A seleção brasileira voltou a decepcionar no penúltimo jogo do ano, que perdeu (1 x 0) para a Argentina, nesta sexta (15), no estádio Rei Saude, do Al-Hilal, em Riad, Arábia Saudita, onde os sauditas agitavam as bandeiras argentinas e um cartaz com o nome de Messi, autor do gol aos 13 do primeiro tempo, cobrando pênalti que sofreu de Alex Sandro. Quatro minutos antes, Gabriel Jesus chutou pênalti para fora.

MUITO MAL – Só com jogadores que atuam fora do país, a seleção brasileira voltou a jogar muito mal, sem criatividade e sem poder de finalização. O goleiro Andrada, do Boca Juniors, 28 anos, 1,93m,  quase não foi exigido e completou o terceiro jogo sem sofrer gol pela seleção argentina, que criou o dobro de situações de gol e merecia placar mais amplo.

FALTA TESÃO – Sinômino de desejo e muita vontade, tesão é o que tem faltado à seleção brasileira, sem iniciativa, sem ousadia, como voltou a demonstrar nessa derrota para os argentinos. Até na batida do pênalti de Gabriel Jesus, que ele próprio sofreu do zagueiro Pezzella, logo aos nove minutos, a displicência foi flagrante no momento da cobrança, saindo o chute rasteiro à esquerda do goleiro.

INICIATIVA – Com futebol mais rápido e envolvente, os argentinos passaram ao domínio e o gol que decidiu o amistoso foi quatro minutos depois, aos 13. Messi sofreu pênalti de Alex Sandro, mas só converteu após o rebote do goleiro Alisson, que fez a defesa parcial no canto direito. Daí em diante, o domínio foi argentino, com o dobro de finalizações (18 a 9).

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QUATRO MESES – Depois dos 3 x 1 sobre o Peru, na final da Copa América, em 7 de julho, no Maracanã, o Brasil completou nesta sexta (15) quatro meses e uma semana sem vencer, pior sequência do técnico Tite desde que assumiu em 2016. Empates com Colômbia, Nigéria e Senegal, e as derrotas para o Peru e a Argentina.

PIOR DE TODAS – Faz 28 anos que a seleção brasileira teve o período mais longo sem vitória, de 12 de setembro de 90 a 27 de março de 91, dirigida por Falcão, meia da Copa de 82. Perdeu (3 x 0) para a Espanha, na estreia, que cobri no estádio El Molinon, em Gijón, e a seguir dois 0 x 0 com Chile, 0 x 0 com México, e em 91, 1 x 1 com Paraguai e 3 x 3 com Argentina, até vencer (2 x 1) a Romênia, em 17/4/91.

BOM LEMBRAR – Falcão foi convidado para técnico da seleção pelo então presidente da CBF Ricardo Teixeira, que ficou encantado na Copa de 90 com a postura de Beckenbauer, de paletó e gravata comandando a seleção alemã campeã do mundo, e viu em Falcão o mesmo técnico elegante, que sempre se vestiu muito bem.

FALCÃO, NOTÁVEL no bicampeonato brasileiro do Internacional (75-76) e na seleção que encantou o mundo na Copa de 82, foi mal como técnico. Além de acumular a série mais negativa da seleção – uma derrota e cinco empates -, saiu após perder (2 x 0) para o Chile, em 21/7/91, com três vitórias, oito empates e duas derrotas.

BRASIL – Alisson, Danilo, Tiago Silva (cap), Eder Militão e Alex Sandro (Renan Lodi, 18 do segundo tempo); Casemiro (Wesley, 41 do segundo tempo), Arthur (Fabinho, 9 do segundo tempo) e Paquetá (Philippe Coutinho, intervalo); Willian (Rodrygo, 26 do segundo tempo), Firmino e Gabriel Jesus (Richarlison, 26 do segundo tempo).

SEM CONFIANÇA – O técnico Tite disse que não poderia escalar Rodrygo, que tem brilhado no Real Madrid, desde o início, “por ser um jovem em fase de adaptação à seleção. Ele precisa ser lançado aos poucos, a fim de não ser queimado”. Melhor ouvir isso do que ser surdo…

ALISSON, do Liverpool, líder do Campeonato Inglês, campeão da Liga dos Campeões e melhor goleiro do mundo, reapareceu muito bem. Fez defesa parcial no pênalti que Messi bateu e depois salvou a seleção com várias defesas.

PAQUETÁ, meia do Milan, voltou a decepcionar na primeira vez em que começou um jogo pela seleção. Errou muitos passes, foi mal nas poucas finalizações. Desempenho tão decepcionante quanto os que têm tido no time italiano, não à toa décimo quarto colocado no campeonato.

ARGENTINA – Andrada, Foyth, Pezzella, Otamendi e Tagliafico; De Paul (Nicolás Dominguez, 45 do segundo tempo), Paredes (Guido Rodriguez, 37 do segundo tempo) e Lo Celso (Acuña, 14 do segundo tempo); Messi (cap), Lautaro Martinez (Lucas Alario, 43 do segundo tempo) e Ocampos (Nicolás Gonzalez, 29 do segundo tempo). Técnico – Lionel Scaloni.

SEMPRE ELE – Messi voltou à seleção após 132 dias e além do gol da vitória teve outra atuação destacada. Messi cumpriu suspensão, ao dizer que “a Copa América estava armada para o Brasil ganhar”. Marcou seu quinto gol na seleção brasileira, a que mais sofreu, junto com a do Paraguai. Agora, a vantagem do Brasil é só de uma vitória: 39 a 38.

OUTRO CLÁSSICO – Após a vitória sobre o Brasil, a Argentina disputará outro clássico, segunda (18), com o Uruguai, no Estádio Bloomfield, em Tel-Aviv, capital de Israel. Todos os 29.150 ingressos foram esgotados com dois meses de antecedência.

ÚLTIMA CHANCE –A seleção brasileira terá a última chance para evitar o fim de 2019 sem vitória, no amistoso da próxima terça (19), com a Coreia do Sul, no estádio Mohammed bin Zayed – 42.056 lugares -, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.

PORTUGUÊS -A seleção sul-coreana – posição 48 no ranking FIFA – é treinada desde 16 de agosto de 2018 pelo português Paulo Bento, 50 anos, que teve passagem curta pelo Cruzeiro, de 11 de maio a 25 de julho de 2016, demitido após deixar o time em penúltimo no Brasileirão.

Foto: Reuters