 2000, e com a seleção masculina, as de ouro, em Atenas 2004, e no Rio 2016, e as de prata, em Pequim 2008, e em Londres 2012. 

O DESAFIO – Dirigir pela primeira vez uma seleção estrangeira, é o novo e grande desafio na vida de Bernardinho, profissional de muita competência e talento, que continuará fazendo duas das coisas que mais gosta: desenvolver pessoas e treinar equipes. Ele antecipa que não abandonará os projetos no Brasil, mantendo-se à frente do vôlei do Flamengo e das escolinhas em que orienta os jovens para uma formação esportiva e social, a fim de que cheguem ao futuro pelo caminho certo.

SETEMBRO – Bernardinho substituirá Laurent Tillie, de 57 anos, técnico argelino que dirige a seleção francesa desde 2012, campeã europeia em 2015 na Itália e mundial em 2017 no Brasil, e deixará o cargo após os Jogos Olímpicos de Tóquio, entre 23 de julho e 8 de agosto. Bernardinho estreará no Europeu de seleções, de 1 a 9 de setembro, e a seguir terá três competições a cada ano: o Mundial de 2022, o Europeu de 2023 e os Jogos Olímpicos de 2024, quando termina seu contrato.

O NOME – Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, carioca de 25 de agosto de 1959, é extremamente perfeccionista, como todo virginiano. O nome Bernardo é de origem alemã: Ber (Urso), Hart (Forte), e se difundiu pela figura excepcional de São Bernardo, abade francês que fundou um asilo nos Alpes suíços, e cujo nome também foi dado à raça de cães que passaram a ajudar no resgate de pessoas perdidas nas montanhas. No Brasil, Bernardo foi nome escolhido por seis mil pais até 2019.

AMIGO ENIO – Conheci Bernardinho, apresentado pelo amigo Enio Figueiredo, jogador e técnico de muitas conquistas no vôlei do Flamengo e da seleção, no café da manhã em que prestigiamos o lançamento do projeto de desenvolvimento na Zona Oeste. O técnico empolgou a todos, que se levantaram para aplaudi-lo, após mais uma de suas palestras. Desejo que seja feliz e  consiga mais uma etapa vitoriosa na vida. Como lhe dirão os franceses, “Bonne chance” (Boa sorte, Bernardinho).

Foto: GZH