Escolha uma Página

VINTE E DOIS ANOS DEPOIS DE CAFU erguer a taça de campeão do mundo em 2002, o Brasil volta a ter um capitão negro. No histórico primeiro confronto no estádio do Real Madrid, onde joga desde 2018, Vinícius Jr é o símbolo do amistoso de hoje (26), na luta contra o racismo, em que tem sido a maior vítima na Espanha.

ENTRE LÁGRIMAS, Vinícius Jr disse na entrevista da véspera do jogo, repercutida nos principais jornais europeus: “Estou cada vez mais triste e com menos vontade de jogar, mas me sinto forte e vou continuar lutando contra esse preconceito, para que os que forem surgindo sofram menos do que tenho sofrido”.

MARCA, principal diário esportivo da Espanha, destacou: “Foi a mais dura e vingativa de todas as declarações que ouvimos de Vinícius desde que se tornou jogador de alto nível e de que iniciou a campanha contra o preconceito”. O diário AS seguiu a linha: “Nunca se ouviu Vinícius tão forte contra o racismo que sofre”.

SPORT, jornal de Barcelona, fez questão de salientar a persistência e a coragem do atacante brasileiro: “Vinícius voltou a levantar a voz com muita firmeza, mostrando de forma bem clara estar preparado para o confronto contra os que o perseguem com as mais absurdas ofensas racistas”.

GAZZETTA DELLO SPORT, o mais lido diário esportivo italiano, publicou na capa: “Inconsolabile”, título em que procurou resumir que o atacante brasileiro está cada vez mais “inconsolável”. O jornal escreveu que “Vinícius deixou o tradutor sem saber o que dizer, após tantas perguntas sobre suas reações ao racismo”.

THE SUN (O SOL), tabloide mais lido da Inglaterra, publicou duas manchetes: “Exciting moment” (Momento emocionante) e “Vinícius’s despair” (Desespero de Vinícius), ao registrar que “as declarações do jogador brasileiro foram corajosas e firmes na luta contra o preconceito racial”.

DAILY MAIL, publicado desde 1896, segundo mais lido do Reino Unido, ressaltou que “os casos de racismo nos estádios da Espanha passaram do limite, mas precisam ser combatidos com rigor até que extintos”. O título da matéria “Unpleasant saga” (Saga desagradável”.

A ESPANHA INICIARÁ bastante modificada, com relação à formação da derrota no amistoso da última 6ª feira (22) com a Colômbia (1 x 0), no Estádio Olímpico de Londres. O técnico De la Fuente anunciou a escalação com Unai Simon, Carvajal, Normand, Laporte e Gayà; Rodri, Olmo e Fabian Ruiz; Oyarzabal, Morata e Lamine.

O BRASIL REPETIRÁ a escalação que venceu a Inglaterra (1 x 0), sábado (23), no estádio de Wembley: Bento, Danilo, Fabrício Bruno, Beraldo e Wendell; João Gomes, Bruno Guimarães e Paquetá; Raphinha, Rodrygo e Vinícius Jr (c). O técnico Dorival Jr deve também aproveitar as seis substituições para novas observações.

ESPANHA x BRASIL, com temperatura de oito graus, será às 20h30, hora da Espanha, 17h30, hora do Rio. Previsão de 75 mil torcedores no estádio Santiago Bernabeu, reformado por R$5 bilhões pelo Real Madrid, segundo clube mais rico do mundo depois do inglês Manchester United.

JOÃO PEDRO DA SILVA PINHEIRO, de 36 anos, natural de Viatodos, freguesia de Barcelos, município do distrito de Braga, apitará Espanha x Brasil. Árbitro de elite da União Europeia de Futebol, é da Fifa desde 2016 e estreou no amistoso Brasil 1 x 1 Panamá, dia 23 de março de 2019, no estádio do Dragão, do FC Porto.

BOM LEMBRAR: o primeiro capitão e autor do 1º gol do Brasil em Copa do Mundo (1930) foi João Coelho Neto (Preguinho), atleta símbolo do Fluminense, campeão em sete modalidades, destacando-se no futebol e na natação. E o primeiro capitão negro e artilheiro da seleção em Copa do Mundo (1938) foi Leônidas da Silva, do Flamengo.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF e Lorena