O Brasil se classificou para a semifinal da Copa América, depois de doze anos, ao vencer o Paraguai – 4 x 3 nos pênaltis -, na noite de ontem (27), na Arena Grêmio, em Porto Alegre, e decidirá a vaga na final com Argentina ou Venezuela, que jogarão nesta sexta (28), às 16 horas, no Maracanã. O Paraguai jogou com menos um, pela expulsão do zagueiro Fabian Balbuena, aos nove minutos do segundo tempo, ao receber o segundo cartão amarelo, seguido do vermelho, por falta em Roberto Firmino.

SEGUNDO 0 x 0 – A seleção brasileira ficou no segundo 0 x 0 em quatro jogos na Copa América, mantendo-se sem sofrer gol, mas, a exemplo do jogo com a Venezuela, foi pouco criativa e repetiu o erro de quase não finalizar de fora da área. No primeiro tempo, as melhores chances de gol foram de Firmino, logo aos três minutos, com boa defesa de Gatito, e de Derlis Gonzalez, aos 28, que obrigou Alisson à defesa difícil a escanteio, junto à trave esquerda. Os contra-ataques paraguaios sempre foram mais perigosos.

MAIS CHANCES – O Brasil não aproveitou a falta na meia lua, que Daniel Alves chutou por cima, aos oito do segundo tempo, no lance que originou a expulsão do zagueiro Balbuena. Livre, quase na pequena área, Gabriel Jesus chutou pra fora aos 28, e Willian acertou a trave direita em chute rasteiro aos 45. Foram dados sete minutos de acréscimo, o Brasil continuou no campo de defesa do Paraguai, que só arriscou contra-ataques, mas a vaga teve que ser decidida nos pênaltis.

AS COBRANÇAS – O goleiro brasileiro defendeu a primeira do zagueiro e capitão paraguaio Gustavo Gomez. Willian converteu a primeira cobrança do Brasil, e Almiron – único canhoto dos dez cobradores – empatou. Gatito chegou a tocar na bola na cobrança do zagueiro Marquinhos (2 x 1). Bruno Valdez (2 x 2). Philippe Coutinho (3 x 2). Rodrigo Rojas (3 x 3), forte, no ângulo. Firmino e Gonzalez perderam as cobranças seguintes, chutando fora, e Gabriel Jesus converteu o último (4 x 3).

BRASIL – Alisson, Daniel Alves (cap) (Paquetá, aos 40 do segundo tempo), Marquinhos, Tiago Silva (cap, quando Daniel Alves foi substituído) e Filipe Luis (Alex Sandro, intervalo); Allan (Willian, 26 do segundo tempo), Arthur e Philippe Coutinho; Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Everton. O Brasil decidirá a vaga para a final do dia 7 de julho, no Maracanã, na próxima terça (2), no Mineirão, com o vencedor de Argentina x Venezuela.

PARAGUAI – Gatito, Ivan Piris, Gustavo Gomez (cap), Balbuena e Arzamendia (Bruno Valdez, 15 do segundo tempo); Alonso, Sanchez (Escobar, 33 do segundo tempo), Ortiz e Derlis Gonzalez; Almiron e Hernan Perez (Rodrigo Rojas, 29 do segundo tempo). 

BRASIL 0 x 0 PARAGUAI registrou R$10.352.430,00, con 45.495 pagantes, na noite de ontem (27), na Arena Grêmio, em Porto Alegre. Os jogadores do Grêmio, concentrados para a Copa do Brasil e o recomeço do Brasileirão em 10 de julho, foram liberados e assistiram juntos, após saudados com grande euforia pelos torcedores na chegada ao estádio. O técnico Renato Gaúcho não foi visto.

DECEPÇÃO – Não houve exceção: todos os atacantes brasileiros tiveram atuação decepcionante, principalmente Everton, que não conseguiu driblar nem finalizar bem. O apoiador Allan, que escorregou no túnel quando saiu do vestiário e bateu com a nuca no chão, não correspondeu e até demorou a ser substituído. Voltou do intervalo sem a proteção azul, que usou na testa no primeiro tempo. Philippe Coutinho também não pode deixar de ser incluído entre os apagados do jogo.

600 MINUTOS – A seleção brasileira terminou o jogo com o Paraguai com 651 minutos sem sofrer gol, incluídos os acréscimos. E também completou 65 jogos sem marcar sequer um gol de falta. O último, em amistoso com a Colômbia, em Miami, na Flórida, foi em 5 de setembro de 2014, marcado por Neymar, que assistiu o 0 x 0 com o Paraguai, ao lado do apoiador Casemiro, suspenso. 

MULTA – A Confederação Sul-Americana de Futebol multou a Confederação Brasileira de Futebol em 57 mil reais por ofensas dos torcedores no Morumbi, no jogo de estreia da Copa América – 3 x 0 na Bolívia -, quando fizeram coro de bicha para o goleiro boliviano.

OITO CARTÕES – O árbitro Roberto Tobar, da Federação Chilena, teve boa atuação. No primeiro tempo, aplicou quatro cartões amarelos: Arzamendia, aos 29, por falta em Daniel Alves; Ivan Pires, aos 33, por falta em Gabriel Jesus; Alonso, aos 36, por falta em Everton, e Filipe Luis, aos 43, por falta em Ivan Pires. Aos 25 minutos cada seleção já havia feito sete faltas. No segundo tempo, Firmino, logo com um minuto, recebeu amarelo por falta em Ivan Pires, e Arthur, aos 38, por atingir com o braço o rosto de Derlis Gonzalez, após o árbitro rever o lance no árbitro de video.

A EXPULSÃO do zagueiro Fabian Balbuena, aos nove do segundo tempo, foi justa. Ele havia sido advertido com amarelo aos 21 do primeiro tempo, por falta em Firmino, e ao derrubar o atacante, no segundo tempo, na entrada da área, recebeu o segundo amarelo, seguido do cartão vermelho. O árbitro também agiu certo em repreender Gabriel Jesus, por simular um pênalti, aos 19 do primeiro tempo. O jogo registrou 37 faltas, 19 cometidas pela seleção brasileira.

CAXUMBA – Os jogadores da seleção brasileira serão vacinados hoje (28), um dia depois que o atacante Richarlison contraiu caxumba e está isolado do grupo. Caxumba é uma infecção viral aguda e contagiosa. Embora mais comum em crianças, principalmente em idade escolar, pode também afetar adultos de qualquer idade. É uma doença com evolução benigna e de baixa letalidade. No Norte do Brasil, caxumba é conhecida como Papeira.

Foto: Koji Watanabe/Getty Images