O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, campeão brasileiro de 95 e integrante do atual grupo gestor, garantiu ontem (2) que “o Botafogo não entrará em campo sob pressão, seja em que nível for, e que os jogadores vão continuar em casa, onde estarão protegidos”. A reação do dirigente veio depois do parecer favorável do Ministério da Saúde ter autorizado a volta dos jogos a partir do final deste mês de maio.

RESPONSÁVEL – Montenegro fez questão de ressaltar que “o Botafogo é responsável pela vida de seus profissionais”. O gestor do futebol do clube destacou em tom enfático: “Estão montando um circo, mas os jogadores do Botafogo não são palhaços. Falta escrúpulo em quem quer a volta imediata do futebol e também falta respeito aos profissionais”.

RISCO BRUTAL – O dirigente salientou que “os jogadores correm risco brutal, treinando ou jogando. O próprio Ministério da Saúde reconhece que não pode fazer os testes do Covid-19. Por que então o futebol tem que voltar em maio, se não há vaga nos hospitais e as pessoas estão sofrendo e morrendo? É ridículo, muito ridículo”.

INTERESSES – Montenegro vê muitos interesses acima da preservação da vida humana: “As restrições do Ministério da Saúde, que sofre influência superior, são poucas pelo bem-estar dos jogadores. O Ministério só se mostra favorável porque argumenta que com o jogo exibido na televisão, o torcedor se mantém em isolamento social. E os jogadores, que não podem evitar o contato, como ficam?”

MONTENEGRO enfatizou que o novo coronavírus é uma doença invisível, traiçoeira e que ainda causará muitos problemas, conforme as próprias autoridades sanitárias não deixam de comentar, se as medidas de isolamento não forem adotadas: “O aumento diário de mortes e de novos casos nada representa para quem tem outros interesses”.

Foto: Lance