A seleção brasileira não só manteve 100% de aproveitamento nas eliminatórias – 5 vitórias em 5 jogos -, mas também a defesa menos vazada, só com dois gols sofridos, e passou a ter o ataque mais positivo com 14 gols, ao vencer o Equador por 2 x 0, na noite de ontem (4), na Arena Beira Rio, em Porto Alegre. Richarlison e Neymar, de pênalti, fizeram os gols, e o capitão Casemiro, em nome dos jogadores, reafirmou a posição firme da seleção de não disputar a Copa América.

PRESSIONADO – O clima de tensão foi instalado desde quarta (2), na Granja Comary, em Teresópolis, onde os jogadores e o técnico Tite firmaram pacto de não participar da Copa América, que a CBF decidiu assumir, após Colômbia e Argentina desistirem de sediar. Sem terem sido ouvidos, pediram a presença do presidente da CBF e deixaram claro que não querem disputar o torneio. O presidente está ainda mais pressionado, depois de ser denunciado por assédio moral.

GOL ANULADO – O goleiro Alexander Dominguez, do Equador, mandou a escanteio o único chute da seleção brasileira, de Neymar, de fora da área aos 44, um minuto depois de o árbitro ter anulado gol de Gabriel por impedimento. Com assistência de Neymar, aos 20, Richarlison fez 1 x 0 com chute de pé esquerdo e foi acompanhado por outros jogadores, ao correr para abraçar Tite, em solidariedade ao técnico, que um dia antes chegou até a falar em pedir demissão.

DOIS PÊNALTIS – O segundo gol foi de Neymar, aos 46 minutos, ao cobrar duas vezes o pênalti do lateral Angelo Preciado em Gabriel Jesus. O árbitro venezuelano Alexis Herrera havia marcado falta do atacante, mas foi chamado pelo VAR para revisar o lance, e marcou pênalti, depois de três minutos de paralisação. Neymar bateu rasteiro no canto direito e o goleiro Dominguez defendeu. O árbitro já estava no meio do campo e voltou a ser chamado pelo VAR.

DOIS PASSOS – O árbitro não viu, mas o goleiro Dominguez deu dois passos à frente, antes da cobrança. Corrigido pelo VAR, o árbitro aplicou cartão amarelo no goleiro e mandou repetir a cobrança, já então aos 49 minutos. Dominguez admitiu que Neymar fosse repetir e caiu para o lado direito, mas o atacante converteu junto à trave esquerda. Neymar sofreu pelo menos três faltas duras, mas saiu recompensado: “Vencemos e somos líderes, o que é mais importante”.

SEM BRILHO – Único atuante no Brasil, Gabriel voltou à seleção  depois de cinco anos e não teve brilho. Perdeu todas as divididas, não fez tabelas nem acertou passes, e em três minutos, aos 27 e aos 30 do segundo tempo, não aproveitou chances claras, frente a frente com o goleiro, que mandou a escanteio, e cabeceou para fora um cruzamento preciso de Richarlison. Dois minutos depois, Gabriel saiu de campo desanimado, ao ser substituído por Firmino. 

ALISSON, Danilo, Militão, Marquinhos e Alex Sandro; Casemiro (c), Fred (Gabriel Jesus) e Lucas Paquetá; Richarlison (Fabinho), Neymar e Gabriel (Firmino) – a seleção 100% nas eliminatórias – 15 pontos em 5 jogos, 5 vitórias, ataque mais positivo (14), defesa menos vazada (2) -, e jogará terça (8), no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, com o também invicto Paraguai, quarto com 7 pontos – 1 vitória, 4 empates -, com saldo de apenas 1 gol (6 a 5).

VITÓRIA 39 – Foi o jogo 53 e a vitória 39 da seleção, desde o primeiro jogo do técnico Tite, em 1 de setembro de 2016, quando venceu em Quito o Equador por 3 x 0, gols de Gabriel Jesus (2) e Neymar.  Com Tite, além das 39 vitórias, a seleção só perdeu 4 jogos e empatou 10, marcando 114 gols e sofrendo 19. A linguagem simples e as orientações objetivas estão entre as maiores virtudes do treinador, querido pelos jogadores, mais uma vez solidários com ele.

ARTILHEIRO – Marcelo Moreno, que no próximo dia 18 fará 34 anos, é o artilheiro das eliminatórias com cinco gols, após os dois que marcou na primeira vitória da Bolívia (3 x 1) sobre a Venezuela. Moreno não está bem no Cruzeiro, que perdeu na estreia da Série B para o Confiança de Aracaju (3 x 1). Os vice-artilheiros, com quatro gols, são Luis Suarez, do Uruguai; Arturo Vidal, do Chile; Ángel Romero, do Paraguai, e Neymar, com o gol de pênalti da noite de ontem (4).

NADA A ACRESCENTAR – O volante Casemiro, pela sexta vez capitão da seleção, deixou claro: “Todos já sabem a posição do grupo com relação à Copa América. O desejo não é só dos que jogam na Europa, mas de todos e também da comissão técnica. Não há mais nada a acrescentar”. O pronunciamento oficial será feito após o jogo de terça (8) com o Paraguai, pelo técnico Tite e, ao que tudo indica também pelo capitão Casemiro, que falará em nome dos jogadores”.

Fotos: Lucas Figueiredo / CBF