A vitória de 3 x 0 sobre a Bolívia na estreia da Copa América, na noite de ontem (14) no estádio do Morumbi, em São Paulo, foi dedicada pelos jogadores e comissão técnica da seleção brasileira ao goleiro Alisson pelo nascimento de seu filho Matteo, horas antes no Hospital Moinho dos Ventos, em Porto Alegre. Liberado para assistir o parto da mulher Natália, com quem já tem uma filha, Helena, Alisson voltou a tempo de participar de um jogo em que pouco tocou na bola.

MELHOROU POUCO – Depois de um primeiro ruim e sem gol, em que a Bolívia só quis se defender, o Brasil melhorou um pouco na volta do intervalo e confirmou o favoritismo com três gols, os dois primeiros do meia Philippe Coutinho. Aos cinco, ele converteu o pênalti do zagueiro Luis Haquin, que tocou com o braço na bola, e que o árbitro levou dois minutos para confirmar no VAR. Coutinho bateu rasteiro no canto direito. O segundo gol, de cabeça, foi aos sete, após cruzamento de Firmino da linha de fundo.

GOL MAIS BONITO – O atacante cearense Everton, do Grêmio, marcou o gol mais bonito da noite, em jogada individual, aos 39. Ele saiu da esquerda com a bola dominada e finalizou à meia altura, de pé direito, quase da meia lua da área, sem que o goleiro esboçasse defesa. Everton havia entrado quatro minutos antes no lugar de Neres, que não correspondeu. A entrada de Everton melhorou de forma acentuada o rendimento ofensivo da seleção, que só rendeu um pouco no segundo tempo.

BRASIL – Alisson, Daniel Alves (cap), Tiago Silva, Marquinhos e Filipe Luis; Casemiro, Fernandinho e Philippe Coutinho; Richarlison (Willian, 38 do segundo tempo), Firmino (Gabriel Jesus, 19 do segundo tempo) e Neres (Everton, 35 do segundo tempo). Na saída para o intervalo (0 x 0), o semblante do técnico Tite era de apreensão, sobretudo porque parte dos torcedores vaiou a seleção pelo mau desempenho.

BOLÍVIA – Carlos Lampe, Diego Bejarano, Luis Haquin, Adrián Jusino e Marvin Bejarano (cap); Justiniano, Saucedo (Diego Wayar, 14 do segundo tempo), Raul Castro (Ramiro Vaca, 30 do segundo tempo) e Saavedra (Leonardo Vaca, 18 do segundo tempo); Chumacero e Marcelo Moreno, que usa na camisa o nome do pai brasileiro Martins. Foi apenas o quarto jogo do técnico Eduardo Villegas, de 55 anos, nascido em Cochabamba, ex-meia, que voltou ao Brasil 30 anos após disputar a Copa América de 1989. Villegas estava muito elegante na área técnica, com passeio completo em azul marinho e gravata verde, uma das cores da bandeira da Bolívia.

CAMISA ESPECIAL – A seleção brasileira usou a camisa retrô, branca, igual à que vestiu em 1919 quando promoveu e ganhou a primeira Copa América, na época tratada como Campeonato Sul-Americano, realizada no estádio das Laranjeiras, então o maior do Rio com 25 mi lugares, 17 anos após a fundação do Fluminense (21/7/1902). A camisa branca foi amaldiçoada quando o Brasil perdeu (2 x 1, de virada) para o Uruguai, na final da quarta Copa do Mundo, em 16 de julho de 1950, no Maracanã. Na Copa seguinte, em 1954, na Suíça, o Brasil estreou a camisa amarela.

SÓ DOIS CARTÕES – Brasil 3 x 0 Bolívia teve atuação segura de Néstor Pitana, que segunda-feira (17) vai completar 44 anos, nascido na cidade de Corpus, província argentina de Misiones. Árbitro da final da Copa do Mundo de 2018 – França 4 x 2 Croácia -, Pitana fez duas consultas ao árbitro de video e só mostrou dois cartões amarelos: para o meia boliviano Saucedo, aos 18 do primeiro tempo, por pisão forte no pé de Casemiro, e para Phillippe Coutinho, aos 21 do segundo tempo, por atingir com o braço o rosto do zagueiro Luis Haquin.

RENDA MALUCA – Antes do jogo havia sido anunciado que todos os ingressos tinham sido vendidos, mas na metade do segundo tempo, quando renda e público foram divulgados, veio a surpresa: R$22.476.630,0046.342 pagantes. Pelos preços exorbitantes estipulados pela organização da Copa América, a renda é recorde nos estádios brasileiros. Mas a maioria dos jogos não tem tido procura e a Conmebol – sigla da Confederação Sul-Americana de Futebol – não esconde a decepção.

ARGENTINA E URUGUAI – As outras duas seleções consideradas favoritas, junto com o Brasil, estrearão hoje (15) e amanhã. Neste sábado (15), Venezuela x Peru, às 16 horas, na Arena Grêmio, e Argentina x Colômbia, às 19 horas, na Arena Fonte Nova, em Salvador.  Amanhã (16), Paraguai x Qatar, às 16 horas, no Maracanã, e Uruguai x Equador, às 19 horas, no Mineirão. Segunda (17), a estreia das duas últimas seleções, Japão – de volta após 20 anos – eChile, às 20 horas, no Morumbi.